Falou e Disse
    06.03.2026

    A bateria

    Semana passada a bateria do meu carro pifou. Como eu estava no subsolo de uma agência bancária, tive que ligar para o seguro a fim de solicitar um mecânico. Uns 30 minutos depois o rapaz veio, examinou o artefato avariado e o condenou. — Aqui só outra. — E agora? Onde posso mandar buscar uma? — O senhor liga para a loja Tal — e me passou o telefone. Quando eu lhe pedi uma sugestão de marca, ele me
    Crônicas
    06.03.2026

    Solidão nos olhos

    Saio de casa para me encontrar sozinho. Em meio a tantas pessoas, nenhum olhar se prende ao meu. Nenhum par de olhos me atrai. Uma nesga de rosto permitida pela máscara é insuficiente para perceber outra pessoa. Tenho dificuldade em interagir assim. Sem a máscara os olhos adquirem outra forma, outra capacidade de interação. Só os percebo em sua plenitude se consigo ver o conjunto do rosto. Acompan
    Contos
    06.03.2026

    O leito do hospital

    O leito do hospital era alto de muitos metros. Eu olhava o mundo de cima, com galhardia. Eu olhava o mundo como quem não olha. Eu não olhava o mundo: a vida passava. Era noite alta. O leito alto era um leito de muitos ruídos: motos, carros, ônibus, tratores, uma bomba atômica, meu Deus! Todos os barulhos do mundo chegavam ao meu leito. Era escuro. Eu estava alto, ouvindo todos os barulhos do mundo
    Crônicas
    05.03.2026

    Futuro do pretérito!

    As cores revelam significados marcantes e frequentes na demonstração de nossos atos, e alguns desejos mais enfáticos associam intensidade única para estruturar aquela manifestação ativa que transborda em um ato contra outro indivíduo, ou por vezes, a nós mesmos. Pode ser quando estamos à beira de um ataque de nervos, ou enchendo os olhos de lágrimas, e nossa solidão repudia qualquer um que queira
    Contos
    05.03.2026

    A loja de despedidas

    Na estação rodoviária da cidade, entre um quiosque que vende lembranças para turistas e uma lanchonete, há uma loja de despedidas. Ali, os viajantes solitários — aqueles seres que transitam de um lugar para outro sem que haja ninguém que se despeça deles — podem escolher a melhor forma de partir da cidade. Há despedidas para todos os gostos, ânimos e possibilidades financeiras. Os atores contratad
    Contos
    04.03.2026

    Consciência econômica

    Não tenho mais medo do futuro. Minha mulher sempre me falou para curtir o presente, que “a vida é o agora!”. Mas, filho de um pai escrupuloso, tive a tendência de seguir os seus passos seguros. Criado por ele, devia ter uma “consciência econômica” – esta frase ecoa ainda hoje – quanto aos gastos, inclusive com a alimentação. Não se podia tomar mais de dois copos de café por dia. Não se podia comer
    Cães & Pessoas
    04.03.2026

    Você sacrificaria o próprio cão por ele ser agressivo?

    Foi o que fez o ator americano Max Emerson, de 37 anos, ao autorizar a eutanásia de seu cão, Sarge, depois de ser mordido no rosto e precisar levar pontos. A decisão veio acompanhada de justificativas públicas no Instagram. Ele afirmou que já não havia como reverter o comportamento do animal e que, desde filhote, Sarge apresentava sinais de reatividade, sobretudo nas interações com outros cães. Di
    Poesias de 1 a 99
    03.03.2026

    Poema #58: Passagem das horas

    Fica de nós este resíduodo que ainda não fomos.Este abismo a se superare uma certa disponibilidade.Fica esta in/compreensão mútuae a dificuldade em se comunicar. Fica de nós este fragmentodo que ainda podemos ser.Este relacionamento a se elaborare uma parcela de interesse recíproco.Fica esta identificação de caráter simultâneoe o desejo de que tudo não se perca. Fica de nós este sentimento reticen
    Contos
    02.03.2026

    Beiça

    Beiça era o apelido de César Albuquerque Valladares.   Vestia-se como tivesse sido arrumado pela mãe para ir à escola, mesmo com quase cinquenta anos de idade, mas de sua boca qualquer narrativa sobre problemas do cotidiano ganhava uma dimensão épica e fazia quem estivesse por perto pensar e muitas vezes ter vergonha de si mesmo em algum aspecto. À primeira vista, parecia ter saído de um retr

