Crônicas

  • dez- 2025 -
    14 dezembro

    Uma crônica quase poesia

    Uma crônica leve bem leve. Uma crônica como se fosse um beijo. Isso. Como se fosse um beijo. Uma crônica limpa. Sem manchas de maldade ou de egoísmo. Ambição de conto? Nem pensar! Uma crônica suave e mansa. Dessas que o vento leva de tão leve e descontraída. Uma crônica bem medida de sol e mar e sal. Uma crônica desenhada e bem cuidada. Música ao fundo. Olhos de ressaca. Ressaca de mar que é pro Bruxo do Cosme Velho não ficar zangado. Uma crônica tão curti

    Leia mais »
  • 13 dezembro

    Por que as pessoas gritam?

    Tenho pavor, trauma e medo de quem grita. O grito, para mim, é quase sempre a antecâmara da violência, do caos anunciado. “A violência seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota“, já disse o filósofo A opressão, a intimidação e o medo, via de regra, começam pela voz antes de chegarem ao gesto, ao domínio ou à implantação de qualquer mecanismo de dominação.  Mas não falo aqui de política, de poderes instituídos ou de disp

    Leia mais »
  • 13 dezembro

    A ordem é amar?

    O parlamento da Dinamarca aprovou, recentemente, uma lei que proíbe o acesso de menores de quinze anos às redes sociais. Com essa atitude, o governo determina que a relação dos seus cidadãos com as plataformas digitais transcende o escopo da educação familiar e se torna um problema de saúde pública. A Austrália também adotou medidas semelhantes. Contudo, por lá, a idade mínima para acesso será dezesseis anos. Outros países da Europa estudam seguir nessa me

    Leia mais »
  • 11 dezembro

    Um tom diferente na tinta da retina

    No Renascimento foi inventada a sopa fortificante e restauradora, feita de carne de boi, carneiro e legumes, servida como refeição no século XVIII aos viajantes ou indivíduos extenuados, após um longo dia de trabalho.  Era servida nas estalagens, tabernas e hospedarias, e devido aos seus efeitos benéficos, ganhou o nome de restaurant. Esses lugares não entregavam refeições para quem batesse em suas portas, e não seguiam o conceito de apresentar um car

    Leia mais »
  • 9 dezembro

    O mar é logo ali

    Na semana passada, fui ao Rio de Janeiro para o lançamento do livro “A reinvenção da metáfora: as bodas de Rogério Salgado”, publicado pela Ventura Editora, com organização do poeta Luiz Otávio Oliani, e que tive o orgulho de apresentar na orelha. Enquanto estive no Rio, uma frase não saía do meu pensamento: “Poxa vida, o mar está tão perto, é logo ali.” O carioca vive tão perto do mar que, às vezes, parece fingir que não se dá c

    Leia mais »
  • 7 dezembro

    Caos contraproducente

    Cheira à baunilha. Há banana e aveia em formato de osso e olhos ainda vacilantes e resistentes aos raios dominicais. Uma miríade de folhas, bocejos e pelos esparrama-se sobre o sofá-cama amarrotado pelas horas adormecidas. O sábado à noite fora um misto de contagem e revolta; em meio à desordem em percentual crescente do que também pode ser um ramo de gravetos1 , o caos é quase palpável. Percebi, ao procurar o volume no topo de rol das minhas leituras que,

    Leia mais »
  • 7 dezembro

    A Leoa e o menino

    O menino sonha os seus sonhos de menino. Voar, cantar, adestrar leões! A leoa faz o que uma leoa sabe fazer, observar atentamente e esperar o momento certo para atacar, afinal, o que um leão faz de melhor a não ser atacar com precisão a sua presa? O menino foi esquecido pelo tempo, pelo relógio e pelos olhares. O menino esqueceu-se de si mesmo… Solto nas ruas, fechou-se em si mesmo nos seus sonhos e nos seus devaneios. A leoa treina e treina cada pulo, cad

    Leia mais »
  • 7 dezembro

    O retratista fiel

    Folhear álbuns de fotografias antigas — em papel ou digitais — tem me causado um certo estranhamento, uma sensação de que os ambientes, as pessoas, as fisionomias não eram bem assim como estão retratadas. Na foto do meu aniversário de 15 anos, o vestido que, à época, me fez sentir uma princesa hoje mais parece um tule de cobrir bolo. Difícil acreditar que fui eu mesma quem escolheu aquela roupa, que em nada me valorizava. Na varanda da casa onde morei com

    Leia mais »
  • 6 dezembro

    Um ouvido novo, para uma história velha…

    Que atire a primeira pedra quem não passou por isso! Todos nós conhecemos alguém que adora quando perguntam: e aí, tudo bem? Pronto, lá vem a amiga ou amigo traída(o) contar detalhes: como passou a desconfiar, quais sinais ela não percebeu, o quanto acreditou no traste, como foi a certeza, a decisão, o que sofreu, a separação, o pós, o agora. Dependendo do ambiente, terá lágrimas, e você perdeu a sua ida despretensiosa à cafeteria, ou ao salão, ou a tarde

    Leia mais »
  • 6 dezembro

    Breve encontro

    Hoje, por acaso, tropecei no passado. Um banco de madeira, daqueles que encontramos nas pracinhas, a sombra de uma árvore de flores amarelas e a brisa suave de um fim de tarde me levaram à infância. Lá encontrei minha inocência, o castelo suntuoso dos meus sonhos, a paz de saber-me neta da minha avó e todas as garantias de amparo advindas dessa benção.  Bolas de sabão sopradas ao vento pela menina de vestido floral faziam ecoar no tempo as gargalhadas

    Leia mais »
  • 5 dezembro

    O amor, sem querer, acaba

    “Sim, o amor acaba”, assim, Paulo Mendes Campos começou uma das suas mais célebres crônicas. Iniciou com uma assertiva que, no íntimo, sabemos ser verdade; não obstante algumas tentativas de mistificação, como na frase tantas vezes escutada “se acabou, é porque não era de verdade”, nada mais falso do que isso. Até o mais autêntico, puro e intenso amor alcança o instante postimeiro. Expira tendo sido amor. Há, evidentemente, os casais que findam a vida sem

    Leia mais »
  • 5 dezembro

    Cultura popular

    Ah, essa cultura popular do momento. Você leu direito: cultura popular do momento. Eu faço essa distinção porque entendo que existe aquela que é eterna em nossa memória. E outra que é tão densa quanto fumaça de xícara de café. Tem gente que prefere chamar esse tipo de manifestação cultural por outros termos mais pejorativos, alguns até derivados da própria palavra popular. Em respeito às leitoras e leitores que gentilmente se dão ao trabalho de ler o que e

    Leia mais »
  • 4 dezembro

    Não se deixe levar pelo contágio alheio!

    A Sociedade Teosófica é um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor. Pode ser considerada uma das poucas democráticas disponíveis a todos os povos. Ela encoraja o estudo da Religião comparada a Filosofia e Ciência, e Investiga as leis não explicadas da Natureza, e os poderes latentes no homem. Ela não impõe nenhuma crença sobre seus membros, que se unem espontaneamente pelo objetivo comum de buscar a

    Leia mais »
  • 3 dezembro

    Palavras insólitas, insólitas palavras

    Viajava de ônibus outra vez pelo interior do estado. Na época, isso me era tão rotineiro quanto a atual preocupação com os seguidos e rechonchudos boletos, que parecem ter um prazer mórbido em aparecer sem avisar no meu e-mail, ou, de quando em vez, aqueles mais austeros e resolutos, na minha caixa de correio. Saímos de Porto Alegre com vinte minutos de atraso por conta de algum problema no trânsito próximo à rodoviária. Chovia torrencialmente desde a madr

    Leia mais »
  • 2 dezembro

    O mundo nunca será só virtual

    Quando inventaram o DVD, mataram o VHS. Pelo menos era essa a intenção — empurrar todo mundo para o novo aparelho brilhando no rack da sala. Depois o vinil virou CD. O CD virou arquivo. O arquivo virou link perdido no YouTube, no Spotify e em mais uma dúzia de plataformas que juram guardar toda a música do mundo, mas nunca têm aquela faixa que você procura. O cinema, coitado, saiu da tela grande para cair no streaming. Cada filme numa prateleira

    Leia mais »
  • nov- 2025 -
    30 novembro

    Ode aos meus 3.7

    Quero-me a mim como nunca antes,como quem encontra uma versão esquecida de si no fundo de uma gaveta emperrada: força um pouco e…– Crrrrr…..[o reconhecimento é recíproco pelo cheiro] Quero-me a mim com a presença de um personagem que não sofre expectativas: meras sinas de ator, sempre certo de poder controlar algo ou alguém Quero a beleza e a felicidade que se mantêm intactas dentro de umpresente que se mantem por conta própria:tortolumin

    Leia mais »
  • 30 novembro

    A lágrima extra

    O dia prometia ser quente e úmido — combinação ideal para cabelos rebelados e para quem trabalha imóvel ao ar livre. Depois de entregar o filho à vizinha que o levaria à creche, voltou ao seu reino: um quarto-cozinha-banheiro, tudo no mesmo perímetro afetivo. Abriu o velho armário que rangia como se quisesse dar opinião. De lá tirou seu uniforme de batalha: camisa preta com gravata borboleta, colete branco, calças bufantes que herdara de algum século passa

    Leia mais »
  • 30 novembro

    A fome

    Uma mão vasculha alguma coisa que se possa comer no meio do papel, do plástico… Outra mão manuseia as teclas de um computador em um lugar distante e escreve este texto… Alguns olhos procuram nas calçadas e nas caçambas de lixo um alimento qualquer… Em uma esquina de uma grande cidade, outros olhos observam o espetáculo de luzes e imagens nos telões expostos na avenida. Como podemos viver, ao mesmo tempo, tantos avanços tecnológicos e ainda presenciarmos a

    Leia mais »
  • 29 novembro

    Me dê um lyke?

    As redes sociais dominaram, não há como negar. Se aconteceu, está na rede. Se não estiver, deve ser irrelevante, e nem interessará a ninguém. Em tempos não tão longínquos, eram as redes de televisão e, antes ainda, os jornais e revistas. Os expoentes da comunicação tornavam-se celebridades, a quem conhecíamos pelos nomes. Redatores, colunistas, apresentadores e repórteres passavam a ser nossos “amigos”. Ah, e o que dizer dos publicitários? Esses eram mais

    Leia mais »
  • 28 novembro

    Vê se me enrola pouco, pediu a musa

    Vamos esclarecer esse negócio de musa inspiradora. Para início de conversa na tradição clássica ocidental eram nove as musas, todas filhas de Mnemósine, divindade grega da Memória, com o todo poderoso Zeus. Elas eram Calíope, Clio, Érato, Euterpe, Melpômene, Polímnia, Terpsícore, Talia e Urânia. Cada uma inspirava a arte nos homens e nas mulheres, sempre de alguma maneira direta ou indireta como é próprio nas relações do divino com nós mortais. Por conta d

    Leia mais »
  • 25 novembro

    Quando um amigo bom tem uma playlist ruim

    Pois é: eu ali, de carona com um amigo que não via fazia um tempo, recém-chegado da Europa, que me chamou para um chope — e eu aceitei. Só que, infelizmente, não sei se tinha tomado iogurte vencido, ou algo parecido, mas a playlist do meu amigo estava horrível. No caminho, “Beija Eu”, da Marisa Monte; depois, “Já Sei Namorar”, dos Tribalistas. Até que, de uma hora para outra, me toca Ivo Pessoa, com “Quando Eu Te Vi”. — Linda, né?— É…! Ouvir Ivo Pessoa, pa

    Leia mais »
  • 23 novembro

    Therian: Espanto no Parque

    Semana passada, no parque, me deparei com um grupinho de adolescentes usando máscaras de felinos. Saltavam, subiam em troncos, miavam uns para os outros. A princípio, achei que fosse ensaio da escola — alguma versão alternativa de Cats, quem sabe. Mas logo vi que não era teatro. Eles se enroscavam nas árvores, ronronavam e se olhavam com uma intensidade… estranha. Curiosa — ou ligeiramente assustada — abordei um garoto que ria da cena. — Isso aí? Therian.

