Poesias de 1 a 99

Poema #13: Espelho à espreita

Confesso: cavalos me amedrontam.
Mas se deles sou chamado o amigo…
Hesito antes de estender a mão.
Crina, pescoço e olhos à carícia
curvados: só eu e meus animais.

Encontram no titubeio do pulso
perigo ao equilíbrio do trote.
São dóceis, porém, feitos da mansa
malícia das feras e dos poetas.
Desiguais entre si e entre nós.

Avulso, um toque desencadeia
pinote desvairado, que feito
dança, descreve no espaço curvas
inquietas sobre um eixo precário:
veloz revés na raiz do acidente.

Teia de enganos cuja extensão meço,
sujeito ao susto que o tombo trás.
Turvas claridades do infinito
imaginário: vê-las fascina,
oriente oculto, esquivo, sem lados.

Mostrar mais

Felipe Duarte de Paula

Felipe Duarte de Paula nasceu em 1987. Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, é promotor de justiça, com atuação no enfrentamento à violência doméstica contra a mulher. Mora com a família em São Paulo. Publicou os livros de poemas Vida selvagem (2024) e Nós no céu (2026), ambos pela editora Patuá. Além disso, participou das obras coletivas Ministério Público e Literatura (MP/PA-CEAF, 2023) e Antologia de poesia latino-americana contemporânea (editora Peabiru, 2025). Tem poemas publicados em periódicos e sites como Revista Athena, Ruído Manifesto, Mirada Janela Cultural, Revista Mosaico Cultural II, Portal Crônicas Cariocas, Amaité poesia & cia, e Revista LiteraLivre.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar