Crônicas

  • out- 2026 -
    7 outubro

    Um pequeno elogio à mentira

    Muitas são as facetas do comportamento humano que atraem os mais bisbilhoteiros como eu. Estudiosos dos mais diversos campos dedicam horas a fio para compreender as incríveis nuances de atitudes consideradas desviantes do padrão moralmente desejável. Seja por uma perspectiva sociológica, seja por uma abordagem psicológica, os desvios comportamentais são sempre vistos como uma transgressão de regras socialmente criadas. O que é visto como “normal” não apena

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  • 7 outubro

    Deus do Tempo

    Já parou e sentiu a sensação de que o tempo está passando depressa? Acordamos, fazemos nossas tarefas e, logo que nos damos conta, acabou. Parece que o dia não tem mais vinte e quatro horas, a semana, sete dias. Às vezes me pergunto: será que o tempo realmente está passando rápido demais ou eu que estou muito acelerado? Um dia desses chorava para não ficar na escola, ficava irritado com a hipótese de levantar da cama, tomar um banho gelado, colocar o farda

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  • 7 outubro

    A liturgia do indizível

    Há dias em que acordo acreditando que ainda caminho em direção a mim. Em outros, compreendo que não existe caminho algum. Existe apenas o intervalo entre um pensamento e outro, onde a escrita resolve acontecer. Não escrevo porque sei. Escrevo porque desconheço. O cigarro, quase sempre, anuncia esse instante. A fumaça sobe como se soubesse o percurso que eu jamais consegui aprender. Enquanto ela desaparece, alguma palavra decide permanecer. Há um ritual nis

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  • 6 outubro

    Derreta em nome de Deus, infeliz

    Bem que na hora em que abri a boca pra falar, alguma coisa me cutucou por trás, como se dissesse em meus ouvidos: “Não fala nada não, fica calado”. Mas não me contive quando vi o homem gordo vendendo saco de lixo e pano de chão ao meio-dia, o sol de trinta e oito à sombra estalando no crânio do sujeito e sendo rebatido ainda pior do que era pelo asfalto em uma esquina da Edgard Romero, ali naquele ponto de Madureira, onde, dizem, começou o aquecimento glob

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  • 5 outubro

    Domingos

    Lembro-me de um tempo em que as pessoas aproveitavam a tarde de domingo para fazer visitas umas às outras. Era comum que minha mãe fizesse um bolo e o deixasse reservado para as tais visitas, que podiam ser de amigos, parentes ou comadres e compadres. Muita conversa e café com bolo. A televisão ficava ligada no Silvio Santos, os adultos torcendo pelo número do seu carnê do Baú da Felicidade, enquanto nós, crianças, sonhávamos com os presentes do “Boa Noite

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  • 5 outubro

    Vovô

    Quem não teve um avô ou uma avó não sabe da alegria de conviver com alguém que olha para você com ternura e carinho, de um jeito diferente de pai e mãe. Meu avô paterno eu não conheci. Ele havia falecido quando eu tinha pouco mais de um ano de idade. O avô materno se chamava Sabino Muniz Fagundes. Nascido e criado na fronteira entre Brasil e Uruguai, era um sujeito pitoresco. Gostava de chimarrão, churrasco e uma boa leitura. Já aposentado, seu passatempo

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  • 4 outubro

    Por via das dúvidas

    Cândida precisava cortar o cabelo.O problema era: quando?Lua Crescente, para o cabelo crescer mais rápido.Lua Cheia, para ganhar volume.Lua Minguante, para cuidar da saúde dos fios. Entrou em crise.Não podia simplesmente cortar o cabelo. Era preciso escolher a lua certa. Foi então que se lembrou de mais uma coisa.A tinta.Queria mudar a cor.Lua Nova. Pronto. Agora só faltava descobrir em qual fase da Lua deveria viver.Finalmente escolheu o dia e saiu para o

