Crônicas

Aprendi a ser o máximo de mim mesmo!

Essas foram palavras deixadas por Nelson Rodrigues, um mago da literatura, escritor, jornalista, romancista, teatrólogo, contista e cronista de costumes, e de futebol brasileiro. É considerado o mais influente dramaturgo do Brasil. 

Além dessas palavras, acrescento outras que moldaram histórias por muitos.

A luta.

“Lutar foi sempre mais ou menos uma forma de cegueira, isto é diferente, farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que somos aqui, cegos, simplesmente cegos, sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos. Se pudesses ver o que eu sou obrigado a ver, quererias estar cego. Acredito, mas não preciso, cego já estou, perdoa-me, meu querido, se tu soubesses, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma”. (José Saramago).

O vazio que se foi não pode trazer saudade, deve se passar por lenda que um dia teve seu tempo frio e doído.

O que nos restou ao final, antes de um abraço apertado na despedida, foi um beijo na testa e uma mensagem inesquecível.  

As fotos.

Elas provam que nossas vidas aconteceram como queríamos, e que tudo está bem, e que foram o que tinham pra ser. Daqui pra frente, após o mar recuar, esperemos o próximo movimento, que nos dirá que jamais estivemos tão perto de casa, e de nós. Sempre sabemos em algum momento especial, que a dúvida é a profunda resposta que esperávamos, a certeza não agrada, pois é resolutiva e concreta, muito além de nossas vidas reais e unidas por um propósito. Respiramos juntos até nosso próximo passo. E quando a água retroceder, avistaremos um caminho para reconstruir nossas almas, que penam pela existência doída, mas persistem no entorno da esperança latente por melhores momentos.

O Tempo.

Não volta pra que você possa negar algo novamente, pois sempre que quiser ter e ser, a hora subverte sua decisão e te cobra que faças teu melhor.

Às vezes a paixão por alguém ou algo escapa de nossas mãos, e o fatal destino escrito em pedras amorosas quase sempre apaixonadas pela vida, retira momentos contraídos de um passado nobre, costurado em águas frias, aquecidas pelo sol, e movidas por nossa vaga lembrança, ressuscitada a cada amanhecer.

O tempo volta só no pensamento de quem deseja saudar o que já foi presente. Ele nos deixou assim escolhidos pelo que miramos a cada vão dia.

A lembrança.

É a que nos acompanha enquanto ainda possuímos lucidez, e nossos olhos passam a saber que um dia foram as câmeras daquelas fotos que o tempo lutou pra nos manter vivos, em cada esquina de dúvidas que ainda carregamos. Como é que faço pra parar, reeditar minha vida. Copiar, colar uma nova lista que eu mais gostei, com jovens ressalvas.

*Originalmente publicado em 20 de dez. de 2022, às 22:10

Raul Tartarotti

Raul Tartarotti é Engenheiro Biomédico, cronista e mentor do portal www.espacodacultura.com.br, voltado a divulgação de textos de autores brasileiros. Coautor do livro "A voz dos novos tempos". Estudou filosofia clássica, contemporânea e literatura Russa. Suas crônicas têm cunho humanístico e abordam temas contemporâneos, e são publicadas em diversos sites culturais no Brasil e exterior.

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