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Poema #30: Porém, Nada Dizia
Gosto do silêncio.Prefiro ficar em silêncio.Vejo as pessoas conversandoe a imagem que me fica é ado cuspe trocado entre elas.
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Poema #30: A Voz do Silêncio
Estou acordadoe não sonho,mas a realidadeantecipadame envolve. A barba se medesprende do rostofio a fio num friomaior onde estoume enregelando. Tudo se dissolvena aparência de ossosde que fui formado,e que é minha formamais resistente no mundo. Mas a terra(com
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Poema #29: Novas Lendas Urbanas Inventadas do Nada
Eu estava de tocaia na praça em frente à sua casaaí ela chegou de bicicleta e quando foi abrir a portaeu ataquei, agarrando-a por trás e já sentindo o delíriodaquelas carnes macias que me foram negadas em vida. Havia crianças por perto e então eu achei melhori
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Poema #28: ANÍMICA
quando eu tinha todos os movimentoseu era sol entre nuvensaves de arribaçãoqualquer coisa de menos sólidapor haver.eu via cachoeiras em meus sonhosremanso de riospedra grande de sentar meninoflorestas a esculpir. Da Essencialidade da Água
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Poema #27: Uma Poesia a Marteladas
eu faço versoscomo quem martelaas sílabas do vocabulário:trôpego quase sempre. eu faço poemascomo quem sofreas pancadas do destino:difíceis como sempre. eu sobrevivocomo quem hibernana escuridão da noite:dilacerado sempre e sempre. com a música do Led Zeppelin
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POEMA #26: AVALIAÇÃO NOTURNA
Este pedaço de céuque me foi permitido entreverentre os edifícios,assemelha-se a uma parte de mimque ainda se resguardapara nada.Areia (À Fragmentação da Pedra)
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Poema #25: Becos e galerias que se bifurcam em T & L
A paixãoé a antessalade uma paranoiana qual entramoscom um sorriso largode quem não sabeque penetrou num túmulo.A Sentinela em Fuga e Outras Ausências
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Poema #24: RETORNO AO FINAL
“meu Deus, porque me abandonaste?se sabias que eu não era Deus,se sabias que eu era fraco”Drummond protagonistade minha vida pregressahoje sou coadjuvantede ruinas. nas águas do riofiz algumas tentativasmas acabei afogandona correnteza. mudei de fase:virei pes
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Poema #23: FOGO-FÁTUO (ignis fatuus)
. “e ficam tristes e no rastro da tristeza chegam à crueldade” Drummond fica estabelecido queos meus concidadãos,mesmo aqueles quemoram em águas-furtadasserão livres à maneira deles. fica estabelecido queapesar do sonho játer acabado desdeo anúncio de John Len
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Poema #22: AZ-2
. Vozes inaudíveisgolpeiam meu silênciode bicho entocado. Sou perseguido por fantasmas(desdobramentos de mim)e os apascentoem precária unidade. Sei da existência sem vidae dos hálitos fétidos da morteque povoam a noite dos túmulos. Meu corpo é um mapaonde se c
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Poema #21: Eu Queria Fazer um Poema pra Você
Numa ocasião em que eu estava(como das outras vezes) prestesa me naufragar no abismo do delírio,houve um sorriso de dentes postiços. Mas eu já não queria mais cairna cilada do amor fugaz e preferiaestar quieto e fugir para longe doalcance de uma outra decepção
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Poema #20 – CONFIDENCIAL
Nada consta.Consta que seja um nadaem face a uma constânciade extremos inarredáveis.Enfimum nada consta sobreoutro consta um nada— A vida incerta do homem —Nas folhas gastas do mundonão consta nada emdetrimento desse nome.Um simples nome em meioa t
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Poema #19 – CAMADAS DE ÁGUA
. “o peixe sabe de tudo e nada”autoria desconhecida, século XIII tenho dois mesespara morrero ódiome circunscrevecomo camadasde água que veminundando tudo,desde as primeiras célulasaos últimos fios de cabeloe são águas salobras, escurasde quando faço a descida
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Poema #18 – NA PENUMBRA
. Na penumbrame faço grandecomo minha sombra na parede. Porém a paredenão é intactacomo a cerâmica do banheiro. Suas imperfeiçõesremetem-me para além dela mesmae me vejo em cada detalhemal sucedido de sua arquitetura. Na penumbrame faço gentecomo as presenças
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Poema #17 – CORPO
foi precisoque eu fosseenvelhecendopara entender(em parte) oerotismo tardionos poemas deDrummond. é que precisamosir perdendo parapoder reconquistar.é preciso ir morrendopra aprender a gostarda vida e tentar(quando não é mais possível)usufruir da beleza da águ