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  • 4 outubro

    Frango à milanesa

    Assim resumo meu começo torto, na última sexta-feira como cidadã “cachambianse” — e que se retire solenemente quem, dada a época do ano e o gentílico recém-proclamado, aguardar daqui em diante jogos de palavras tendenciosos à política do botão verde de CONFIRMA. Não me demoro nessa competição de temporada que, de tanto disputar digitais alheias, fere o sentido amplo de seu propósito; aqui, a politicagem é outra… distribui santinhos da experiência de

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  • 4 outubro

    Uma vida normal

    Valéria gosta de Cat Stevens e Johnny Rivers, de ir ao cinema e de bife mal passado pingando sangue. Escondida de todos, costuma colocar açúcar no chão e vai esmagando as formigas que apareciam, uma a uma. Também se diverte arrancando folhas das árvores, plantas dos vasos, cortando com tesoura rabo de lagartixas e atirando pedra nos pombos. Valéria parece ter um comportamento estranho. Uma de suas maiores alegrias é a infelicidade alheia. Gosta de apontar

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  • 4 outubro

    Uma amiga

    Esta semana perdi uma amiga, uma daquelas que não passam despercebidas na multidão e por isso nos mostram aspectos da vida que não enxergamos sozinhos. Escrevo sobre ela para aliviar o luto porque, mesmo sabendo que ao longo da vida todos sofremos perdas, nunca estamos preparados para elas, ainda que anunciadas. Às vezes acho que a vida não passa de um jogo de soma zero: quem nos traz mais alegria é também quem nos traz mais tristeza ao partir. Multifaceta

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  • 2 outubro

    Ah, o charme

    Acho que não me expliquei direito. Não é que eu seja contra a beleza ou a considere efêmera. Mas só acho que ela não é fundamental. Tudo bem, eu sei que esse meu comentário faria o Vinicius de Moraes sair da tumba para puxar meu pé. Mas a vida tem dessas coisas e não expresso minha opinião levianamente. Sim, você não disse que eu faço isso, eu sei. Claro, vou esclarecer meu ponto de vista e se bobear você vai concordar comigo. Vamos lá. Considere assim, a

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  • 1 outubro

    Embriagada

    Em uma segunda-feira caótica, me deparei com um cenário incomum: estava eu, no balcão de um bar, pedindo uma taça de vinho. Reparei que, ao meu lado, estava um homem. Aparentava ter a minha idade, tinha o rosto ingênuo e bebia um drink. O início da conversa foi inevitável. Meu dia tinha sido tão difícil que conversar sobre qualquer banalidade era melhor do que nada. Depois de algumas taças, a conversa não queria ser terminada, e aquele homem, que agora já

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  • 1 outubro

    Sorôco, sua Mãe, sua Filha

    Nossa responsabilidade social e familiar, se mostra exigente sempre que respiramos, porque muitos aguardam a presença amorosa e atenciosa, junto a seus lamentos e fraquezas mundanas. Esse pensamento tão próprio de um significado profundo de amor a vida, é também voltado àquele que amamos, e que está bem ao nosso lado, e se enche de força e afeto quando o abraço afaga sua alma carente. Foi esse o espírito que motivou o comandante Górgidas, em 379 a.C., ao s

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  • set- 2026 -
    30 setembro

    Seu Gentil e sua necessária esperança

    Seu Gentil é um sujeito deveras singular. Desses que a gente admira e, ao mesmo tempo, desaprova. Persistente para alguns; teimoso para outros. Positivo para uns; lunático para tantos. Mas, para todos aqueles que o conhecem razoavelmente bem, uma figura que não passa despercebidamente. Dentre as suas características mais peculiares, o seu redentor otimismo é a que mais incomoda. Chamo sua positividade de “redentora”, pois ela transmite algo verdadeiramente

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  • 30 setembro

    Uma canção no fim da tarde

    Sou dos que ouvem mil vezes a mesma música. E quando engato uma reflexão, impressão ou divagação boba, ouço-a ainda mais para seguir conduzido pela melodia, pelo ritmo, pela letra ou por qualquer outra coisa que mantenha essa sintonia aberta, como se a própria logicidade dos meus pensamentos dependesse única e exclusivamente dela. Fruição estética, transe ou loucura, o nome não importa. A música, sim. Há nem trinta anos, eu sabia de cor a programação compl

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  • 29 setembro

    Nossa Senhora!

