Poesias de 1 a 99
É um espaço destinado para poemas de novos e autores consagrados.
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Tempo, tempo.. passe logo, mas com calma!Para que a pressa?se preciso, eu, mais que vitaminas,do alimento para o viço que… reflete-me,[interna] e inteiramente?Que eu possa deleitar-me com o calor azulda caligrafia inexistente no papel que cheira a delírio Eis-me inteira,num instante errante,naufragada no suor denão pertencer.Cá estou. Inexpressiva no sorriso mais verdadeiro. Bate-me o peito em um não positivo. Eis me aqui. Intacta. Tempo, tempo…por q
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tivemos um olhar-eclipseapósanoseanos foi tão lindoque até os deusespararam pra ver e foi assim mais umavez até o sol dos seus castanhos partirpara um cantoe restarsomenteessa luaminguanteno céuda solidão
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Sequência finalnuma casa de 24 m²com vista de frentepara um beco lateral.O piso era grossoantes de eu assimilá-lo,mas como a vidapermaneceu emdesalinho eu adormecideitado de lado e tombadoem lençóis queimadosno espaço entre as camas.Com uma aliança invisívelna mão direita e um cheiroforte de esgoto vindo do banheiro.E pensar que havia promessasveladas feitas a mim mesmono escuro de uma vida desfalcada.Pinturas metálicas malfeitasno fundo de um espelho manc
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( A Cecília) Antes que chegue o dia da mudez,Cantemos!Cantemos elegiasCantemos heavyCantemos baladasCantemos !Que em nós haja uma eterna cançãoIndescritivelmente bela,Inevitavelmente originalPor sermos, cada um de nós, a própria melodia, a harmonia curativa No desconcerto do mundo.
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Este que vos premeditaDevia dizer-lhes algoMas o profundo que é o serenoMais errôneo que o acaso tornou-se Então dizes ao papel:Das tuas palavras fizestesDe pouco caso;Que se bastasse um punhado‘Inda que só coubesse o que lhe atava. Sonoridade tal das águas já lhes assoavamOs cascos empoeirados da vigíliaE tu sonhastes teu atraso… O não que dizes é certeiroRessoa pra longe, bem longe se estende.Caronas apanhas; onde te encontras?Ao retorno te encostasDe on
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Abandono totalnuma casa de 29 m²com vista de fundopara um bambuzal.O piso era claroantes de eu pisá-lo,mas depois a vidaconverteu-se emdesordem e acordeideitado de costasnum corredordo lado de fora,com a chave na mãoesquerda coberta desangue e a fúria cegade quem não se lembrade nada. Uma Escada que Deságua no Silêncio
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Estou parado há duas horas.Já fui de um lado a outroFui de esquina a esquinaPercorri cada quadrado de chão. É que me cansaram as pernasEntão deixei-me aqui.Por um lado parece-me um tanto sagrado,De outro, nefasto e ridículo. É que andei tanto que já não tenho por onde ir.Cumprimenta-me o passo do outroQue por um lado atravessa a ruaDo outro, acena e desviaOu o de mais longe, que caminhaE eu, que já não soube de onde vinhaSó, via. O movimento do mundo me de
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Suspenso na tardecomo uma lâmpada queimadanum porão deserto,figura o lado esquerdode um parêntesis aberto. Seu estado resultado itinerário de sombrasem que um homem se perdena solidão de seus próprios passos,esquecidos sequer sem deixar uma marca. Sua abertura demonstraa imperiosidade do erroque determina sempreque as flores se abram para cumprirseu papel de beleza e de decomposição. O parêntesis aberto no escuronão é senão a necessidadede se sair do estág
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O outono deixa cair seu manto branco sobre as montanhasNada mais é nítido, nada mais é real.Tudo vira sonho .Há magia sob o tecido d’água que misteriosamente pede aconchego.Todos são um. Confundidos, ofuscados. O outono salpica a noite com estrelas tantasO olhar se perde, tudo parece sonho.Há magia sob o céu bordado, que misteriosamente provoca suspiros.Todos são encantados. Confundidos, ofuscados O outono desenha montanhas azul-marinho guardando a cidadeN
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A inquietação daquela noitelevou-me ao extremo de deixar a camaem pleno delírio da febre sem causaque me acometia desde há muito. Nunca em meus transportes noturnos,que eram então muito frequentes,eu havia experimentado essa ânsia de fugaque só se compara à de uma suicida na ponte. Corri como que alucinado fantasmaaté o porão da casa onde a umidadehavia impregnado as paredes de morte,e peguei no baú o espelho quebrado. A chuva era intensa e os relâmpagosco
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A cama desarrumada.O livro (quase) aberto.Páginas escurecidas. A caneta largada no meio. No relógio um horário impróprio; “já é dia?”Sob os travesseiros, um único pijama não se sabe porquê; não se sabe para quem.Clareou.As plantas espreguiçam-se:um girassol retorce lentamentepétalas, amarelas, miolo, marromem direção à promessaDe solDe luzDe felicidade com prazo de validadeVencida De repenteDois passos contrabalanceiam o peso de um único corpoUm, dois, trê
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em frente à ruaum senhor passacom seu carrinho de docese um radinho tocando:“doce doce doce a vida é um doce doce mel…”os olhos de minha lembrançarolamfeito bolinha de gude encaçapandoo buraco mais fundo chamadotúnel do tempoe percebohá quanto tempojá não saboreio maiso doce
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Um momento cristalizoutodos os outros momentosde espera e indagação.Um momento trouxe à tonatodos os outros momentosde sublimação dissimulada.Um momento estabeleceu o paradoxode todos os outros momentosentre o que se quer concretamentee o que se assume perante a consciênciapara fugir do inevitável.Um momento levantou questõesde todos os outros momentosdos quais buscava-se o refúgiona indiferença e no não-sinto.Um momento mostrou claramenteaquilo que os out
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Quero a involuçãoA proteção contra os ventosÚtero da mãeTurbulência amniótica. O desequilíbrio de voltarO ser ainda sem serTodos os caminhos por andarTodas as guerras por vencer Quero o grito de mãeNa hora de parir O choro engasgadoA dor de nascer Coragem para voltarTudo feito novoCerteza de não errarLeite materno como sustento Quero vida inteiraApagadas as besteirasQuero vento novoSoprando semente verdadeira.
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o teu encanto de sereialevitou a serpentepor entre minhas teiastua pele luxo de sedapor cima de mimfeito mágica de Aladdinsucumbiu com minhas destrezasteu palato de rio docedesaguou no meu remoeste tão cansado e enfermode navegações ocrese ao velejarmos sobre ondas rítmicas& místicasno compasso do som das baleias gozamos no alto do mundoum bilhão e duzentas mil estrelas
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A anatomia dos carros na ruarevela a um homem que os vê(entre outras coisas)uma força neutra a interferire modificar a paisagem desoladade quem anteriormente os criou. A anatomia das mulheres(independente dos lugaresem que se encontram) remete-nosa uma forma viva de organização planejadaonde a beleza é fruto dela mesma, transfigurada. A anatomia do pensamento de quem(por exemplo escreve este poema)nada mais é do que uma consequência imaterialde causa e efe
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tragoa pessoa amadaaqui dentro mas amor não se prende sendo assimsolto-oao vento
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A cada dia vai-se diminuindoo meu espaço vital.Isto porque quando comecei a sentir-meparte integrante do mundoeu já havia sido expulso do mundo.Toda uma vidatodo um aprendizadoadquirido na sombra e no silêncio de indivíduoé tão somente de conhecimento meu próprio.Só eu sei dos mecanismos mentaisque implicam em cada gestoem cada palavraque ensaiando digo às paredesque ainda não foram construídas.Encenei para mim mesmo uma tragicomédiana qual sou o único per
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a música no rádiotocaum clássico rock anos 80 — ainda não sei de quem —mas seique toda vezque essa música-clássicotoca todas as estações do rádiosintonizamtua imagem-clipedando coresa um passadoque ficou em branco. *
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O corpo utilizadopara a afirmaçãode uma individualidade,de resto inexistente. A individualidade,como um fantasma abstrato,esconde-se por detrásda porosa pele. A tatuagem utilizadapara a identificaçãodos corpos, vítimasdo desastre aéreo. Um Andarilho Dentro de Casa
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na calçada dos meus olhosvocê passa um palavrão altosaina boca do becoda minha mente a ponta-metal do teu saltoarrebentao meu tímpano-peitonum som estridente e no meio do palcoperco todo o sentidofeito fã cego idolatrando artistaem seu show ao vivo
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ITenho comigomilhões de cadáveresque apodrecem seus ossosjá destituídos do ímpetoque movimenta os homens vivospara a conquista de algo. IITenho comigoa inércia do corpoque aniquila o meu sonhojá despojado da vidaque antes impedia o planode me alimentar desses ossos. IIIO que sou hoje é esta certezade não ser senão em mim.O que sou hoje é este impulsoem preservar o que já está desfeito.O que sou hoje é esta incapacidadede desempenhar papel no mundo.O que so
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Entre tantas vozesTantos abraçosEntre tantos conselhosEm meio ao cansaço Quando sorrioOu quando choroSe me surpreendoOu me apavoro Se a alegria é tantaOu a decepção é muita,Importa ter o teu colo, Mãe,Pra valer a pena continuar.
