Crônicas

  • set- 2026 -
    17 setembro

    Fazer tudo

    Eram catorze itens, dos quais eu já estava atrasado em três deles na minha lista, mesmo antes de escovar os dentes. Foi então que me lembrei de Sêneca, o velho romano que, há dois mil anos, já sabia que a nossa maior ilusão é achar que vamos viver para sempre. Sêneca não tinha WhatsApp, não precisava acumular pontos em programa de milhagem, não sofreu de ansiedade para escolher um filme no streaming. Mas, curiosamente, sabia tudo sobre a agitação inútil qu

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  • 17 setembro

    Os pragmáticos

    Os pragmáticos saíram às ruas proclamando seus interesses. Eles não acreditavam no amor e diziam, gritavam a nós, que amar era um pecado capital. E aqueles que formassem resistência seriam punidos com a mais severa das penas: padeceriam de amor pelo resto da vida. Viveriam com suas mentes doentes, pois de amor não se morre, mas se chega quase lá. Eu não pude deixar de me tornar resistência. Todos os dias, eles chegavam em nossas ruas, despertavam-nos dos m

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  • 16 setembro

    Os famosos doces de Pelotas

    Dizem os entendidos no assunto que não conseguimos recordar lembranças de nossa primeira infância por conta de uma tal amnésia infantil. Por razões que escapam de minha leiga compreensão, nossas recordações mais antigas não passam, muitas vezes, de fragmentos dispersos entre sensações, odores, sons e gostos desconexos. Mas daqueles doces eu me lembro muito bem… Talvez por eu ter, àquela época, cerca de 11 anos e estar, portanto, numa idade um pouquin

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  • 15 setembro

    O agridoce amanhã

    I’ve been livin’ for the moment /But I just can’t have my way / And I’m afraid to go to sleep / ‘Cause tomorrow is today – “Tomorrow is today”, Billy Joel Há um livro e um filme chamados “O doce amanhã”. Escrito por Russell Banks, trata-se de uma cidade que lida com o luto após todas as crianças serem mortas devido a um acidente de ônibus. Vale a recomendação. Eu me recordei disso enquanto escrevo essa crônica inspirada por um

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  • 15 setembro

    A inveja de cada dia nos dai hoje

    Herdeiros. Gente que tem casa própria. Gente com família presente e, sobretudo, acolhedora e que sempre a respeitaram. Gente que se formou antes dos 25. Gente que come de tudo e não engorda. Gente que pode viajar, mesmo que seja uma vez ao ano. Gente que tem carreira acadêmica, doutorado aos 30. Gente que sabe falar outros idiomas bem e não tem medo ou vergonha de errar. Veja bem: inveja não é ódio. É aquilo que eu gostaria de ter e não tenho; é algo para

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  • 15 setembro

    Ninguém dirige melhor que o Carlito

    O Carlito é motorista de tudo, tem CNH categoria C, coisa de que muito se orgulha, e que o permite dirigir qualquer veículo: até colhedeira de soja, até empilhadeira de aeroporto, ele diz.     No primeiro emprego dirigia um treminhão, que jurava chamar-se assim porque era esse o preço do veículo: treminhão de real! Acreditava ainda que se o patrão tinha esse dinheiro pra pagar pelo caminhão era porque era mais que rico, havia de ser miliardá

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  • 14 setembro

    Taciturna

    A escuridão a excitava. Gostava das sombras e de imaginar monstros sob a silhueta da lua. Não tinha medo. Nunca teve. Conversava por horas com figuras imaginárias, criadas pelo jogo de luzes e sombras no jardim. Se havia névoa, melhor! Tudo parecia mais misterioso. Seu coração, então, disparava. Era tanto para imaginar! Cresceu assim: apegada à solidão. Amiga das fases lunares. Brincando de esconde-esconde com a neblina. Contando segredos às formas sombria

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  • 13 setembro

    Manta, pipoca e duas em uma

    Me dói. Um sofá cinza acolhe um corpo enrolado em uma manta pequena. Uma almofada faz as vezes de travesseiro. O ambiente é iluminado pelos feixes de luz que mudam constantemente de intensidade e cor, vindos da tela de grandes proporções, onde a Netflix permanece em pausa, e pela abertura mínima da cortina da varanda — mantida assim para que a planta ali postada, de sentinela, possa respirar. Certas dores dispensam gramática; já chegam sabendo ser substant