    Arquivos

    • Crônicas

      Beijos

      Em Belo Horizonte, foliões reclamam: beija-se muito pouco no carnaval atual. Mulheres solteiras, gays, homens desempregados no “mapa da fome do amor” – todos declaram urgência no coração. Não dá para se iludir: você pode sambar

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    • Poesias de 1 a 99

      Poema #03: Em branco

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    • Crônicas

      De quando não havia intern

      Você sabia que já existiu uma vida completamente diferente da que temos hoje sem internet? Sim, conseguíamos viver sem internet! O telefone servia simplesmente para que pudéssemos falar com alguém! Falar de fato! Falar diretamente com algué

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    • Crônicas

      Pé ante [o sisal e a sombr

      Um vulto de cerca um metro e vinte e cinco se esquiva por trás da cadeira de balanço. Gabriel move um pé depois do outro, tentando elevar seu peso acima dos ombros. Primeiro, o indicador do pé esquerdo toca o assoalho de madeira, um marrom

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    • Crônicas

      Agora eu era herói

      Quando eu era criança, deixava-me levar pela fantasia de ser um super herói que tudo podia. Mas, ao contrário do Batman, não agia apenas no combate aos folclóricos criminosos de Gotham City. Minha área de atuação era mais abrangente. Ocupav

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    • Crônicas

      10 para 14

      Se você é um dos seis leitores que caridosamente escolhem ler o que eu escrevo às sextas-feiras aqui nesse nobre espaço saiba que, hoje, 27 de fevereiro de 2026, faltam 10 para 14. 10 dias para minhas filhas completarem 14 anos. (Suspiro, s

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    • Falou e Disse

      Lição

      Antes de sair, ouviu as recomendações da mulher: “Não beba muito, não se afaste dos amigos, não entre em bloco de mal-encarados… E sobretudo não se meta com nenhuma periguete” — arrematou ela com um sorriso entre malicioso e repreensi

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    • Contos

      Somos filhos da rua e da n

      O Zé Preto se acomodou, ajeitando o cobertor. O Espanhol deu um puxão: — Esse cobertor é meu. O Zé Preto empurrou o outro com a bunda. Riram. — Vai tomar no “cu” — um disse para o outro. E riram. Passou um carro numa poça e jogou água

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    • Contos

      O magro, o gordo e o miúdo

      Os três dividiam a cela. Um era alto, magro de olhos pequenos e negros, outro era gordo e de corpo nervoso, o terceiro era miúdo e de pouco espírito. Foram condenados à morte por um tribunal improvisado. Isso era tudo o que sabiam a respeit

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    • Crônicas

      Mais lúdicos e sutis!

      Na história do Reino Unido, a era vitoriana foi o período do reinado da Rainha Vitória, de Junho de 1837 até sua morte em Janeiro de 1901.  Aqueles foram árduos anos para o povo famélico que andava pelas ruas difíceis e vazias.  Muitos

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    • Contos

      Tempo não é dinheiro

      Mãe: “Meu filho, você está indo pra onde?” Filho: “Estou indo pra minha nova casa.” Mãe: “Você não tem outra casa! Largue de ser ridículo!” Filho: “Eu não tinha, mas agora eu tenho dezoito anos e terei. Vou morar com a minha tia.” Mãe: “Com

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    • Contos

      Enfim, Carnaval…

      Já sei bem que é Carnaval. Os sons da rua anunciam a jornada – repare que até os pássaros são proibidos de cantar, com a arruaça que se desorganiza pelo Centro da cidade. Ronaldo, meu vizinho, saiu cedo, às 5h, e me deu notas de como serão

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    • Crônicas

      Valeu, Mestre Ciça!

      João Pedro é um menino de 9 anos nascido na cidade de Niterói. Como todo garoto, costuma ocupar seu tempo fazendo coisas que outros de sua idade também fazem. Estuda, vai ao colégio, joga videogame, usa seu celular para ver o que acontece n

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    • Poesias de 1 a 99

      Poema #57: História Concis

      “Quando em meu peito rebentar-se aQue o espírito enlaça à dor vivente”.  Álvares de Azevedo(1831-1852) O poeta dobra a esquinacom uma sacola de plástico:pão, bife de hambúrguer e solidão.Não vale a pena chorar por ele:se fez as opções

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    • Crônicas

      In-cels ou In-hells?

