
“digitando… ”
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Um traço vertical. Pisca, pensativo, opressivo; poético.
Acho que assim, quase girando o travessão introdutório, na busca pela correspondência de (um) outro, nos injetamos, como tentativa científica, numa releitura d’um passado literário:
Trocamos cartas, quase como que acendendo um cigarro à mesa de um café de iluminação lúgubre, jazz no fundo, um barman meio ranzinza a enxugar louças e vidros, solitário.
Uísque.
Na única mesa redonda ocupada, um casal.
Casal de poetas conhecendo-se.
Flertando com a rima que enxerga o narrativo; o tom, e não a beleza do outro.
Há ausência do encontro.
Há frequência do oposto.
Um traço vertical.
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De repente, a linha imperativa deita-se
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Desmancha-se em circunferências pululantes. Três.
…
Reticências
Duas pessoas podem, paradoxalmente, preencher xícaras fumegantes à distância. Dedilhar acordes. Entoar palavras baixinho costurando o tempo e qualquer afastamento.
Encontramo-nos
justos, apertados, acariciados e no não-existir-e-esperar de uma tela iluminada ao alcance das mãos
Dedos que abraçam uma caneta esferográfica: reflito.
Na mão que me rotula destra ou canhota, dedos avançam na comunicação do meu corpo estrutura emocional e sensorial que não mais espera e esperneia para além tudo instantaneamente.
Na margem branca entre uma caneta e outra
no pulsar ritmado de um cursor em linha rígida, ditam e de gélido recado – cheia
de nuvens – do outro lado da interface, espera
“digitando… ”
hesitação
o quase
o inteiro no “pronto.., foi ”
Digitando a paga -se an tes da palavra,
Ganhou forma na perda de seu sentido
A carta incendeia ainda no ventre da máquina.























