Raul Tartarotti

Raul Tartarotti é Engenheiro Biomédico, cronista e mentor do portal www.espacodacultura.com.br, voltado a divulgação de textos de autores brasileiros. Coautor do livro "A voz dos novos tempos". Estudou filosofia clássica, contemporânea e literatura Russa. Suas crônicas têm cunho humanístico e abordam temas contemporâneos, e são publicadas em diversos sites culturais no Brasil e exterior.
  • Crônicas

    O Tempo Dobrado na Gaveta

    Tenho visitado a geriatria onde mamãe está passando uma temporada. A sala de visitas tem cheiro de álcool gel e saudade. As poltronas são de plástico lavável, cor de abóbora, uma delas é laranja, que tenta ser alegre mas não engana ninguém. Ali, todo final de semana os filhos se revezam na cadeira ao lado de outros ido

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  • Crônicas

    Poder desarmado

    Na esquina da minha memória, moram dois personagens. O primeiro é o Senhor da Chave. Um homem corpulento, de trajes impecáveis, que carrega no bolso do colete um único objeto: uma chave antiga, pesada, que não abre porta alguma que eu conheça. Ele a exibe não como quem abre, mas como quem pode abrir. Seu poder está no

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  • Crônicas

    No fim das contas

    Dizem que Clara tinha um termômetro dentro do peito. Não daqueles de mercúrio, prateados e precisos, mas um daqueles antigos, de líquido azul, que oscila com lentidão, sensível até à sombra de uma nuvem. Enquanto a cidade fervia em seus extremos, nas correrias matinais, ela se movia com uma cadência que parecia de outr

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  • Crônicas

    Regulação emocional

    Há um aquário dentro do meu peito. É uma caixa de vidro invisível onde as emoções nadam como peixes de cores e tamanhos diversos. Alguns pequenos e ágeis, prateados como a alegria de uma manhã de sol depois da chuva. Outros são lentos, escuros, quase como enguias que se escondem nas pedras, como a mágoa que insiste em

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  • Crônicas

    Dores inevitáveis

    A casa do senhor Elias cheira a livros velhos, café passado e madeira encerada. Nas paredes, não há quadros retos. Uma estante inclina-se para a esquerda, resultado de uma tentativa fracassada de montagem há quarenta anos. Ele a chama de “minha Torre de Pisa particular”. No centro da sala, sobre uma mesinha manchada de

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  • Crônicas

    Reflexo de si

    Ela o fez numa terça-feira comum, entre o primeiro e o segundo gole de café. Decidiu que tentaria encontrar a empatia. Não a palavra desgastada em discursos, não o conceito bonito das redes sociais. Mas a coisa viva, o fio de ouro que une as almas. A primeira tentativa foi com o barista. Enquanto ele entregava o copo,

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  • Crônicas

    Longe de ser triste

    O dia começa comum. Café passado, o jornal aberto na mesa da cozinha, o sol insistente atrás da cortina. É num intervalo banal, entre um gole e a leitura de uma manchete qualquer, que ela chega. Não é dor. É um silêncio que se instala no peito, um espaço quente e vazio que, paradoxalmente, se enche de uma presença. A s

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  • Crônicas

    Esquinas da alma

    A casa não é mais minha, mas a esquina sim. Não a esquina de concreto e calçada, mas aquela feita de tempo e memória, que se ergue no mesmo lugar, invisível a todos, menos a mim. Tudo começa no ponto exato onde o poste da luz, um pouco mais inclinado agora, desenha sua sombra alongada ao entardecer. Era ali que minha m

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  • Crônicas

    Duas eternidades de escuridão

    O mais belo dos arcanjos mostrou o risco da valorização da beleza, ao se tornar um ser que insistiu com a ideia do eu, em detrimento de nós, desenvolvendo a vaidade pela primeira vez. O nome dele é Lúcifer. Ao se olhar no espelho, se achou bonito, e como portador da Luz, se achou mais bonito que os outros. Sentindo-se

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  • Crônicas

    Um gênio e um louco

    Em 1879, o Professor James Murray candidatou-se para liderar a tarefa de elaborar o célebre Oxford Dictionary of English. Monstruosa empreitada que consistiu em colocar toda a língua inglesa em livros, bem como a etimologia das palavras e o sentido de cada termo. O filme “O Gênio e o Louco”, que foi aos cinemas em 2019

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  • Crônicas

    Lugar interno

    Há mendigos que não estendem a mão nas esquinas, nem carregam embrulhos com roupas sujas. Sua fome não é de pão, mas de palavras; sua sede é de olhares que os reconheçam. São os mendigos emocionais, aqueles que vagueiam pelos corredores das relações com uma tigela invisível, pedindo migalhas de afeto. Você os encontra

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  • Crônicas

    Tempo da mudança de atitude!

    Possuo muitas bibliotecas perdidas em sonhos, que descrevem experiências vividas. Não lembro de alguns detalhes saborosos de minha infância, mas recordo que meus pais me deram muito amor e carinho, que eu gostaria de rever em meus olhos, tocar novamente aquela risada longa e espontânea, recheada de sorriso e abraço. Qu

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  • Crônicas

    Um tom diferente na tinta da retina!

    No Renascimento foi inventada a sopa fortificante e restauradora, feita de carne de boi, carneiro e legumes, servida como refeição no século XVIII aos viajantes ou indivíduos extenuados, após um longo dia de trabalho.  Era servida nas estalagens, tabernas e hospedarias, e devido aos seus efeitos benéficos, ganhou o nom

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  • Crônicas

    Trama subjetiva nas mentes!