      Numa conversa de bar, ouvi, na mesa ao lado, alguém chamar um colega de trabalho de “incel”. A palavra me chegou torta. Pensei ter escutado “in céu” — algo estrangeiro mal pronunciado, desses modismos que sobem à cabeça depois do segundo ch

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    • Crônicas

      Uma crônica fora da lata

      A polêmica no carnaval (entre tantas e recorrentes polêmicas de carnavais e redes sociais) tem a ver com uma lata. Mas não uma lata qualquer, uma lata física e, ao mesmo tempo, metafórica. Coisas de nossos tempos tão absurdos! Não vou expli

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    • Crônicas

      Boiar nas águas, atravessa

      Quantas vidas vivemos em uma vida – você, eu? Eu, por exemplo, não sou mais a mesma do casamento. Nem poderia ser. Seria falta de educação comigo mesma. Tampouco sou a mesma que realizou, ainda nova, seu sono de morar no exterior. Ou

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    • Sem categoria

      CRISES

      As crises são produtivas e mesmo desejáveis. Precisa-se delas para crescer. Isso é verdade tanto para a História quanto para os indivíduos. Historicamente, a períodos de crise sucedem outros de euforia e progresso (os pós-guerras atestam es

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    • Crônicas

      Rugas virtuais

      Nunca me preocupei com a velhice, embora não acredite naquele papo de melhor idade, isso eu sei que é balela. Como eu poderia viver a melhor fase da minha vida sem enxergar um palmo à frente do meu nariz e ainda por cima na companhia de ant

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    • Crônicas

      A madrinha

      Um estranho. Para as pessoas distraídas, apressadas, pensativas, envolvidas em seus pensamentos ou problemas, em que mudar a marcha do carro vem a ser um ato automático, o rapaz parado ali naquele cruzamento praticamente não existia ou era

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    • Crônicas

      Onde foi que erramos?

      Um grupo de renomados cientistas das mais variadas áreas uniu-se para criar o ‘relógio do juízo final’ (‘doomsday clock’), um instrumento que estima o tempo restante para o fim do mundo, a ocorrer à meia-noite em ponto. Como num conto de Ed

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    • Crônicas

      Ah! Se eu pudesse

      Sou um cara que desconhece muito de música. Em particular os novos nomes que têm surgido, seja aqui seja no exterior. Por que? Ah não sei, acho que me dá um pouco de preguiça acompanhar tendências, sabe? Por isso para mim foi uma surpresa e

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    • Crônicas

      CONFITEOR

      Hoje eu cheguei em casa, mais uma vez, com uma vontade doida de me matar. Somente é possível raciocinar com o fígado. É a história de Prometeu, e vem o abutre e lhe rói o fígado. Por isso o homem é o desgraçado que é. Não é dono do seu dest

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    • Contos

      Morrer pela segunda vez

      Orfeu chorou tudo o que pôde quando Eurídice desceu ao mundo dos mortos. Suas lágrimas encheram oceanos até seus olhos ficarem secos. Vendo que o pranto havia desaparecido, e como forma de manter viva a memória da esposa a quem amava sobre

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    • Crônicas

      Mirar no espelho!

      Possuo muitas bibliotecas perdidas em sonho, que descrevem experiências que vivi.  Não lembro de alguns detalhes saborosos de minha infância, mas recordo que meus pais me deram muito amor e carinho, e que eu gostaria de rever, trocar n

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    • Carnavais

      12ª Escola a Desfilar: Sal

      “Mestra, você me fez amar a festa / E eu virei carnavalesco / Sonhei ser Rosa / Te faço enredo’’. Enfim, chegamos à escola que será responsável por fechar os desfiles de 2026 na Sapucaí. A Acadêmicos do Salgueiro. Ela vem fazendo uma homena

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    • Carnavais

      11ª Escola a Desfilar: Gra

      ‘’Freire ensine um país analfabeto que não entendeu o manifesto da consciência social”. É com esse grande soco na cara que a Grande Rio inicia seu samba enredo fazendo alusão a um dos maiores intelectuais que esse país já teve. Paulo foi te

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    • Contos

      Fervor

      Não tinha nenhuma pretensão de me esquivar. Sou jogo aberto, embora um pouco carrancudo. Apesar da minha masculinidade exacerbada, dei total liberdade aos meus filhos. Paulinho era o único que não se abria muito. Vez ou outra, mesmo depois

