Confesso: cavalos me amedrontam.
Mas se deles sou chamado o amigo…
Hesito antes de estender a mão.
Crina, pescoço e olhos à carícia
curvados: só eu e meus animais.
Encontram no titubeio do pulso
perigo ao equilíbrio do trote.
São dóceis, porém, feitos da mansa
malícia das feras e dos poetas.
Desiguais entre si e entre nós.
Avulso, um toque desencadeia
pinote desvairado, que feito
dança, descreve no espaço curvas
inquietas sobre um eixo precário:
veloz revés na raiz do acidente.
Teia de enganos cuja extensão meço,
sujeito ao susto que o tombo trás.
Turvas claridades do infinito
imaginário: vê-las fascina,
oriente oculto, esquivo, sem lados.