Crônicas
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jan- 2025 -30 janeiro
Alguns convencidos que tudo sabem!
Um grupo de cientistas japoneses criaram o sistema ferroviário que uniu Tóquio a 36 cidades vizinhas. Eles tiveram a colaboração de Blob, um sincício multinucleado macroscópico, amarelo brilhante, que também propôs resultados semelhantes nas redes rodoviárias no Reino Unido e na península ibérica. Seu nome científico é Physarum polycephalum, e já vivia na Terra há 500 milhões de anos antes dos seres humanos. Esse é um exemplo de como a sa
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29 janeiro
Minhas melhores companhias e eu
. Da minha varanda imaginária contemplo o novo tempo que chega. Por circunstâncias da vida, a convivência com minhas melhores companhias vai duplicar. O que antes era “semana sim, semana não” agora ser torna “semana sempre”. Será intenso e mais profundo. Seremos nós três. E isso conta a favor. Minhas melhores companhias crescem a olhos vistos. Sou testemunha e me sinto privilegiado. Modos, falas e atitudes. Gostos, desgostos, ações e reações. Cores, nomes
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26 janeiro
Tâmaras, vinho branco e gatos
Há algumas semanas a bandeja de tâmaras – com caroço, tal qual informava a identidade visual da embalagem – repousava paciente sobre a bancada da cozinha, no aguardo do momento especial que tanto se preparava Theobaldo. Amante de história e das descobertas da gastronomia dos tempos passados, planejava dar à fruta uma espécie de protagonismo em um quitute da Roma Antiga. Mas faltava-lhe o mel e as nozes, e com sua atual situação financeira não c
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26 janeiro
Semancol Homeopático
Medicamento fitoterápico de amplo espectro, indicado para pacientes que perderam a autocensura e para aqueles que sofrem de compulsão verbal, podendo ser administrado também em pacientes com quadros de perda de cerimônia, falta de educação e traços de inconveniência. Ação esperada do medicamento Semancol Homeopático se mostrou extremamente eficiente no combate à boca solta, diminuindo sensivelmente a incidência de comentários inapropriados, grosserias, ris
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26 janeiro
CRÔNICA CAMONIANA
Quando dois olhos se olham de uma maneira inesperada e se encontram e se sabem tão íntimos e tão inteiros, sente-se o fogo que arde sem se ver. Quando dois seres se veem próximos o bastante para dizer e celebrar o momento, vive-se o não contentar-se de contente. Quando duas bocas esperam, ansiosas, o suave toque ou o roçar de leve, percebe-se a dor que desatina sem doer. Quando duas almas dançam a canção imaginária dos amantes e ninguém os vê, e ninguém os
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25 janeiro
Eu, produto de valor
Abriu uma nova sorveteria no shopping perto da minha casa. Por estratégia ou atrevimento, a novinha fica em frente à geladinha oficial. Disposta a conhecer a gostosura da hora, entrei na imensa fila que se formava. Tentei me distrair com as opções de sabor, designer da loja, mas, na consciência, pesava a culpa da traição. Para agravar a tensão, pertinente ao momento de flerte que não deveria acontecer, me acompanhava o olhar da atendente da sorveteria anti
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23 janeiro
Ouse ser Sábio!
A solidão está no noticiário como uma dor social frequente, e acabou indo a público através da imprensa, que despertou atenção desse problema de saúde nos EUA. O sr. Vivek Murthy, Ex-cirurgião geral dos Estados Unidos, publicou um relatório de 82 páginas que chama atenção para esse tema. O documento intitula-se “Nossa epidemia de solidão e isolamento”, com o subtítulo “Os efeitos curativos da conexão social e da comunidade”.
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22 janeiro
Desde aquele dia
Em 2010 eu morava em Gaurama e não sabia o que fazer da vida dali pra frente. Aos vinte anos a gente acha que pode tudo e acredita cegamente que as questões da vida têm soluções simples, num otimismo nada mais que adolescente. Eu estava perdido e assim fiquei talvez por mais um ano ou dois, pois tinha abandonado uma faculdade, concluído dois cursos técnicos dos quais pouco aproveitei e seguia vivendo na crença de que teria um futuro promissor como baterist
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19 janeiro
Cento e vinte e duas folhas
122 folhas caíram sem aviso prévio, de um dia para outro, do Manacá que resiste às intempéries da vida, aos seus altos e baixos, junto a outras tantas plantas, que já somam mais de 4 dezenas espalhadas pelas varandas e cômodos de um apartamento situado em rua tranquila, que nem parece centro de cidade média. Cercado por árvores urbanas, cujas copas privatizam a vizinhança, garantem a qualidade de vida e o cantar dos pássaros a um sem número de pessoas e si
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19 janeiro
Chá de revelação
Recentemente li uma matéria sobre o nascimento de um filhote de pinguin que teve um chá de revelação, com direito a festa, bolo, post em rede social e tudo o mais. A princípio fiquei meio confusa, pois não captei o que seria esse tal chá para um pinguin. Lendo o restante da matéria, me encantei com a jogada de marketing do Zoo, pois a revelação realmente merecia uma festividade e eles aproveitaram muito bem a ideia, como fiquei sabendo em seguida, pergunta
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19 janeiro
Redução de dano
Estamos a passos curtos de poder apagar as memórias ruins que nos atormentam, é o que aponta um estudo realizado por cientistas da Universidade de Hong Kong e publicado no Jornal O Globo. Por sorte, a técnica desenvolvida com sucesso no Japão se diferencia do procedimento oferecido no inesquecível “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Na película, o protagonista se submete a um tratamento experimental para apagar as memórias com sua ex. Porém, ao de
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19 janeiro
Sabores de Budapeste
Andam me perguntando porque mencionei a comida húngara como uma boa surpresa de viagem. Não foi por um prato específico, mas pelo conjunto da obra. Quando resolvemos ir a Budapeste morava no Rio um senhor húngaro que se gabava de sua culinária. Eu colocava esses elogios na conta do exagero patriótico ou da saudade afetiva, duas coisas que embotam o julgamento e a memória. Ele nos deu algumas dicas de restaurantes, mas não levei muito a sério porque, salvo
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17 janeiro
Paraíso também fica nublado
Não foi difícil achar essa cadeira de frente para o mar. O sol, que estava poderoso desde as primeiras horas da manhã, cansou da função e foi se esconder atrás das nuvens. Os turistas, ou melhor, os outros turistas porque também não sou daqui, bateram em retirada e se espalharam pelos bares e lojinhas. De onde estou, na ponta da praia, ouço distante o murmúrio da música. Nada que me agrade e por decoro estético e consideração com as pessoas que gentilmente
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17 janeiro
Entrevista de Itararé (com o Barão Idem)
Apparício Torelly, conhecido como o Barão de Itararé, foi um famoso jornalista que atuou na imprensa brasileira nas primeiras décadas do século passado. Notabilizou-se pelo espírito crítico e o humor ácido, expressos em tiradas como as que constam na entrevista abaixo. Fi-la (ele deploraria essa ênclise!) extraindo passagens da sua obra, que tem servido de estímulo e inspiração a muitos humoristas brasileiros. Vamos então às perguntas: P – O senhor p
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16 janeiro
Abrir uma janela para a alma!