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  • 13 setembro

    Vai que…

    Severo olhou para a gaveta. Tentou desviar o olhar, mas viu a gaveta sacudir, tentando cuspir seu conteúdo. Piscou três vezes, tipo superstição das três ondinhas da sorte na passagem do ano. Mas o recado estava dado – de hoje não passaria a tarefa que vinha procrastinando – enfrentar os cabos. Imbuído do seu melhor espírito esportivo, arregaçou as mangas. Colocou uma lixeira ao lado da gaveta. (otimista.) Puxou o trinco. Ela, desacostumada a se expor dessa

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  • 13 setembro

    Os influenciadores

    Quem influencia você? Essa pergunta, feita há uns vinte ou trinta anos, teria como resposta muitas pessoas: pais, professores, escritores, jornalistas, grandes ícones da música e da atuação, enfim, homens e mulheres que tinham algo a dizer. E diziam! Hoje, essa mesma pergunta oferece como resposta as redes sociais. Geralmente, toda regra tem a sua exceção, as pessoas que influenciam não têm nada a dizer. Mas dizem! Eis o problema! Este o grande drama da so

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  • 11 setembro

    O limbo da dúvida

    Nada mais shakespeareano que estar diante de uma encruzilhada. Ter que decidir para onde ir, o que fazer. Sem verborragia, sem teorias ou viagens intelectuais. Tudo resumido na questão mais famosa da humanidade: ser ou não ser. Escolher o caminho que leva a ser, evitando onde não seremos. Aparentemente simples mas verdadeiramente muito complexo. Não somos e queremos ser ou somos mas queremos ser diferentes? Onde seremos e onde não seremos? No lugar onde nã

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  • 10 setembro

    A riqueza fez suas vítimas!

    Quantos anos são necessários para reconstruir um belo e charmoso instante, que nos fez bem há muito tempo?  É uma tentativa lúdica Impossível de ser documentada, porque somente o tempo decanta o passado, glorioso e fértil, e que esteve às margens de nossas ideias e esperanças.  Muitos desses eventos se tornaram a natureza de novos rumos prósperos e saborosos, outros nem tanto, pois muitas cortinas se fecharam com tristeza e medo, de que retornass

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  • 8 setembro

    A loja

    “Ainda existe a Lobrás?” “O que é Lobrás?”. O outro, mais novo, não sabia do que se tratava. “Lojas Brasileiras” “Existem as Americanas, ainda, apesar dos balanços Mandrake”. “Eram concorrentes”. Aí o mais novo se ligou no que se tratava. “Ah, agora eu meu lembro. Eu era bem pequeno, passava de ônibus aqui com a minha mãe e via o letreiro da janela”. E foi exatamente por causa disso que a memória do mais velho foi buscar lá no fundo a lembrança de uma marc

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  • 7 setembro

    Sincronia

    As mãos ágeis dão forma a mais uma encomenda. Tecem em lã o desejo de alguém, na velocidade do som. A mulher de um metro e meio, se tanto, observa os carros passando a vinte quilômetros por hora e a vizinha no tanque. Conversam. Enredam dúvidas e certezas; criam histórias da vida alheia, sem nenhum pudor. Parecem amigas e são, até que deem as costas uma à outra. O ruído do motor na tarde. As mulheres que chegam e saem. O molde sobre a mesa. A almofada de a

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  • 6 setembro

    Íris

    “Às vezes, Deus não muda o cenário. Ele muda você…” Era domingo, chovia, e fazia aquela temperatura imprevisível de fim de inverno – “esse tempo bipolar..!”  (diria sua mãe). Com um guarda-chuva transparente sobre a cabeça, Íris leu a frase no muro da rua nove com a rua dois. Era a quarta cidade diferente, temporariamente sua, dentro de todo um ano. Um ano não exatamente de calendário; setembro ainda nem havia terminado. Era outra contagem. A de

