Contos
    2 de junho de 2026

    Olhos de cobra

    Eu gosto de sair andando sem um rumo definido. Desde moleque assim. Lembro-me da felicidade que sentia ao perceber o dia chegando pelos vãos da janela, era como um chamado da liberdade me arrancando da cama de volta para o mundo que o sono da noite anterior havia me tirado a contragosto. Saía descalço, pisando a grama
    Poesias de 1 a 99
    1 de junho de 2026

    Poema #71: Tratado de Anatomia

    A anatomia dos carros na ruarevela a um homem que os vê(entre outras coisas)uma força neutra a interferire modificar a paisagem desoladade quem anteriormente os criou. A anatomia das mulheres(independente dos lugaresem que se encontram) remete-nosa uma forma viva de organização planejadaonde a beleza é fruto dela mesma
    Crônicas
    1 de junho de 2026

    Voraz

    Fico observando uma lagartixa colada no vidro da janela. Minha mãe diria que ela não tem modos! Arreganhada desse jeito, toda exposta. Minha filha se arrepiaria, sentiria medo, nojo. Não olharia. Eu a observo. Será que ela sabe que está assim tão exposta, tão vulnerável? A lagartixa, no entanto, tem os olhos fitos nos
    Contos
    1 de junho de 2026

    Pizza fria

    Zimi parecia debochar de tudo o que desprezava sem dizer uma palavra. Era algo em sua presença. Algo que se manifestava especialmente na inconveniência das filas. De mercado, de banco, qualquer uma. Ele estava com o título de eleitor cancelado por falta de uso, e dessa vez, a fila para regularizar o documento
    Crônicas
    31 de maio de 2026

    O homem que ouvia estrelas

    Pois só quem ama pode ter ouvidoCapaz de ouvir e de entender estrelas.— Olavo Bilac Havia um homem naquela cidade que buscava sempre os lugares mais altos e afastados. Depois de um dia cheio de trabalho, distrações e malcriações, ele subia morros, montanhas e prédios. Fosse onde fosse. Fosse como fosse… Depois de um te
    Crônicas
    31 de maio de 2026

    Eu não devia me chamar BETHÂNIA

    Meus pais me deram esse nome porque se conheceram no show da cantora num teatro na Lagoa. Engraçado que nem gosto assim dela. Talvez por ter ouvido tanto minha mãe cantar. Após a morte de meu pai, então, era quase todo dia. Da Bethânia eu só gostava de “Olhos nos Olhos” do Chico Buarque. Ficou impregnada em mim, uma es
    Crônicas
    31 de maio de 2026

    Ontológico, hedonismo e deletério

    Nem tudo está perdido em matéria de palavras. Esta semana, em diferentes textos, encontrei ontológico, hedonismo e deletério. Uma delas, não confesso qual, me obrigou a ir ao dicionário. Não eram textos de filosofia profunda, apareceram como se fossem palavras corriqueiras. Não são. O dicionário está cheio delas, a mai
    Crônicas
    30 de maio de 2026

    O ocaso do macho

    A onda de feminicídios e a misoginia escancarada nas redes sociais costumam ser atribuídas à ação de influenciadores da machosfera e aos algoritmos raivosos da extrema direita. A explicação procede, mas pode ser ampliada. Numa abordagem, digamos, ‘psicossocial’, diria que se trata de uma reação de desespero do macho da
    Crônicas
    30 de maio de 2026

    O que sei de futebol?

    De futebol mesmo, sei apenas que a bola é redonda e que, se ela entrar na trave do adversário, é gol. Agora, de Copa do Mundo eu sei. Sei muito. E sinto saudades; quantas saudades! A vida era coletiva, colorida, exibida, assumida e feliz. Muito feliz. A Copa do Mundo daqueles tempos era um acontecimento inigualável. Nã

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      Entrevistas
      16 de dezembro de 2024

      Entrevista com Angel Ferreira

      O monólogo Sidarta marca o primeiro projeto solo no teatro do ator e diretor Angel Ferreira. Desenvolvido ao longo de quatro anos, o espetáculo aborda temas existenciais, explorando a ambiguidade entre extremos como sagrado e profano, sucesso e fracasso, prazer e privação, solidão e pertencimento. Ambientada na Índia, durante a época do Buda h
      Entrevistas
      10 de dezembro de 2022

      A Paraíba no horizonte da poesia: uma entrevista com Lau Siqueira

      Lau Siqueira é um velho conhecido da poesia paraibana, da brasileira e deste portal. Gaúcho de nascimento, é, desde 1985, também um tanto paraibano. Nascido em Jaguarão, integra, como legítimo representante, o cenário da poesia paraibana. Entre outros livros, é autor de: O inventário do pêssego (2020), A memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza d
      Entrevistas
      10 de agosto de 2006

      Simplesmente Thogun!

      Morador da Zona Norte do Rio e boa-praça assumido, Thogun ganhou projeção nacional com o documentário Fala Tu (2003), de Guilherme Coelho e Nathaniel Leclery, que acompanhava o cotidiano de rappers cariocas em busca do sonho de viver da música. Ex-vendedor ambulante, dono de voz marcante e apaixonado por jornalismo, ele reconhece que o filme mudou sua trajet

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