    Leia mais »
  • 22 novembro

    Retalhos

    Sobre o que o tempo leva, e o que ele nunca tira. Graças a Deus, sou forte. Sou guerreira. Sou abençoada. E por isso, os retalhos das minhas memórias não pesam. Não me ferem. Não me entristecem. Sou apenas espectadora deles. É bom quando se olha para uma casa velha, caindo aos pedaços, e o que vem à mente não é a ruína, mas o gramado verde na frente, as cadeiras onde eu me sentava para observar as meninas brincando, os cachorros correndo soltos, o picoleze

    Leia mais »
  • 22 novembro

    O Diabo é ardiloso, mas eu sou malandra

    Por tudo se paga um preço nessa vida. Inclusive, pelo saber. Minha vó costumava afirmar: “a ignorância é uma benção.” Certamente, esse era seu jeito de dizer que certas verdades são difíceis de digerir. Na época, eu ouvia suas frases enigmáticas, mas o sentido íntimo desses ditos não me tocava a pele. Hoje, voltam à mente vestidos de significado. Cada vez mais, percebo que saber é temer. Listo a seguir as descobertas divulgadas na internet, nessa última se

    Leia mais »
  • 22 novembro

    Pena de vida

    “Sou a favor da pena de vida, se o sujeito cagou, pisou na bola, tem que resolver aqui, não pode sair fora” (Pedro Luís e a Parede) É assustadora a frequência com que ocorrem nos EUA massacres perpetrados por armas de fogo em escolas, que deveriam ser ambientes seguros de sociabilidade e aprendizado. Famílias são destroçadas, crianças com uma vida pela frente são executadas friamente por razões fúteis. As motivações para tais atos bárbaros podem ser racism

    Leia mais »
  • 21 novembro

    Página virada

    Virar na vida uma página é mostrar atitude. Existem páginas mais pesadas, outras que quase se rasgam no manuseio e aquelas que praticamente pedem para ser viradas. Mas tenha certeza que na vida sempre há alguma página a ser virada. Quer você queira, quer não. As razões para se virar uma página em nossas vidas existem e nunca são poucas. Deixar para trás uma parte da própria história é um momento forte, de decisão firme que não permite vacilo. As motivações

    Leia mais »
  • 20 novembro

    Avis rara!

    O filme Maestro com Bradley Cooper traz a história de Leonard Bernstein às telas mundiais, que foi o gênio da regência dos anos 1950 a 1990. É uma oportunidade de conhecer e entender por que Bernstein sempre foi o centro das atenções em qualquer reunião, e de como ele hipnotizava a todos, homens e mulheres, através de uma combinação de sedução e exortação para compartilhar sua paixão estética ou política. Muitas vezes parecia que ele desejava levar todos p

    Leia mais »
  • 18 novembro

    A guerra íntima de todo leitor

    Quando ia escrever seus livros, o escritor Moacyr Scliar aproveitava, como dizia nas entrevistas, os intervalos da vida: a poltrona de um avião, a palestra do fulano, o aeroporto — qualquer brecha que, entre um compromisso e outro, a rotina oferecesse. Para nós, leitores, não é diferente. Lemos na sala de espera do médico, no sacolejo de uma viagem de ônibus, no aeroporto, esperando um amigo no shopping. Quem lê há muito tempo sabe bem o que é isso. Tenho

    Leia mais »
  • 16 novembro

    Presença de Espírito: Pena que Não Vem com Manual

    Sabe aquela habilidade de reagir rápido, com graça, esperteza e a frase perfeita? Pois é… não veio no meu pacote. Diante de situações inesperadas, viro uma estátua com sorriso de paisagem. Meia hora depois, claro, surgem respostas brilhantes — todas atrasadas, todas inúteis. E eu fico furiosa comigo mesma. Por isso admiro profundamente quem tem presença de espírito. Aquela gente que rebate na hora, cria na hora, brilha na hora. E dois casos sempre me vêm à

    Leia mais »
  • 15 novembro

    Então é Natal!

    Faça a conta. Faça a compra. Faça a lista. Afinal, dentro de poucas semanas será Natal. “É apenas mais um”, dirá o jovem. “Talvez seja o último”, pensará o idoso. “Vou ter que gastar meu décimo terceiro”, pensa o pai. Ou a mãe. “O serviço vai dobrar”, lamentam a vendedora, a empregada, o patrão, o carteiro. “Preciso variar e garantir o estoque”, diz o quitandeiro gourmet. Ovos, uvas, pêssegos e toda a sorte de frutas ditas natalinas. Ah, sem esquecer

    Leia mais »
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar