Crônicas
16.05.2026
Cuidado, Dotô!
“É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar” (Geraldo Vandré) Seu dotô, me desculpe invadir assim seu sossego. Não se avexe com meu aspecto franzino e meu jeito simplório, dotô. Não vou assaltar, nem pedir esmola, só levar uma prosinha. O assunto é breve mas muito sério. Vejo pela sua roupa e sua aparênci
Contos
16.05.2026
A FUGA E A FESTA
Pensa bem, Marcelo, você acha que vale a pena? Você pode se arrepender. Acabar com tudo assim, por uma bobagem. Você precisa concordar comigo que se trata de uma bobagem, poderia ter acontecido com qualquer um. Me dá a impressão de que está procurando uma desculpa. Você sente prazer em me ver implorando. Eu não me impo
Crônicas
16.05.2026
Entre páginas e anos
Desde pequena, sempre gostei de escrever frases soltas, inspiradas ao olhar uma cena comum do cotidiano ou ideias que surgiam assim, sem aviso. Meus cadernos de escola não tinham páginas vazias. Eu fazia meus diários ou anotações onde houvesse um espacinho limpo. Ao final do ano, meu tesouro era guardado. Tudo preenchi
Crônicas
15.05.2026
O derradeiro encontro
A manhã começou triste para ele. Era o dia em que finalmente se encontraria com ela. Não seria um compromisso qualquer nem trivial, até porque demorara um pouco para conseguir marcar a data. A moça se mostrara relutante em ceder ao seu pedido até que pela constante insistência dele sua resistência foi vencida. Este ser
Falou e Disse
15.05.2026
Sem caminho
Num dos seus poemas, Manuel Bandeira fala dos suicidas que se matam sem explicação. Esses são os que mais impressionam. Esconder o motivo pelo qual se chega ao “gesto extremo” aumenta-lhe o enigma e a dramaticidade. Talvez seja a atitude mais coerente, pois não há por que justificar um ato que se explica por si mesmo.
Contos
15.05.2026
A metafísica do corpo
Não tenho papas na língua, falo palavras gordas de ouro ou bosta. Não quero brumas, essência incognoscível. Qual é a verdade? Quem sou eu? Que Deus, que sonho me move? Falo do que posso, a minha história é clara e suja como os olhos do homem. Vi claramente o mundo dos mortos. Voltei molhado do limo primitivo, trouxe a
Poesias de 1 a 99
14.05.2026
Poema #01: Espetáculo
na calçada dos meus olhosvocê passa um palavrão altosaina boca do becoda minha mente a ponta-metal do teu saltoarrebentao meu tímpano-peitonum som estridente e no meio do palcoperco todo o sentidofeito fã cego idolatrando artistaem seu show ao vivo
Crônicas
14.05.2026
Duas eternidades de escuridão
O mais belo dos arcanjos mostrou o risco da valorização da beleza, ao se tornar um ser que insistiu com a ideia do eu, em detrimento de nós, desenvolvendo a vaidade pela primeira vez. O nome dele é Lúcifer. Ao se olhar no espelho, se achou bonito, e como portador da Luz, se achou mais bonito que os outros. Sentindo-se
Contos
14.05.2026
A vida dos outros
Quando Januária, a empregada, entrou na sala e anunciou que a comida estava na mesa, ele, o vizinho do prédio em frente ao nosso, continuava na mesma posição e nada tinha mudado desde a manhã: só de cueca, sentado numa cadeira frente a um grande espelho, a arma apontada para o lado direito da cabeça. Não se decidia. Às




































































