Crônicas
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dez- 2024 -3 dezembro
Desencontro
Após um ano de intercâmbio, Clara retornava a sua cidade natal. A menina que partiu, agora era uma mulher. Todos os seus medos e inseguranças, foram vencidos por suas novas experiências. Entendeu ser o mundo gigantesco e plural, cercado por pessoas diversas e
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1 dezembro
Folhas ao vento
Entro no parque e na primeira curva avisto o Soprano, nome que atribui a um funcionário do parque. Fácil identificar o Soprano de longe, mesmo que vestindo o mesmo uniforme dos outros funcionários – ele anda com seu companheiro fiel, o soprador de folhas, semp
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1 dezembro
Crônica Burocrática
A crônica começaria agora, mas é preciso antes que o leitor e o cronista paguem a taxa necessária ao andamento das crônicas. A TADC. Parágrafos são caros. Quando saem do mundo real então! Cada palavra tem seu preço tabelado. Cada figura de linguagem uma alíquo
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nov- 2024 -30 novembro
Dica de milhões
Algumas coisas que acontecem no meu dia a dia são tão estapafúrdias que me levam a patinar na velha dúvida: falo ou calo? Minha primeira opção, nessas ocasiões, é calar, sobretudo quando aquilo que pretendo dizer é óbvio e deveria dispensar apresentações. Por
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29 novembro
Nova 99, a estrada perfeita
Toda vez que eu me vejo diante de uma situação de entrave burocrático causado pela tecnologia eu me lembro da Nova 99. Era uma autoestrada controlada por computador, considerada perfeita, e era personagem de uma estória em quadrinhos publicada na saudosa revis
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28 novembro
Nem um pouco bonito!
Há uma frase atribuída ao renomado psicanalista austríaco Sigmund Freud que diz o seguinte: “Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”. Embora sua autoria seja discutida — há quem sustente que a frase é da ensaísta canadense Li
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27 novembro
Spoiler a contragosto
Henzo Felisberto, com agá, por favor, nunca gostou de spoilers. Quem conviveu com ele sabe disso. Ninguém se atrevia a lhe contar algo de antemão ou lhe adiantar o assunto. Era avesso a trailers de filmes, orelhas de livros e introduções. Nunca foi público par
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26 novembro
O tempo que não temos
Ao escritor faltam muitas coisas, dinheiro, valorização, suporte e – frequentemente – sobre o que falar. O cronista, tendo a obrigação periódica de sentar e tirar algo do papel, é o que mais sofre com isso. Mas não, não divagarei aqui sobre a falta de assunto.
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25 novembro
A Espera
Esta reflexão não é sobre gramática ou semântica. Ela se refere à vida. Os tempos e movimentos do viver. Sobre esperar ou ficar em estado de espera. Estado de espera é o mesmo que esperar? É correta essa expressão? Não sei. Noto imediatismo na palavra esperar.
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24 novembro
Crônica biografia do mundo de hoje
Tenho sobre a minha mesa de canto all’aperto1 (como gosto de mesclar palavras e expressões das minhas duas línguas de fluência, o português e o italiano, a minha rotina! É uma forma de sintetizá-las numa só coisa, o meu eu real, a configuração amorfa do que so
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24 novembro
Arear as panelas
Tenho na lembrança uma função doméstica sempre presente na casa de minha mãe – o dia de arear as panelas. O esfrega-esfrega com palha de aço e sapólio ia desgrudando as crostas formadas pelos alimentos ali preparados, que sedimentavam nos cantos, nas bei
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24 novembro
A crônica de todos nós
A crônica tem todos os rostos: brancos, pretos, asiáticos e mais! A crônica tem todas as cores, odores e sabores que podemos imaginar! A crônica é, como diria o poeta, uma janela para o mar! A crônica tem todas as linguagens e gestos e sinais! A crônica é simp
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24 novembro
Deus abençoe esta bagunça
Tive um chefe muito desorganizado com quem dividi a sala de trabalho. Ninguém conseguia limpar aquela balbúrdia, cada vez mais empoeirada. Quem tentava era desencorajado pela advertência de se tornar o principal suspeito pelo extravio e/ou danos a documentos i
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23 novembro
A casa do ontem
Se existe algo que podemos considerar indestrutível é a infância. Não importa quanto o tempo ou a maturidade bombardeie esse território, quando menos se espera, dos escombros do passado, desterra-se uma recordação, um medo, um trauma, uma saudade ou um fantasm
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21 novembro
O mais importante é a mudança!
