Poesias de 1 a 99

Poema #92: Antônimo de Alegria

“quem vive como eu não morre:
acaba, murcha, desvegeta-se.”
Fernando Pessoa

No subterrâneo não adianta sorrir
Porque as nossas presas de marfim
Jamais verão a luz do dia ou o sol.

Eu estive nas cavernas por muitos anos
E durante todo esse período nunca recebi
Uma visita que não fosse trazendo a comida.

No isolamento não adianta existir
Porque os nossos sonhos dourados
Jamais saberão o que é reciprocidade.

Eu estive nas prisões por muito tempo
E durante todos esses anos nunca recebi
Uma notícia que não fosse de morte na família.

Na escuridão não adianta insistir
Porque os nossos olhos arregalados
Jamais avançarão além da cortina sem cor.

Eu estive nos cemitérios desde a adolescência
E durante toda a minha vida nunca recebi
Uma nota que não fosse de pesar e esquecimento.

O Jardim Simultâneo

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Milton Rezende

Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 23 de setembro de 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF, depois morou e trabalhou em Varginha (MG). Funcionário público aposentado, reside em Campinas (SP). Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados, quatro e-books e tem um blog e um site. Fortuna crítica: “Tempo de Poesia: Intertextualidade, heteronímia e inventário poético em Milton Rezende”, de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015). www.miltoncarlosrezende.com.br / estantedopoetaedoescritor.blogspot.com

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