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  • 6 setembro

    Rebeldias do mundo

    Já repararam como o cotidiano doméstico muitas vezes conspira contra? Já mudei várias vezes de casa, cozinhas planejadas diferentes, mas não adianta: a água da torneira que espirra na pia sempre corre para o canto oposto do ralo. A gente tenta educá-la com aquele rodinho, mas ela faz ouvidos de mercador. E quando abrimos a gaveta onde guardamos fios de celular, fones de ouvido, tudo separadinho? Eles se embolam sozinhos, como se tivessem vida íntima. Isso

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  • 5 setembro

    A Bola de Neve e seus encantos

    — Mãe, abre o portão. É a Bárbara. Ela vem me ver às quintas-feiras. — Ué, você mudou os móveis? — Como? — A mesinha de café, aquele canto ali… Da última vez que estive aqui, não tinha! Andou garimpando, né? Já te falei: você não deve mais sair sozinha. Bom… tomei um pito. Mas vou guardar esse assunto para outro dia. — Falando nisso, filha, faz dois cafés. Mesmo estando calor, eu tomo meu café nesse horário. É costume. — Mas aí tem tomada elétrica? — Coloq

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  • 5 setembro

    “Zerou” a vida?

    Não. Zerar não é empatar. Quando chegamos ao fim da nossa capacidade de contagem, zeramos o jogo. “Zerar a vida” é a vanglória de um feito mágico e grandioso, uma experiência inacreditável! O ideal de fazer algo extraordinário, como se tivesse vencido o último e mais poderoso oponente e batido a meta máxima do game. O feed desliza repetidamente, sem pausa, sem ponto final. A moça radiante dança diante de um palco imenso e resplandecente debruçado sobre a p

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  • 5 setembro

    Maldito Ipê Amerelo

    Dia desses, acordei desagradavelmente surpreendido, ao avistar pela janela um objeto estranho sublevar-se na paisagem urbana a que estou habituado a contemplar pelas manhãs. Em meio à monocórdica retitude dos edifícios cheios de sacadas, num cenário perfeitamente simétrico, ornado com veículos, postes, bueiros, muros, grades, fios elétricos, guindastes, betoneiras, tapumes, andaimes e fumaça, eis que se sobressai ao pálido grafite, uma intrusa árvore carre

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  • 4 setembro

    A bela da porta

    Era assim. Durante a semana eu caminhava logo cedo para o colégio Santo Agostinho. Percorria uns quatro quarteirões de onde eu morava na época, no Leblon. Era no século passado, entende, então eu, como todos os demais garotos de 12 anos, levava uma bolsa a tiracolo com livros e cadernos, pendurada em um dos ombros, que àquela hora pesava uma tonelada. Bem diferente de hoje quando só se vê para cima e para baixo malinhas de escola com rodinhas. Ao que parec

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  • 3 setembro

    Loteria Sagrada

    No fastiar dos dias, nos cruzam rotinas que trazem novas oportunidades, e outras que quase não tentamos tocar. Simplesmente porque escolhemos a que nos arrefece o caminhar, como um templo de braços abertos, com ofertas a seu critério. “Estamos procurando fora de nós por força e confiança, mas elas vem de dentro, e estão lá o tempo todo” (Anna Freud). Um desses templos com múltiplas ofertas, é o “Omikuji”, construído em Tóquio, na ár

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  • 3 setembro

    Cinzas

    Como um anjo caído, eu virei cinzas, me dispersando por cada lugar que passei. Gritei aos céus para que me recebessem de volta, enquanto bebia minha dor. Nenhuma luta para me levar ao cosmos foi suficiente, somente muito sangue foi derramado. Era a batalha interminável das duas coisas que me sobraram: a busca pela indiferença dos sentimentos, como uma boa estoica, e a hedonista que tentava sobreviver. Enquanto anjo caído, espalhei a dor que queimava como o