Em cada época de nossa existência, sempre tentaram explicar o funcionamento do cérebro através de metáforas extraídas da tecnologia mais atualizada do momento. A descrição que ficou famosa foi realizada por Platão, que comparou a psique humana a uma biga puxad
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17 novembro
PALAVRAS E ARTE
Mesmo que palavras sejam uma paixão e ferramenta de trabalho, as palavras não são naturais; vejam, me explico. Natural seria o canto dos pássaros e os latidos dos cachorros. Os sons guturais com que nos comunicamos na fase primeira de nossas vidas, o amamentar
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17 novembro
Arte da imperfeição
Perfeito vem do Latim “perfectus”, que na cultura grego-latina significa acabar, terminar, completar sem faltar nada. Nós, os que, como eu, fomos criados com esse modo de ver ocidental e dicotômico de ver o mundo, tendemos a buscar essa perfeição em tudo
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17 novembro
A nossa vida dos outros
Queremos mais que uma vida. Queremos viver várias vidas. Desejamos ser piratas, mouros, cantores famosos, astros do cinema, reis e cavaleiros. Desejamos ser o outro e nunca nós mesmos. Não reparamos no espelho o nosso rosto… Em que espelho ficou perdida
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16 novembro
Só se vive no agora
Num almoço animado com as amigas, um engasgo rasga o tempo entre o vivido e o viver. O ar não passa pela garganta, os olhos arregalam diante da impossibilidade da salvação. Um ruído no peito anuncia o desengonçar dos segundos, a fragilidade do devir. Tento tos
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14 novembro
Uma Vida
Dramas gigantescos da humanidade oportunizam momentos para que indivíduos de bom coração se tornem heróis, e figuras lembradas por não terem se acomodado perante um drama, como é comum a muitos. Uma deles foi Sir Nicholas George Winton, que nasceu em Lon
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13 novembro
Sobre as angústias de um pé-frio
Tenho muito medo da morte. Um medo estranho, próximo, escuro, paralisante por vezes, e por vezes aterrador. Isso não me obriga a amar demais a vida. Não acho tudo maravilhoso, não faço parte da galera do gratiluz nem gosto de acordar cedo. Geralmente, estimo a
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11 novembro
A Troca
Na quietude da noite, em meio ao escuro do quarto, eles iniciam uma conversa.Uns indignados, outros seguros de si, e alguns, incrédulos.Como todos a conhecem, não poderia ser diferente.— Naturalmente, diz o preto, eu megaranto; vou com ela aos mais diver
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10 novembro
A sucinta e individual força dos Verbos e Substantivos:
(…) “vence, leva, ‘sai-vitorioso’, fede, terminam, caminham, garantir, levou, votarem, vence,consolida, vence, conquista, foi-eleito, abandonaram, levar, conversam, ‘não-fará’, pede, nega, inclui, deixar” (…) Arizona, estados-chave, eleição; disputa, estado; e
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10 novembro
Treinamento para habilitados
Dois dias atrás, o carro da frente do meu exibia uma placa: Em Treinamento para Habilitados. Achei fantástico esse serviço – dar um treinamento para os já habilitados. Isso pressupõe que, mesmo tendo sido considerada apta para a função a que se propõe, a criat
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10 novembro
Botas, cavalos e moscas
Embora eu adore cavalos, nunca aprendi a montar. Como bom-senso e juventude nem sempre andam juntos, quase comprei um pangaré em Águas de Lindóia que fica a mais de quinhentos quilômetros do Rio. O preço não arruinaria completamente as minhas finanças, mas obv
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10 novembro
Não existem mais heróis
Não Existem mais heróis… Estes, ficaram em fotos, figuras coloridas ou desbotadas, ficaram nas páginas de um livro velho, ou então, são relembrados de maneira torpe e fragmentada por aqueles que contam histórias antigas, mas têm já uma memória vaga das coisas.
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9 novembro
ENEM – cada inscrição uma história
Martina, quando pequena, adorava pegar a seringa de brinquedo e dar injeção nasbonecas. Aprendeu com seu pai que, quando crescesse, seria médica. Sua família incentivava, com gosto, a brincadeira da menina. Sabiam que, se a fantasiaganhasse espaço na realidade
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7 novembro
Custos irrecuperáveis!
Nossos telefones celulares oferecem dopamina digital 24 horas, 7 dias por semana, aos indivíduos conectados com seus interesses apenas, e alheios ao que acontece ao seu redor. Estamos vivendo em uma época de acesso sem precedentes a estímulos de alta
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3 novembro
Equilibristas!
Somos equilibristas! E fazemos isso com muita eficiência e profissionalismo! Não sabemos o tamanho da nossa força até que somos forçados, por circunstâncias várias, a viver a vida nas suas complexas contradições! Como não falar da vida e dos seus altos e baixo
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3 novembro
Flashes, vazios e universos paralelos: Leila
Em meio a um comercial de televisão de sábado à tarde, coisa que não lhe é por nada usual assistir – excetuando-se as ocasiões em que se encontra à casa de seus pais -, algo que Leila não se recorda ao certo acendeu umas memórias preguiçosas, episódios d
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