
Um gato chamado Bartolomeu
Não, eu não vou arrumar um gato. Nem em sonho. Mas uma das minhas filhas sim. Quer dizer, essa é a intenção dela.
Essa semana ela me procurou com essa conversa. Veio com aquele papinho sinuoso, típico de adolescente que quer algo. Se seria possível, quando ela se tornasse mais responsável, ter um gato.
Ela tem 14 anos e tem um quarto só dela onde deixa uma bagunça razoavelmente organizada. Com as coisas da escola é bem responsável, não deixa nenhuma tarefa por fazer e muito menos de estudar quando é necessário.
Cuida do seu bilhete único, sabe onde está sua carteira de identificação nacional e é incapaz de voltar da escola tendo deixado algum rastro, como livro, caderno ou casaco.
Enfim, para uma garota de 14 anos ela é até responsável. Não disse isso a ela, claro. Se admitir ela vai querer o gato ontem e não em três anos.
Sim, o prazo que ela considera que estará mais responsável e capaz de ter um bicho só dela é aos 17 anos. Perguntei porque e ela me disse que já terá votado pela primeira vez e estará às portas da universidade.
Ponderei que justamente por isso que deveria não pensar em ter o gato ainda. Ela me questionou: se posso votar para prefeito posso ter um gato. E eu repliquei que a questão não tem a ver eleição mas sim com a preparação dela para entrar na universidade. Aos 17 anos ela estará no terceiro ano do médio. Ou, como diziam os antigos, na marca do pênalti.
Ai comecei aquela ladainha paterna. Que não vai ser uma época fácil, que vai precisar estar muito concentrada, que terá que estudar, que isso e que aquilo. Ela me escutou calada. Terminei e olhei para ela que me disse devagar: mas o Bartolomeu vai me fazer companhia.
Suspirei e me calei pensativo. Daqui a três anos não vai ser fácil…