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  • 2 setembro

    O velho saudosismo de todos nós

    Por alguma razão que desafia meus parcos conhecimentos, todos nós somos mais ou menos saudosistas. Com isso, não quero dizer que estejamos, naturalmente, inclinados a um pungente estado de melancolia. Talvez o caso requeira alguns cuidados, mas não chega ao absurdo de tal fatalismo. De toda forma, creio que o passado seja um personagem que insiste em ser valorizado, mesmo quando seus atributos só podem ser, medianamente, apreciados. — Bom mesmo era no temp

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  • 2 setembro

    Um beijo ardente

    O empresário e a jovem secretária amante beijam-se ardentemente no quarto de luxo de um hotel evidentemente de luxo também.  Findo o beijo, ele leva as mãos à boca, sentindo algo estranho. Que foi, ela diz, não gostou? Ele corre pro banheiro, olha-se no espelho, abre a boca e lá está: um vão, uma janela, onde deveria estar um dente, um pré-molar tipo ostentação, de ouro 24k!  Assustado, sempre protegendo a boca, corre de volta pro quarto, ab

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  • ago- 2026 -
    31 agosto

    Retrato

    De Pipa para Pernambuco, pela estreita estrada, seguimos. Nada no peito, a não ser a batida do novo. Um beat surdo que ecoa, único, em cada ouvido. Seguimos. Somos expectativa e viagem. Os olhos decifram a paisagem: o pequeno cemitério cheio de árvores floridas e um homem só, que olha o túmulo de alguém que, pela primeira vez, está só. O caminho não é este, mas termina no encontro do rio com o mar. Beleza pura. Voltamos à estrada desejada, à experiência pl

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  • 30 agosto

    E Ainda é Agosto

    “É 29 de agosto. Em 48 horas, sua vida mudará para sempre.” Mais uma vez estava eu vidrada diante da tela. O dia era 29 de agosto, ontem, como foi no ano passado e no ano antes dele. A melodia inebriante preenchia os vazios que o ar-condicionado a 21ºC fazia flutuar no quarto hermético do Cachambi: O som avança em pequenos impulsos, como passos curtos e apressados que de repente… desaceleram. Expande e…. recolhe. O acordeão dá a sensação de ar

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  • 30 agosto

    A arte de pensar com as mãos ocupadas

    Desde pequena desenvolvi uma habilidade peculiar: só penso direito quando minhas mãos estão ocupadas. Dê-me um novelo de lã e duas agulhas e, pronto, minhas ideias começam a trabalhar — às vezes até antes de mim. Sempre achei que esse hábito era apenas um jeito de evitar a ociosidade manual, uma espécie de TOC artesanal. Até perceber que havia ali um mecanismo mais profundo, quase científico, embora absolutamente nada acadêmico. Foi observando uma laçada s

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  • 27 agosto

    Em algum lugar

    Passei boa parte da vida correndo atrás de muita coisa, bufando como todos aqueles que chegam numa plataforma de trem, atrasados, na busca do encontro com a felicidade. Até que um dia, parei na esquina da minha rua, para conversar com seu Almeida, o jornaleiro. Ele não é daqueles que só empurram jornal com café requentado, com um pão de queijo de ontem. Ele lê cada notícia, comenta o tempo, pergunta do cachorro da gente, e guarda um doce para as crianças d

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  • 26 agosto

    O que te mantém vivo?

    Uma ideologia política, uma crença religiosa, uma visão de mundo ou um passatempo qualquer. A ambição por riqueza, a busca de reconhecimento, a luta por poder ou a simples necessidade de sobrevivência. Muitas podem ser as razões que nos mantêm vivos. Das mais vulgares às mais sublimes; das mais egocêntricas às mais altruístas. A natureza daquilo que nos estimula a levantar todas as manhãs pode dizer muito sobre nós mesmos, nossas histórias e nossas perspec

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  • 24 agosto

    Percepção

    Ela enxerga poesia, vê histórias em todos os lugares. Se viaja, escreve mentalmente histórias que jamais tomarão forma na tela ou no papel. Quanto mais longa a viagem, mais tempo em silêncio com seus pensamentos. Entretanto, nunca precisou de uma viagem física para sair do lugar, percorrer mundos, encontrar pessoas e ouvir e falar palavras que apenas ela conhecia, que apenas a ela eram ditas. Este é o ar que ela respira: há poesia no contraste de cores ine

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