Crônicas

Domingos

Lembro-me de um tempo em que as pessoas aproveitavam a tarde de domingo para fazer visitas umas às outras. Era comum que minha mãe fizesse um bolo e o deixasse reservado para as tais visitas, que podiam ser de amigos, parentes ou comadres e compadres. Muita conversa e café com bolo.

A televisão ficava ligada no Silvio Santos, os adultos torcendo pelo número do seu carnê do Baú da Felicidade, enquanto nós, crianças, sonhávamos com os presentes do “Boa Noite, Cinderela!”.

Tudo acontecia ritualmente. A missa das dez, com a melhor roupa; o almoço com frango assado e Coca-Cola Família. O avô que sempre vinha “porvar” a comida, a Brahma na cabeceira da mesa, o pudim de leite de sobremesa.

Os visitantes sempre traziam seus filhos. Enquanto conversavam sobre o que não podíamos ouvir, brincávamos no quintal. No domingo seguinte, certamente retribuiríamos a visita ou iríamos à casa de alguém que estivesse acamado.

A noite levava todos para suas casas e trazia o Fantástico com suas bailarinas pintadas.

Na segunda, tinha escola e os legumes não vinham envolvidos em maionese. O suco de garrafa ou de pacotinho substituía o refrigerante e a cerveja. À mesa, a saudade do domingo, a rotina e a laranja como sobremesa.

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Valeria Soares

Valeria Soares é membro da Academia de Letras do Brasil -  nasceu e vive em Teresópolis- RJ. Formou-se em Letras - Língua Portuguesa e Literatura de Língua Portuguesa pela Universidade Gama Filho. Cursou MBA em gestão educacional e empreendedorismo pela Universidade Federal Fluminense. Professora desde 1986, atuou na rede privada e na rede pública municipal. Atualmente, é Diretora Geral do Colégio Estadual Euclydes da Cunha.

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