Quando falamos na busca para a cura de problemas emocionais, um dos diferenciais para pensar melhor nossas vidas é utilizar uma teoria aberta que inclua diversas ideias diferentes, e permita uma discussão de opiniões distintas nessa árdua existência. Uma dessas teorias é a logoterapia que utiliza uma abordagem psicoterapêutica reconhecida internacionalmente, e se baseia na premissa de que a principal força motivacional de um indivíduo é encontrar um
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12 janeiro
Rotina há 8 – os meses que passam, mas não se vão
. ( )… e no silêncio da inexistência, também nutrimos sentimentos vivos: — a presença que não está mais, mas persiste; — lembranças em fotografias, — objetos humanizados: as roupas – que podemos vestir, a qualquer hora, em busca de abraços —, o perfume, alegoria perfeita, as coleções pausadas e e empoeiradas; — a poeira, que coça, nos coça, permanece; — o barulho das chaves; — o som dos passos pisados pela sola dos chinelos de dedo; — vozes; — o amor
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12 janeiro
A vida presta, muito
A frase antológica de Guimarães Rosa, citada por Fernanda Torres em seu discurso na premiação do Globo de Ouro, me fez pensar nos múltiplos significados nela contidos. Na minha leitura do filme Ainda Estou Aqui, dois deles me tocaram sobremaneira: — O amor incomensurável de Eunice por seus filhos, a ponto de tentar, depois do trágico desaparecimento de Rubens Paiva, proporcionar a eles uma vida que “prestasse muito”. A cena emblemática da fotografia em fam
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11 janeiro
Do outro mundo
Vc conhece o outro mundo? Já foi lá? Sabe pelo menos onde fica? Sou capaz de apostar: quase ninguém foi lá ou sequer pensa em sua existência. Afinal, para quê, vocês poderiam se perguntar. Não sei responder. Na verdade, nem é preciso. Mas hoje eu os vi chegando… às vezes aos pares, uns apressando os passos, outros olhando o chão onde pisavam. Rapazes e moças com andares leves, rápidos e sorrisos fáceis e também aqueles, cujos fardos invisíveis lhes amarrav
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11 janeiro
Sobre ontem
Contrariada, acordei às 6h da manhã. Hoje é dia de Pilates e caminhada. Pensei em esbravejar, dizer o quanto eu odeio esse compromisso com o bem viver, mas melhor não. Faz tempo que aceitei que atividade física é remédio. Não importa se o gosto é ruim, se a drágea é muito grande, engole! Também cansei da cobrança de encontrar um exercício que me desse prazer, já fiz muito esforço para achar um amor, a empreitada é inglória. Então, me tr
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10 janeiro
Moça de azul no metrô
A moça estava de azul na plataforma da estação do metrô. Um vestido leve e elegante. Os sapatos bem cuidados, brilhavam até. Uma bolsa completava com elegância o quadro que tinha diante de mim. Próximo a ela, lá estava eu. Não tão próximo a ponto de aspirar seu perfume mas o suficiente para ver seu rosto em detalhes. A discrição séria em mim lutava freneticamente com a curiosidade romântica pelo direito de olhar a moça com intensidade para capturar suas ex
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10 janeiro
Mirtes, a traça
Fazia tempo que eu vinha notando, mas o prudente era fingir ignorância. Durante a época de aulas, tudo bem, foi possível manter-me indiferente. Mas não agora, que longos ócios me obrigam a horas no gabinete. Agora tenho de enfrentar Mirtes e a sua ronha, sua reima de tisanuro roaz. De noite sinto que me espreita por detrás de uma lombada. Às vezes, sutil, entre linhas ou nalgum subtítulo. Fora isso polvilha infólios e avaria vade-mécuns, Quando não, renite
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9 janeiro
Desaprendizagem!
O filósofo Sócrates nos disse para ter cuidado com o vazio de uma vida ocupada. E para isso recomendou que você não deva se preocupar com os outros, porque o mundo está cheio de outros. Na Internet podemos comprovar facilmente isso, através do gigantesco volume de gente navegando por lá, ao menos é o que dizem ser uma verdade. Porém, até 2026, o tráfego de robôs irá ultrapassar o de humanos, e a luta contra o envenenamento de resultados em mecanismos de bu
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8 janeiro
Tudo novo de novo
O início de ano, quando há troca de gestão municipal, não surpreende ninguém. E quando há troca de gestão estadual e federal, não é diferente. São comuns os discursos tarimbados, com argumentos fantasiosos e copiados dos governos anteriores (nunca cumpridos, de fato). São mais comuns ainda as votações de projetos polêmicos em ampla aceitação justamente nos dias em que ninguém está com paciência para a política. Então, ano sim ano não, a gente acaba passand
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5 janeiro
A primeira crônica do ano
Esta é a primeira crônica do ano. Um ano novinho cheio de sonhos e projetos para o futuro! Esta é uma crônica de início. Uma crônica que cheira o novo, como presente recém-aberto, esperando ser tocado, usado, experimentado pela primeira vez… O que imaginamos de um ano que se inicia? Que sejamos felizes e tenhamos paz? Que conquistemos tudo aquilo que desejamos? Que nossos esforços sejam recompensados? Na virada do ano, quando os fogos de artifício co
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4 janeiro
Boa pergunta
As galinhas (raízes, autênticas) botavam o ovo e cacarejavam. Umas mais que as outras. Saíam pelo quintal em alto e bom som espalhando o feito. Passavam em meio às colegas solteiras, aos galos jovens e imponentes e ao preferido — aquele com quem, há poucos dias, haviam ciscado lado a lado, enquanto ele a cortejava disfarçadamente. Quanto à galinha choca e seus pintinhos, ela era evitada ou ignorada. Enfim. Cacarejava e desfilava, indo de um lado a outro. C
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4 janeiro
Ensinamento de vó
Eu não tenho dúvida de que o pensamento positivo é um recurso indispensável ao bem viver. Não sei se ele remove montanhas como faz a fé, mas, certamente, alivia a dor das topadas que damos na montanha. Pelo menos, foi assim que aconteceu comigo: passei o dia 31 fazendo minhas orações, mandingas e simpatias para a virada. Vibrei positivo, recarreguei a mente de energia limpa, joguei para o universo meus maiores anseios e desejos, certa de ser escutada e ate
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3 janeiro
Pede que Iemanjá atende
Ela saiu de São Paulo decidida a dar um rumo na própria vida. Não era definitivo, só viagem de fim de ano. Mas precisava arrumar a casa. Fazia tempo que sua vida estava uma bagunça. Nem tudo, para ser honesto. O trabalho até que estava ficando no jeito certo mas tinha o divórcio que estava um nó só. O ex não se posicionava, não fazia nada nem saía de cima. Um atraso! Uma amiga disse: “olha, busca no candomblé que você tem resposta para suas aflições.
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2 janeiro
Acerto de contas!
Bem aventurados os corajosos de plantão que seguem incontidos na emoção de uma nova experiência lúdica ou fugaz, para suas vidas, lhes restando apenas enfileirar uma delas, na vez, oportunizada pela insistência. Não devemos desistir de carregar a dor da reconstrução, ela é apenas a forma que se apresentou para dizer que a conta da vida ainda está aberta, em compasso de espera de suas novas decisões, mesmo que parcas e tímidas, porém, destemidas e ins
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dez- 2024 -31 dezembro
O Natal do meu avô
Natal, para mim, sempre significou o Natal do meu avô, o Natal de nossa família em sua casa e ao seu redor. Mesmo hoje – após a sua partida e o fim do que vivenciei por anos –, é a memória daquele apartamento e daqueles dias que me vêm à mente ao chegar dezembro. Ainda hoje, para mim, esta data continua a significar o Natal do meu avô. Antes de chegar a tão almejada noite, eu já a vivia. E a vivia com fervor e cupidez. A sua semana, os dias que a antecedia
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29 dezembro
Deixar pelo caminho
Arrumando a mala para viajar no final de ano, separei as roupas que iria usar: roupas leves e confortáveis para o dia, pois vou para o calor, uma opção mais elaborada para o réveillon, traje de praia, sandálias e uma roupa de caminhada. Enquanto pensava na mala e em como conseguir selecionar o básico, essencial, aquilo de que realmente preciso, comecei a refletir sobre o que quero levar de mim para 2025, e o que pretendo deixar pelo caminho. O ano que pass
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