
Poema #92: Antônimo de Alegria
“quem vive como eu não morre:
acaba, murcha, desvegeta-se.”
Fernando Pessoa
No subterrâneo não adianta sorrir
Porque as nossas presas de marfim
Jamais verão a luz do dia ou o sol.
Eu estive nas cavernas por muitos anos
E durante todo esse período nunca recebi
Uma visita que não fosse trazendo a comida.
No isolamento não adianta existir
Porque os nossos sonhos dourados
Jamais saberão o que é reciprocidade.
Eu estive nas prisões por muito tempo
E durante todos esses anos nunca recebi
Uma notícia que não fosse de morte na família.
Na escuridão não adianta insistir
Porque os nossos olhos arregalados
Jamais avançarão além da cortina sem cor.
Eu estive nos cemitérios desde a adolescência
E durante toda a minha vida nunca recebi
Uma nota que não fosse de pesar e esquecimento.
O Jardim Simultâneo