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Dove mi nasconderò?Dove mi sentirò?L’appartenenza non è piùChe la gentilezza Di far nullaSenzaUna scelta. Il poema sarebbe belloSe non fossi ioA scrivirtelo,Dall’uomo che suona zeroInsomma, dammelo subito!Che poi riesco a diventare…Ansito. Chiusa è l’ombra poiché si èavvolta alla finestrae finchè La parola più lungaSotto l’esistenza esternaTrovasi infatti un esempioCioè, una resistenzaIncerta. Dimmi di più, dimmi di sì, di no…Su di noi lo scont
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De cotidianos resíduosarrancados na solidão de prisioneiroem que todo o meu ser se devora,tento compor uma imagem humanaque me faça aceitável a mim mesmo. No silêncio da morte aparentena qual me recolho ao túmulo previstonão sei com que ânsia mórbida de calma,procuro juntar os cacos de culpa diáriaque reunidos formam um apelo ao suicídio. E não é só o remorso das manhãs doentiaspelo que na noite se desfez em delíriosde humana fraqueza cansada de si mesma,é
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Soldado canta tristeSentinela!Quem é poeta? Vento que prestaBarco a velaQuem é poeta? Pescador lança triste o anzolPoeta!Quem é vigia? Vento que espiaAmor que esfriaQuem é vigia? Moça olha triste o céuEspera.Quem é poeta?Quem é vigia? Vento que prestaVento que espiaBarco a velaSó poesia.
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O Rio Grande não é apenasgrande, ele é tambémreferencial de um sonho(ponte de água clarainterligando abismos).Dreno com meus olhos líquidosa sua enseada como quem nãodrena nada, exceto a visão da água. E como a viagem não permiteque se fique sempre às margensdo Rio Grande, instalo uma sondaem suas águas e a outra ponta dasonda eu a trago encravada na alma. Inventário de Sombras
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Em tesetudo é possívelmas na práticanada acontece.Eu sou a antítesede todos os axiomasbenéficos.A Sentinela em Fuga e Outras Ausências
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Eu sei que eu mereço(embora talvez eu não venha ater) o meu nome num nome de rua. Eu sei que eu mereçouma estátua de bronzena praça de Ervália. Eu sei que eu mereçodenominar a Casa daCultura como o poeta que sou. Eu sei que eu mereçocasar com uma mulhernegra, que é o meu sonhode consumo. Eu sei que eu mereçoter um aumento de saláriopara poder sobreviver. Eu sei que eu mereçoganhar um prêmio literáriopara pagar as dívidas. Eu sei que eu mereçopescar um peix
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Chamam de resiliênciaessa palavra polida,de palco e de LinkedIn,que ensina a atravessar ruínascom a coluna ereta. Resiliência:dizem ser força,dizem ser método,dizem ser quase virtude corporativa. Mas outro diaela me apareceu diferente —não em gráficos,nem em discursos bem ensaiados, mas numa fresta de asfalto: uma flor. Pequena, improvável,sem plateia, sem legenda,rompendo o cinzacom a delicadeza de quem não pede licença. Ali estava tudo. Porque a terra sa
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