    Take second best / Put me to the test / Things on your chest / You need to confess / I will deliver / You know. I’m a forgiver – “Personal Jesus”, Depeche Mode (versão de Johnny Cash) Releio crônicas do autor Ivan Ângelo. Percebo o cronista da primeira metade do século, cuja prosa parece sair de uma conversa natural e observativa sobre os hábitos peculiares do brasileiro. O primeiro texto da coletânea da Global Editora é sobre a controvérsia dentre o

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  • 29 setembro

    O cupins

    Não existe cupim no singular, ou não deveria existir. Como o lápis, o vírus, o correto seria o cupins. Quem discorda deve provar que já viu algum dia um cupim sozinho. Não existe cupim sozinho, ao contrário, eles vivem às dezenas, centenas, milhares. Formam um exército – ou por outra, o cupim é esse exército – monolítico, uno, poderosíssimo e destrutivo como o de Átila, o rei dos também hunos, que por onde passava não deixava cupim, ou melhor,

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  • 28 setembro

    Cinderela

    — O que você achou? — Lindo! Nunca tinha visto igual. — Sério? — Sério! — Por quê? — Não sei… A transparência, talvez. — Você nunca teve um assim?! — Claro que não! Eles são raros. — Raros… — Raros! — Sei que existem diferentes, mas não pensei que fossem raros. — Pois são. — Você só gostou da transparência? — Não. Tem esse brilho intenso, ofuscante… Raro. — Ah! O brilho também é raro? — É. Muito! — Começo a achar que são os seus olhosR

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  • 27 setembro

    Quando o algoritmo falha

    Dizem que, com duas ou três perguntas certas, dá para entender quase qualquer pessoa.   E se bastasse uma? Numa conversa dessas que começam em qualquer assunto e terminam em nenhum, alguém lançou a pergunta: — Você é mais gato ou cachorro? A mesa se dividiu rápido. Teve quem respondeu sem pensar, quase ofendido com a dúvida. Teve quem hesitou, como se estivesse prestes a revelar um traço de caráter. Achei curioso. Porque, no fundo, ninguém ali falou de bic

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  • 27 setembro

    Crônica de fim de tarde de uma Segunda, Terça ou Quarta-feira

    A esperança é uma droga alucinógena. Tal frase causou impacto repentino, travando o movimento corriqueiro do dedo sobre a tela brilhante. “Era isso, muito provavelmente”. Não tinha experiência anterior com drogas, não sabia que a esperança poderia ser vista assim: alucinógena. E era. Era o que ela pressupunha a partir do que sentia: esperava ventos na direção oposta, um misto de fé na natureza e também nas cartas do tarô da esposa do seu Ercíli

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  • 26 setembro

    “Coisa teimosa”

    O falo é uma coisa teimosa! Esse valente que desaba de um desfiladeiro de significados, exigindo da sua plateia coro, palmas e repetição. Com um sorriso maroto no canto de lábios cascudos, como um menino perverso que tem pavor da castração, arranca o véu na sua cena infantil. O falo é uma coisa teimosa! Na sua lógica de ter ou não ter, expõe a sua fragilidade. Na demanda desenfreada de amor, exibe envergonhado, o excesso de desamparo. Com pavor do desconhe

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  • 26 setembro

    Livros

    — A senhora gosta de ler? — Muito. Leio desde menina. — Que bom! Alonguei o olhar, curiosa para descobrir o que ela lia. Talvez pela aparência de vovó das antigas, meus pensamentos fizeram o caminho mais curto: imaginei uma Bíblia. De capa dura, páginas de papel quase transparentes, letras miudinhas, paginação discreta. Um livro que claramente , eu entendi de formato impróprio para olhos já cansados. Enganei-me. Era um livro. E não desses atuais, modernos.