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    • Carnavais

      10ª Escola a Desfilar: Vil

      “Meus sonhos e tambores, tintas e prazeres/ Pra você, Heitor”. É dessa forma que o potentíssimo refrão da Vila Isabel promete dedicar sua passagem pela Sapucaí ao seu homenageado. Segundo o próprio nome do enredo já fala “um sambista que so

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    • Poesias de 1 a 99

      Poema #56: Isolamento

      A lua na casa de saturnosaturno na casa da luatodo mundo em casa.A casa de todos no mundotodo mundo na casa detodo mundo e eu que nãoencontro o meu lugarem lugar nenhum,no escuro. O Jardim Simultâneo

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    • Contos

      A polícia do sonho

      Quando Zími entrou no apartamento, a tábua do piso fez barulho. A luz do quarto de Mila Cox acendeu, ela abriu a porta e falou: “O universitário quer fazer a entrevista com você. Certamente porque te considera um punk velho, cheio de

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    • Carnavais

      9ª Escola a Desfilar: Para

      “Ibarabô, agô lona/ Olukumí/ Iboru iboya ibosheshe/ Canta Tuiuti!”. Agô Ilé, início esse texto pedindo licença para comentar sobre o enredo da Paraiso da Tuiuti em 2026. Esses belos versos de um refrão em Iorubá que serão cantados pela esco

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    • Crônicas

      A cuíca, a ruivez e o smar

      Comprou um relógio para controlar seus batimentos cardíacos. Descobriu que, ao ter o combo de medições de oxigenação, estresse, sono e ciclo menstrual, tornava seu pulso um criador de conteúdo. Dados. Gráficos. Percentuais.O coração, finalm

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    • Carnavais

      8ª Escola a Desfilar: Unid

      “Meu quarto foi despejo de agonia / a palavra é arma contra a tirania’’. Essa frase do samba da Unidos da Tijuca revela muito bem como sua homenageada utilizou a palavra como uma arma denunciando as desigualdades brasileiras e dando voz a p

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    • Crônicas

      Pierrô e Colombina

      Aquela canção no rádio e os pés e as mãos que batem e se batem. Chão e mesa. Suor e serpentina. Confetes e alegrias. E o moço de pierrô olha para a moça de colombina. E se olham mais até o virar da esquina. Bom, o carnaval chegou e o ano, e

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    • Crônicas

      Poema #03: Habitar o inter

      “A tapeçaria é uma articulação singular entre linhas e vazios, flexibilidade e resistência, o que faz do tear a metáfora por excelência da criação narrativa: porque o ar circula entre os fios como o silêncio entre as palavras.” * Os emaranh

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    • Crônicas

      A solução vive nas cinzas

      A dúvida é mesmo a assombração da humanidade, o veneno do existir. Não importa a situação. Se nos deparamos com a necessidade de fazer uma escolha ou se somos tragados pela incerteza da continuidade de algo que nos é fundamental, vem a mald

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    • Crônicas

      Debaixo dos Caracóis dos S

      “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos, uma história pra contar de um mundo tão distante” (Roberto e Erasmo Carlos) Os saudosos anos 60, além de propiciar nova consciência, clamor pacifista e efervescência artística, colocaram nos moços lon

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    • Carnavais

      7ª Escola a Desfilar: Vira

      “Não esperamos a saudade pra cantar”. Essa frase do samba-enredo da Viradouro faz lembrar os versos da música de Nelson Cavaquinho “Quando me chamar saudade”. Nela, o poeta clama para que “flores” sejam conferidas em vida. Parece que a esco

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    • Crônicas

      Fantasia de Carnaval

      “Resort com all inclusive, garçons bronzeados, bíceps à mostra, tapa-olho de pirata, buffet internacional e drinks tropicais… Música dos carnavais antigos, marchinhas singelas ou picantes ressoando, sem atrapalhar a conversação… Praia

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    • Crônicas

      Alguém salve a Língua Port

      Queria falar de literatura. De literatura brasileira, especificamente. Gostaria, na verdade, de escrever sobre algumas das obras de Erico Verissimo, como O prisioneiro, que, por acaso, li os últimos capítulos hoje mesmo. E, preciso dizer, q

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    • Carnavais

      6ª Escola a Desfilar: G.R.

