Poema #13: Espelho à espreita

  • Poema #13: Espelho à espreita

    Confesso: cavalos me amedrontam.
    Mas se deles sou chamado o amigo…
    Hesito antes de estender a mão.
    Crina, pescoço e olhos à carícia
    curvados: só eu e meus animais.

    Encontram no titubeio do pulso
    perigo ao equilíbrio do trote.
    São dóceis, porém, feitos da mansa
    malícia das feras e dos poetas.
    Desiguais entre si e entre nós.

    Avulso, um toque desencadeia
    pinote desvairado, que feito
    dança, descreve no espaço curvas
    inquietas sobre um eixo precário:
    veloz revés na raiz do acidente.

    Teia de enganos cuja extensão meço,
    sujeito ao susto que o tombo trás.
    Turvas claridades do infinito
    imaginário: vê-las fascina,
    oriente oculto, esquivo, sem lados.

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