Crônicas
7 de junho de 2026
Manteiga ou margarina?
Sempre tive aversão a manteiga. Desde a infância aquele tablete meloso e gorduroso colocado em um recipiente de vidro com tampa, invariavelmente lambuzada porque essa criatura ia se espalhando pelos cantos, me dava engulhos. Para meu desespero ela ocupava lugar de honra na mesa do café da manhã e era compartilhada por
Sem categoria
7 de junho de 2026
ESTA HISTÓRIA NÃO É SOBRE PLANTAS
Quando o céu começou a clarear, levei para a varanda o último gole de leite de pistache e uma carta escrita vinte anos antes. Do outro lado da tela de proteção havia fios, pombos, prédios, um pouco de verde e um balão subindo devagar. Uma paisagem comum. Ainda assim, bonita. Durante anos me lembrei de um sonho contado
Crônicas
7 de junho de 2026
INVISÍVEIS
Karolayne, ou Lane para os mais chegados, leva uma vida normal. Mora sozinha, de aluguel, numa casa de vila. Uma sala apertada acoplada à cozinha e, no andar de cima, um quartinho com banheiro: “minha suíte”, como ela chama. Acorda cedo, por volta das cinco da manhã, com o despertador do celular. Não que precise, seu c
Crônicas
7 de junho de 2026
Um homem, um barco e um tempo
Havia um barco, um homem e um tempo. Um barco de madeira, pequeno e velho. Um homem cansado, derrotado e velho. Um tempo desgastado, encrustado e velho. A morte já era companheira do homem, o banco de areia, o destino do barco e os ponteiros quebrados o fim de um tempo. Mas, de repente… E as histórias são sempre cheias
Crônicas
6 de junho de 2026
O gordinho do STF
Quando Flávio Dino tomou posse como ministro do STF, o que nele se sobressaiu não foi o currículo, a trajetória política ou as ideias jurídicas. Foi o tamanho. Julgar os indivíduos pela primeira impressão é um defeito do ser humano, especialmente do brasileiro, que, com sua índole zombeteira, adora rotular os indivíduo
Contos
6 de junho de 2026
Amigos
Saí de casa por volta das 8 e meia da manhã como fazia todas as segundas, quartas e sextas, andei alguns passos e cheguei à praça. O jogo ainda não havia começado. Arnaldo, Alfredo e Ranulfo já estavam lá conversando sobre a vida alheia, um esporte praticado com afinco na nossa cidade. Aquelas reuniões com os amigos de
Crônicas
5 de junho de 2026
Noites frias
Adoro noites frias. Sentir aquele ar frio entrando pelos pulmões traz uma quietude, uma paz. É um convite à contemplação. Deixo a janela do meu quarto sempre aberta até a hora de dormir. Me cubro, cobertas pesadas imobilizantes e não deixo nem o nariz de fora. Ali imóvel meus pensamentos voam enquanto meu corpo segue i
Falou e Disse
5 de junho de 2026
A medida do viver
Há um ditado segundo o qual cada um morre do que vive. Quem é destemido e aventureiro corre o risco de morrer em uma de suas aventuras. Os que vivem no limite (físico, emocional ou intelectual) consomem a “reserva de vida” em nome da intensidade. Têm a morte como um risco calculado ou um subproduto da paixão. Ernest He
Contos
5 de junho de 2026
A Caruta
A velha Caruta acordou sobressaltada. Um desassossego lhe correu pela espinha, um arrepio de premonição de desgraças. Esfregou os olhos lambuzados de sono, destrancou a janela, abriu meia folha, xingando o gemido nos gonzos, e espiou o dia. Lusco-fusco, brisa morna, como se soprada pela lua sufocada no entremeio das ga




































