      “Deixa girar, que a rua virou Bembé/ Deixa girar que a rua virou Bembé”. Começo a escrever esse texto escutando a versão cantada pelo lendário Neguinho da Beija-Flor. Será que o primeiro ano sem ele vai gerar saudades? Pergunta retórica, nã

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    • Falou e Disse

      Carnaval e Solidão

      “Festa do pecado” – foi com esse tipo de rótulo que o Carnaval, desde cedo, apresentou-se à minha imaginação. Falava-se nele como “festa da carne”, alegria dos baixos instintos, frenesi do demo. Por isso eu sempre o recebi com uma ponta de

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    • Crônicas

      Ofensas mal disfarçadas

      Para viver em sociedade é preciso estar atento. Olhos bem abertos e ouvidos bem sintonizados. Por que existem várias maneiras de se ofender alguém sem usar palavreado de baixo calão. Por exemplo, atribuir à sorte as conquistas dos outros é

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    • Contos

      O Zé Vesgo

      O Zé roubou a Cida, só porque era vesgo o pai não permitia o casamento? Não foi por esse motivo, a Cida estava prometida a um outro – e promessa é dívida. No dia seguinte, ainda no orvalho da madrugada, escurinho, os dois irmãos bateram na

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    • Carnavais

      5ª Escola a Desfilar: Moci

      “Sou independente, fácil de amar/ livre de qualquer censura/ Vem, baila comigo/ Só de te olhar, posso imaginar loucura’’. É dessa forma, e de outras, que a Mocidade, na letra de seu samba enredo, apresenta sua homenageada. Nem é preciso per

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    • Crônicas

      Ato saudável

      Minha vida vai muito além das limitações do eu. Subir os degraus de qualquer monumento todas as manhãs, me traz a oportunidade de tudo ficar claro.  Seria bom passar esse brilho aos olhos dos outros. Está tudo incrivelmente bem, e agor

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    • Contos

      GUERNICA

      Um dia o azul desapareceu. Olhamos para o céu com cara de espanto. Alguém palpitou que uma tempestade se aproximava, mas aquele cinza parecido com aço sobre a cabeça de todos não tinha nada a ver com os temporais costumeiros do mês de abril

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    • Carnavais

      4ª Escola a Desfilar: G.R.

      “Çai Erê, Babalaô, Mestre Sacaca/ Te invoco do meio do mundo pra dentro da mata”. É dessa forma a Estação Primeira de Mangueira pretende fazer uma conexão Rio-Amapá fazendo com que o público do carnaval conheça as tradições desse Estado por

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    • Contos

      O peso da vida

      Tento não crer nessa tristeza que me abala. Já são muitos os motivos para sofrer. Tá pensando que é por coisas externas, como a falta de minha mãe? Não, absolutamente. Perdi-a, como perdi o meu pai, num acidente de trânsito, ainda na infânc

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    • Crônicas

      Gastando a Vida nos Bloqui

      Outro dia, me lembrei de uma frase que me caiu no colo de graça no Instagram. É de Mário de Andrade: “Viver é gastar a vida e não conservar a vida”. E eu penso: às vezes, a gente economiza tudo – até o que não era pra economizar

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    • Contos

      A dúvida é mais cruel que

      Zími acordou cedo e estava em bom estado. Trabalha em casa, assistindo antes ao noticiário da manhã, que lhe agrada por mostrar ao vivo as condições surreais do transporte público. Ele estava livre disso depois de anos, mas a forma com

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    • Poesias de 1 a 99

      Poema #55: Linguagem do es

      Agora que a luz se apagoue a solidão restabeleceu seu domínio,ouço com receio a linguagem do escuroque me des-norteia a vida. Nasci sob o signo da mortemas prefiro-a assim,conquistada aos poucos.Porção diária de venenoque injeto na raiz da

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    • Crônicas

      Nas alturas, um café com o

      Próximo ao céu, onde nenhum obstáculo além de uma escada de marinheiro me separa do Cristo Redentor, a certeza de que nada é estável me invade. A mutabilidade da paisagem, colorida a cada noite por nuances de distintos pigmentos primitivos

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    • Poesias de 1 a 99

      Poema #02: Sem alarde

      Não era o primeiro a chegartambém não era o últimoficava no meio. Lugar pouco disputado,onde ninguém posae quase ninguém repara. Enquanto alguns se apressavam em brilhare outros reclamavam da falta de luzele aguardava. Não parecia esperar n

