Microcontos

Quando usou a inteligência artificial

Um microconto de terror

Tudo começou com uma consulta simples. Pediu uma informação banal! Um nome.

Depois, uma pesquisa sobre um país, sua bandeira, seus habitantes…

E assim foram outras pesquisas: comida, roupas, música…

Pedia informações sobre quase tudo. Não tinha mais o trabalho de pensar! Pensar? Dá muito trabalho! Pra que pensar?

E assim pedia, para todas as atividades do seu dia, uma ideia, uma orientação, uma resposta!

Vai chover hoje? Que roupa combina com esse evento assim?

Quem eu sou? O que eu sou? Humano? Coisa?

Até que, numa manhã qualquer, não sabia mais o próprio nome,

Não sabia do que gostava e do que não gostava. Não tinha qualquer pensamento sobre si mesmo!

Olhou para aquele rosto no espelho e não reconheceu traço algum do que via. Afinal, o que era?

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Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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