Poesias de 1 a 99

Poema #10: O voo do morcego

Solto em São Paulo, aonde iria?
Rompia a noite, não decidia.
Abria as asas: para onde ia?

Se fosse Batman, já saberia
qual o combate de cada esquina.
Mas nem pra Coringa prestaria.

Vampiro? Não, desmaiaria
à vista de sangue.
Dos predadores recusava
até a fantasia.

Ao encontro da rua,
sumiria.
De encontro ao muro,
desaparecer: será, seria?

Solto em São Paulo, sobrevoaria
avenidas edifícios várzeas varandas tabacarias
mercados de luxo
de porcarias
sobejas ninharias.

Aberto ao acaso,
negociaria com o tempo?
render-se: ia?

Embalado pelo eco incômodo,
cantaria, não cantaria
dançaria, não dançaria
as sirenes, dedilharia
o silêncio, ouviria.

Do presente, o futuro.
Do futuro, o passado.
Os tempos imperfeitos
impecavelmente alinhados.

Com ou sem condições,
fazer o que faria
em qualquer São Paulo.

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Felipe Duarte de Paula

Felipe Duarte de Paula nasceu em 1987. Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, é promotor de justiça, com atuação no enfrentamento à violência doméstica contra a mulher. Mora com a família em São Paulo. Publicou os livros de poemas Vida selvagem (2024) e Nós no céu (2026), ambos pela editora Patuá. Além disso, participou das obras coletivas Ministério Público e Literatura (MP/PA-CEAF, 2023) e Antologia de poesia latino-americana contemporânea (editora Peabiru, 2025). Tem poemas publicados em periódicos e sites como Revista Athena, Ruído Manifesto, Mirada Janela Cultural, Revista Mosaico Cultural II, Portal Crônicas Cariocas, Amaité poesia & cia, e Revista LiteraLivre.

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