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    • Poesias de 1 a 99

      Poema #15: Um Soneto da Lu

      Ainda que sejam versos pequenos…Uns simples versos que sejam ao menos,os ventos os empurrarão no tempoonde serão o eterno consentimento. Toda a lua brilha alta e resplandeceporque deseja muito o amor do mar.Acaricia um instante e depois ref

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    • Crônicas

      Super pobres

      Muito se fala dos super ricos, grupinho reduzido de privilegiados que amealham fortunas tão descomunais que fazem o Tio Patinhas parecer um pobretão. Erguem mansões em localidades diversas com dezenas de cômodos em mármore maciço e um séqui

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    • Crônicas

      Solidão x Solitude

      Costumamos dizer que seguimos com a mesma garra, a mesma força, a mesma independência, os mesmos “superpoderes”, embora já tenhamos atingido determinada idade. No fundo, porém, penso que isso talvez seja uma escolha. Optamos, de forma racio

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      Parada em ventania

      Aqui venta sempre desse jeito, sim senhor. Acho que é por isso que chamaram aqui de Ventania. Em Dois Córregos também venta muito. Foi a minha irmã, a Cida, que me contou. Não, eu não conheço lá. O senhor não está vendo as minhas pernas? Eu

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    • Falou e Disse

      Corrigindo o Carnaval

      Todos sabem o que é o “politicamente correto” – esse modo de pensar inclusivo, aberto às diferenças e inimigo dos preconceitos. Ele tem se estendido a vários aspectos da sociedade, mas estranhamente deixou de lado o Carnaval. Uma breve pesq

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    Contos

    • Contos

      O grande acontecimento

      Ele tinha se tornado a principal atração daquela cidade à beira do mar. Quem lá fosse certamente ouviria na volta: “E aí, foi ver o…? O que achou?”, “Me conte, como é o…?”, “Não me diga que não foi ver o…!”. Era quase uma

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    • Contos

      Matei

      Nada que pudesse dizer me livraria do pecado. Eu havia matado, ainda que por puro instinto e defesa. Naquela noite, eu lembro, estava afobado e cansado. Entrei em casa arrastando a bolsa do trabalho no chão. Havia brigado com o meu chefe Ro

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    • Contos

      Soberba

      No aniversário do vovô, a neta diz a ele: “Vovô, você foi chamado de soberbo pelo resto da família desde muito antes de eu saber o que isso queria dizer, mas tem sorte por já ter vivido bastante e não ter que se preocupar com o futuro, né?”

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      Nono marido

      A coisa mais triste do mundo era a vó Ana me fazer as tranças. Eu ficava com a cabeça cheia de caroços de tanto croque que tomava para ficar quieta. Mas todo mal tem o seu bem: a compensação era ouvir a vó Ana falar dos seus maridos. Estava

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      STRIPTEASE

      De longe só se vê que há luz no quarto, mas pouco se distingue o que acontece lá dentro. Com meu binóculo, escondido atrás da cortina no apartamento do prédio em frente, tenho visão privilegiada e posso ver tudo com detalhe. Posso vê-la tir

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      Moça em janela de hotel

      Olho pela janela: é o Rio de Janeiro nublado e muito frio. Oculto. Imenso. Quase irreal. Ouço em meu headphopne um dos CDs que ele me deixou. Agora, uma grupo sinfônico que toca música do Metallica. Músicas de vários estilos e artistas estã

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      A falta

      Na falta de Ana, me apeguei a Larissa. Não é que fosse um pai relapso, mas dei muita importância ao meu trabalho, e deixei a infância de minha filha de lado. Não sou também um pai muito amoroso, apesar de tentar. Minha filha sempre procura

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      Vilania

      Seus trabalhos remunerados os sustentavam e não eram tão degradantes. Mila Cox e Zími sabiam que a distância que mantinham do mainstream era de se esperar.  A repercussão que conquistaram resistindo, e às vezes  se arrastando no underground

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    • Contos

      A vó do menino

      A mãe precisa dormir no emprego, mas não pode deixar o menino sozinho em casa. – Sabe – ela diz – a minha casa foi da minha mãe, e antes foi da mãe dela. É da família, de geração em geração. Serve-nos uma xícara de café, e continua: – O men

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      Um pássaro

      Duvidou. Não era mais momento para dúvidas, estava já com uma perna sobre a mureta da ponte, mas duvidou mesmo assim. Viu o pássaro que, não fazia um minuto, pousara perto dele e o observava com os olhinhos apertados de ave. Pelo menos foi

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      Herança

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