Felipe Duarte de Paula

Felipe Duarte de Paula nasceu em 1987. Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, é promotor de justiça. Mora com a família em São Paulo. Em 2024, lançou o livro de poemas Vida selvagem, pela editora Patuá, disponível em https://www.editorapatua.com.br/vida-selvagem-poemas-de-felipe- duarte-de-paula/p e em https://www.amazon.com.br/Vida-selvagem-Felipe-Duarte- Paula/dp/655864794X
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    Poema #11: Prato Frio

    amar-te até os dentesembora passado o instante da mordidafico de presente com a marca da feridaleva pro futuro tatuado meu gosto

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    Poema #10: O voo do morcego

    Solto em São Paulo, aonde iria?Rompia a noite, não decidia.Abria as asas: para onde ia? Se fosse Batman, já saberiaqual o combate de cada esquina.Mas nem pra Coringa prestaria. Vampiro? Não, desmaiariaà vista de sangue.Dos predadores recusavaaté a fantasia. Ao encontro da rua,sumiria.De encontro ao muro,desaparecer: se

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    Poema #09: Dominó

    Não escanda a minha fala.Escancarar uma taranem sempre é um bom negócio. Esconda, miúdo, as manias que lhe movem.Um dia, quando nada sobrar,elas ainda farão o seu coração bater. É como diziam os romanos:tudo em latim.Ninguém entende, todo mundo concorda.

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    Poema #08: Contrato

    A palavra dada tem valorinsuscetível de medir.Pode-se apenas estimar o pesona palma da mão estendida. O corpo intui o preçoque o verbo não soube exprimir.Em troca, a renúncia ao trocoabrevia o lapso do som ao silêncio. No mercado das promessas,a confiança é soberana.Mas às vezes, submissa,flerta com o charme do blefe.

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    Poema #07: Ressaca

    onda mortiça,que oculta em seu manto de espuma?pérola ou lixo?fragmento de concha ou ponta de vidro?cobertor de areiaespelho de estrelapoça onde a sereia afônica afunda os pés sem dedos O corpo inteiro afogado no poço sem fundo.A memória em desordem de molho no sal.O olhar que vacila (à procura de terra firme?)vê dilui

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    Poema #06: Eco

    talvez uma nota sósurge avulso na meia luzmonótono feito o cantoque se destina a embalaro teto o chão as paredes a coreografia do póprojeta no espaço em brancoo sonho de não morrero ritmo é a bolha que estourano silêncio da distância rebate elástico o nóduelo que prende a respostaao mesmo som da perguntana teia da repe

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    Poema #05: Procura dos sentidos

    Terminantemente cego pelo brilho da sua voz,custei a compreender que o farol era oco.Lançam-se às ondas os que não veem.Os olhos,mal acostumados à claridade nua,não distinguem o contorno do timbre que os feriu.Perfil de muitos rostosou nenhum. Vem de lá o jogral que arranha os ouvidos.As letras,maiúsculas e resolutas,m

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    Poema #4: Rondó randômico

    A tosse que se ouviu pulsar,entranhada nas dobras do ar, ouvi que nunca houve outra igual,engasgo ou sintoma de um malque se ouvisse sem se escutar. Como prever em qual lugar,incontrolável como o mar,recairia o surto canibal que se ouviu pulsar? Nesse jogo de sorte e azar,tecido com ardil no tearda imprecisão proposita

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    Poema #03: Oferenda

    Da onda ao pé da praia,recolho as relíquias do mar:sigilodeslumbrante encantopronúncia sincera de uma fé sem dogmas. Preservo meus amuletos.Quisera crer somente na forçadas águas que os trouxeram,banhados em luz e sal,sutil religação do corpo ao mistério. Algo estranho, porém, cortaminhas mãos, meus pés.Fio afiado de f

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    Poema #02: Último andar

    Inunda o céu a invasãodesse voo vadio sem asasde volteios fora do tempoa trapacear a vertigem. Fora de ordem e selvagenssão as aves que sequeras mais hábeis artimanhasmantiveram na gaiola. Em silêncio, em liberdadefuram a fila das nuvense enganam sombras e luzesno movimento sem freios. Ao redor do último andarvê o cami

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    Poema #01: Entrelinhas

    Repara a frente do verso.Gêmeas, capa e contracapadispensam qualquer remendo.Abrem-se livres, pois sãoasas de uma ave vadiaa desnortear perspectivas(no alto, embaixo, início, fim). Enumerar as palavrasno caderno é exercícioárduo de caligrafia.Um sem-número de imagenscolore o branco entre as linhas,promove encontros na

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