Luiz Divino

Luiz Divino nasceu em Campestre, MG, em 17 de julho de 1956. Tem as seguintes publicações: “O Viajador”, romance, 1998, Editora Litteris, “Natalie disse boa sorte aos mendigos”, contos, 2023, Editora Litteralux, “Queda de braço no tabuleiro de Deus”, romance, 2024, Editora Nauta e “As ondas pequenas que estapeiam as pilastras do cais”, poesia, 2025, Editora Laranja Original. Já fez teatro, escreveu, produziu e dirigiu filmes, já compôs e cantou e, para espantar o tédio, é também comediante. É formado em Produção Audiovisual e pós graduado em Artes Visuais pelo Instituto de Artes, da UNESP.
  • Contos

    Um dia qualquer na Cidade

    Quanto mais ando, mais penso que há um mistério na existência das cidades, a maneira como tudo se funde nos entremeios desse emaranhado humano, um caso de estudo de como o caos aparentemente inevitável se transmuta em algum tipo de desastre organizado, em que tudo se encaixa e se desagrega ao mesmo tempo num moto contí

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  • Contos

    Apenas uma bolinha

    Ele achava que o mundo estava diminuindo. Disse isto num churrasco com os amigos naquele encontro habitual do condomínio. Foi para casa. Deitado, olhando o teto que lhe parecia mais baixo, ele ainda ouvia as gargalhadas do pessoal. “Tá diminuindo teu cérebro, isto sim”. Acordou cansado, algo recorrente nos últimos mese

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  • Contos

    Desertos

    Os dois esqueletos de um condomínio em construção, voltados para o oeste, acolhem o vento de inverno que rasga as redes de proteção, agora de um laranja desbotado que denuncia o esgotamento de todos os prazos. Assovia por suas entranhas de tijolos cinzentos, cor de sem vida, e ecoa pelos corredores e escadarias e as fu

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  • Contos

    INSTANTÂNEOS

    No meio da rua um veio d’água, a luz amarela da madrugada, um homem capengando junto ao muro longo, o som da camisa fina raspando no chapisco de quando em quando. Incertos dias, estes. Em que não somos nem sombra do que pensávamos ser. O sorriso lacônico e de entrega, como se sorri diante da derrota concreta. Um ônibus

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  • Contos

    Carona

    O cara entrou, bateu a porta e começou. Disse que tinha deixado todos os filhos em casa, um deles, o mais novo tinha morrido dois dias antes, a mulher tinha mudado pra casa da irmã mais velha, tinha ido buscar alguma força pra suportar todo o resto que ainda viria pela frente. Que ela era uma boa mulher, que ele tinha

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  • Contos

    Olhos de cobra

    Eu gosto de sair andando sem um rumo definido. Desde moleque assim. Lembro-me da felicidade que sentia ao perceber o dia chegando pelos vãos da janela, era como um chamado da liberdade me arrancando da cama de volta para o mundo que o sono da noite anterior havia me tirado a contragosto. Saía descalço, pisando a grama

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  • Contos

    Dente na garganta

    Os garotos atravessaram a ponte de concreto em direção ao campinho. Era o trajeto de todos os dias, a única passagem que ligava os dois estados. Finalzinho de tarde, separação dos times, alarido, escolha de quem ia na linha, quem ia no gol, os melhores já saíam logo da fila, e ficavam num canto debochando dos desajeita

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  • Contos

    Gerô

    E foi quase tropeçando em sua própria cabeça que Gerô desceu a Brigadeiro no fim da madrugada. Um ruído insistente ecoando dentro do ouvido, devia ser o tapão do Negrão, a mão aberta e áspera encaixada em todo o lado direito da sua cabeça, o ouvido no meio. Parecia que o cérebro ia voar pelo outro lado. Ele sentou na c

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