    O poder político mantém certas ideias para gerir uma nação, desenha caminhos fartos de opções no cotidiano do povo, que está à espera de sua colaboração e sustento.  O poder da biologia carrega em suas raízes a capacidade de escrever a data de seu velório.  O poder espiritual, sustenta a igreja com certas regras e

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  • Crônicas

    Ao final de tanto!

    No teatro Pantomima presenciamos uma apresentação onde metade do sentido da obra surge através dos gestos dos atores. A outra metade, você mesmo cria a seu prazer.  Em nossas mentes pode aparecer uma cena de horror quando os dias estão carregados, ou uma paisagem deslumbrante, sinônimo de como estamos de bem com a

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  • Crônicas

    A mágica aparece!

    Às vezes a vontade de desistir não é só uma ideia passageira, porque já acordamos cansados, sem saber o porquê. Tudo parece inútil e cada passo é arrastado, cada dia, um fardo. As pessoas falam, o mundo gira, mas dentro de você tudo está parado, escuro e frio. É como se ninguém visse, é como se ninguém soubesse que por

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  • Crônicas

    Avidez e honra no tempo!

    Em épocas muito passadas, os abastados entediados, não aproveitavam suas vidas ocas, por que não existiam ofertas de lazer e compras atraentes aos olhos exigentes dessas criaturas bem nutridas. A massa de gente, seguia rumos cotidianos sem graça no viver e rotineiramente contavam suas desventuras aos olhos de todos, qu

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    Futuro do pretérito!

    As cores revelam significados marcantes e frequentes na demonstração de nossos atos, e alguns desejos mais enfáticos associam intensidade única para estruturar aquela manifestação ativa que transborda em um ato contra outro indivíduo, ou por vezes, a nós mesmos. Pode ser quando estamos à beira de um ataque de nervos, o

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  • Crônicas

    Mais lúdicos e sutis!

    Na história do Reino Unido, a era vitoriana foi o período do reinado da Rainha Vitória, de Junho de 1837 até sua morte em Janeiro de 1901.  Aqueles foram árduos anos para o povo famélico que andava pelas ruas difíceis e vazias.  Muitos homens não tinham casa para dormir e se reuniam com outros, em espaços exíguos,

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  • Crônicas

    Mirar no espelho!

    Possuo muitas bibliotecas perdidas em sonho, que descrevem experiências que vivi.  Não lembro de alguns detalhes saborosos de minha infância, mas recordo que meus pais me deram muito amor e carinho, e que eu gostaria de rever, trocar novamente aquela risada longa e espontânea, recheada de sorriso e abraço. Quando

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  • Crônicas

    Ato saudável

    Minha vida vai muito além das limitações do eu. Subir os degraus de qualquer monumento todas as manhãs, me traz a oportunidade de tudo ficar claro.  Seria bom passar esse brilho aos olhos dos outros. Está tudo incrivelmente bem, e agora entendo que os limites entre ruídos e sons, são convenções, e todos estão à es

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  • Crônicas

    Capacitismo

    A discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência, são vistos como normais em sociedades desinformadas ou mal-intencionadas, e essas pessoas são entendidas como exceções; eles creem que a deficiência é algo a ser superado ou corrigido, se possível por intervenção médica. Um exemplo de postura

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  • Crônicas

    Trevas de nossas dúvidas!

    As coleiras com espinhos, consideradas um dos primeiros dispositivos de proteção para cães, foram criadas na Grécia antiga. Apesar de parecerem rudimentares pelos padrões atuais, essas coleiras cumpriram um papel essencial na segurança dos cães da época, especialmente contra uma das maiores ameaças: os lobos. Na Grécia

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  • Crônicas

    A verdade pela mentira!

    A composição de um mosaico de histórias, pode ser aprendido nas páginas de um livro bem narrado, que nos transporta ao momento da escrita do autor. Se o livro for mal-ajambrado, e não nos levar ao fundo dos sentimentos do personagem, fica difícil ser atraente para um leitor mais crítico, que busca temáticas diferentes,

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  • Crônicas

    O Último Azul

    Qual é o maior pecado que devemos temer em face de nossa caminhada escaldante, que por vezes é gélida de emoções?  A certeza. Essa é a grande inimiga da união entre os povos, e da tolerância que espreita nossos atos mais dignos.  Quando Jesus estava na cruz também não teve certezas, por volta das três da tard

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  • Crônicas

    Ponte emocional!

    Certa vez, um grande amigo do poeta Olavo Bilac queria muito vender uma propriedade rural, um sítio que lhe dava trabalho e despesas. Ele reclamava que era um homem sem sorte, pois, as suas propriedades davam-lhe muitas dores de cabeça e não valia a pena conservá-las. Pediu então ao amigo poeta para redigir o anúncio d

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  • Crônicas

    Seu próprio molde!

    A lagosta se esconde embaixo das pedras quando sua concha está apertada. Essa condição a provoca providenciar uma nova proteção, porque seu corpo cresceu. Nossas vidas apresentam situações de muito estresse e desconforto, e rapidamente buscamos um remédio ou conforto.  Mas, na verdade, esse momento tenso é uma tra

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  • Crônicas

    Nossa frágil condição humana!

    Histórias e piadas contadas por nossa família e amigos, invariavelmente nos fazem rir, mas se forem das boas. Observando no detalhe, elas contam histórias sobre o mal, ou de uma desgraça alheia.  A bondade não tem graça nenhuma, somente se ao final a história virar um desastre.  O filósofo francês Henri Bergs

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  • Crônicas

    Um tom diferente na tinta da retina

    No Renascimento foi inventada a sopa fortificante e restauradora, feita de carne de boi, carneiro e legumes, servida como refeição no século XVIII aos viajantes ou indivíduos extenuados, após um longo dia de trabalho.  Era servida nas estalagens, tabernas e hospedarias, e devido aos seus efeitos benéficos, ganhou

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