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  • 26 setembro

    HAPPY END

    Filmes com finais felizes, além de nos inundar a alma com uma sensação boa, fazem-nos acreditar que existe uma lógica subjacente à ordem das coisas, na qual a bondade sempre prevalece e os ruins serão punidos. Tais enredos, salpicados de tragédias transitórias, sofrem invariavelmente reviravoltas, até que o glorioso desfecho traga paz a nosso coração. Depois de duas horas de angústia cinematográfica, o alívio compensa a amargura. Podemos, então, dormir o s

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  • 25 setembro

    O nome dele é Cookie

    O nome dele é Cookie. Abri a porta e ele entrou puxando uma das minhas filhas. É um cachorro vira-lata. Mas com todas as vacinas, banho tomado e bem cheiroso, assim me asseguraram. Pus meu nariz longe do seu pêlo curto sem qualquer vontade de tirar a prova se ele é mesmo esse modelo de asseio. Sou alérgico a pelo de cachorro, gato, cavalo, anta, leão, vaca e por aí afora. Meu nariz entope, tusso como se fosse cuspir os pulmões, o ar me foge e meus olhos la

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  • 24 setembro

    Horas depois

    Todo dia, que já é diferente dos demais, pego meu caderno de rascunhos, uma caneta que não arranha o papel, e desço para escrever no banco da praça. Como faziam os poetas antigos, aqueles que tinham o privilégio do tédio e da contemplação, com bem mais competência que eu. Perco mais tempo para escolher a camisa e a calça para sair do que para escrever. Porque quando estamos em frente ao espelho, inicia um embate na busca do contentamento. É a falta de paz

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  • 23 setembro

    A sorte está lançada

    Em tempos de inteligência artificial, nada mais parece escapar dos famigerados algoritmos. Se curto um post aleatório ou compro um hambúrguer, se sofro de enxaqueca ou pego um empréstimo… Pouco importa! Meus dados estão aí, prontos para serem coletados, armazenados e monetizados. Se eles retratam nossos comportamentos, que tal surrupiar nossas identidades e torná-las rentáveis? Fico horas a fio navegando pelas redes sociais. São tantos os meus perfis

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  • 22 setembro

    O Filósofo da Vila Kennedy

    Duas moças vestidas de recepcionista chegam e pegam a mesa que fica bem na porta do bar do Taiguara. Sentando-se ali, talvez queiram, não posso dizer, conferir quem entra e quem sai. Pedem uma cerveja e dois copos. É fim de tarde de uma sexta-feira, é fim de expediente, todo mundo ali precisa despressurizar. Trocam meia dúzia de palavras, se tanto, e antes que o garçom traga o pedido, mergulham no mundo paralelo dos celulares. Com os olhos agarrados às tel

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  • 21 setembro

    F5

    — E se o sapatinho não couber? — Como assim? Não é seu? — É. — Então? — O meu pé mudou. — Mudou? — Não sou mais a mesma. — Hã. — Meus pés às vezes incham. — rsrs — E o vestido? Você pode usar o vestido! — Será?1q — Claro! — ihh! Engordei… — A tiara! Use a tiara! — Tem um problema. De lá pra cá, meus cabelos diminuíram… Não vai ficar legal. — Caramba! — O que eu faço? — Não sei. Não tem mais nada igual? — Igual? — Igual ao que você era naquele t

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  • 21 setembro

    A Bergamoteira

    Era a estação do frio, do vento e das chuvas no ano de 2024. Dona Clair já morava havia algum tempo num residencial para idosos na cidade de Tramandaí. Ela era uma senhora jovial, na casa dos oitenta anos e gozava de uma saúde invejável para sua idade. Uma mulher muito disposta, sempre pronta para auxiliar os amigos nas mais diversas tarefas, das mais simples até as mais complexas. Por sua excelente capacidade física, tinha como costume trabalhar no jardim

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  • 20 setembro

    Com qual “provante” ficar?

    Eu me apaixonei por um sapato. Na verdade, por dois; ainda não sei com qual deles ficar. De um lado, um exemplar — par só depois de escolhido; antes disso, convenhamos, é pretendente. Honestamente, nem isso; ficante tampouco: apenas um provante — atrevidamente decidido: em pelo preto, bolinhas brancas disformes, salto alto e grosso, ponta quadrada vermelha. Vermelha mesmo. A irregularidade do branco ainda ensaia alguma compostura, categoricamente desmentid

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