Coluna de Felipe Duarte de Paula

  • Poema #12: O sabor dos ventos

    nuvens cor de mar
    nelas posso navegar
    sem barco nem remo
    só com as mãos e a coragem

    quem cai, não se afoga
    quem se perde, não teme
    que nas águas desse lugar
    as ondas embalam sem engolir

    longe da praia, longe de lá
    mais perto do céu, onde eu quero estar
    brisa em que o corpo flutua, sem náusea,
    entregue, convicto, ao ritmo do ar

    nuvens cor de mar
    uma só não bastará
    num oceano de sentidos,
    quantos destinos pode
    um marinheiro encontrar?

  • Poema #11: Prato Frio

    amar-te até os dentes
    embora passado o instante da mordida
    fico de presente com a marca da ferida
    leva pro futuro tatuado meu gosto

  • Poema #09: Dominó

    Não escanda a minha fala.
    Escancarar uma tara
    nem sempre é um bom negócio.

    Esconda, miúdo, as manias que lhe movem.
    Um dia, quando nada sobrar,
    elas ainda farão o seu coração bater.

    É como diziam os romanos:
    tudo em latim.
    Ninguém entende, todo mundo concorda.

  • Poema #08: Contrato

    A palavra dada tem valor
    insuscetível de medir.
    Pode-se apenas estimar o peso
    na palma da mão estendida.

    O corpo intui o preço
    que o verbo não soube exprimir.
    Em troca, a renúncia ao troco
    abrevia o lapso do som ao silêncio.

    No mercado das promessas,
    a confiança é soberana.
    Mas às vezes, submissa,
    flerta com o charme do blefe.

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