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Poema #16 – Convidados
Da janela da casa onde moroaguardo a chegada de algunsamigos para a festa deaniversário. Nada se move, exceto a minhasombra na varanda, vazada deangústia, silêncio e noite. Fecho as janelas da casaonde moro e ainda douuma última olhada atravésdas frestas da ve
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Poema #15 – EUTANÁSIA
. Sob uma chuva de outubroo germe penetrouno solo árido de mim,onde as emoções se resguardavam. Mas o sol e o raciocíniodos meses subsequentesatrofiaram o germe ávidoque havia trazido o amor. E foram tantos os desencontrosdo clima naquele anoque a meteorologia
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#14 – A LUA ESCURA
. sabe,há um momentoem que a luafica escura. é quando,a escuridão maiorvinda dos montescobre a Rua Fácil. e tudo,vira um só quadronegro, uma lousafria que antecedea morte. Da Essencialidade da Água
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#13 – PROGRAMA NOTURNO
No silêncio sepulcral desta noiteabro a janelae recebo a visita do demônio.Juntos travamos um pequeno diálogoacerca da destruição do mundo. Depois percorremos os cemitériose os ninhos dos pássaros agourentos,respiramos o hálito da mortee compactuamos da miséri
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#012 – ATÔMICO
. Nossos filhos nascem cegospela poeira do nosso tempo.Nós ainda enxergamosporque já entendemos o mundoa partir da poeira que há nele,e que não nos incomoda muito.Areia (À Fragmentação da Pedra)
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#011 – Quando acordei do coma parece que entrei num pesadelo
Quando acordei do comaeu já não tinha maisa mobilidade de antes.Olhei para as paredesde vidro do isolamentoe já não tinha a mesma visãode antesa mesma audiçãode antes. O mundo parecia ser outro. Perna e braço direitosestavam paralisados,dormentes e um sonode l
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#10 – TECNO-POEMA
. – Fala o poeta de vanguarda: A estrutura do verso está invertida em meu caleidoscópio. Preciso de uma máquina rápida e perfeita para fazer uma circuncisão mental: “Quero que a estrofe gravada ao jeito do vídeo cassete saia nítida, sem um defeito”. – Fala a c
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#09 – EXPURGO
hoje eu mordium chumaço depapel higiênicopara estancar(ou tentar conter)o sangramentoda língua dilacerada:como um cadáverantecipado que devorao seu próprio sudário. Um Andarilho Dentro de Casa
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#08 – A Ilha
. A ilha com seu silênciome comunica a mortedos seres espectraisque nela vivem ou já viveram. A ilha cercada por manguesé um poço de lama e óleo. Os pescadores da ilhame comunicam o fimdos pescadores da ilha. Os pescadores da ilhame apresentam a pesca de um di
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#07 – ANDARILHO DEITADO
. cheguei cansado para deitarsobre a cama de papelão no chãoe debaixo da marquise gotejante. uma poça de água da pingadeirasobre o passeio do mercado desativadoonde dormiam indigentes à espera do fim. dormir é dócil como o bebê embriagadodesapercebido dos plan
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#06 – O SOM DO SILÊNCIO
. “sob a luz de neon, o silêncio cresce como um câncer.as pessoas se curvaram e rezarampara o deus de neon que elas criaram.as palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrôe nos corredores do cortiço”Simon & Garfunkel era a noite fria e chuvosa
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#05 – A Besta de Gevaudan (*)
. “entre os anos de 1764 e 1767 os habitantes da pequena província francesa de Gevaudan, atualmente parte de Lazere, próximo das montanhas Margueride foram aterrorizados por uma criatura lupina que passou a ser conhecida como La Bête Du Gevaudan ou “A Besta de
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Poesias de 1 a 99: 04 – O Piso da Minha Alma
#04 – O Piso da Minha Alma . ressoam em meu cérebroecos de canções que eununca escreverei jamais. mas existem em mimcomo acordes tangíveisdo que se aspira a ser. à sombra do músico adormecidoeu vivi a minha vida inteira assimdisfarçado de poeta como se f
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04# – RÉQUIEM I Estou hoje caladocomo se houvesseroubado o silênciodos mortos. Estou hoje tranquilocomo se a calmafosse um atributodos homens enfermos. Estou hoje festivocomo se estivessenuma festa, e lúcido,como se a lucidezfosse a própria festa. Estou
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#03: Paredes Estou cercado de objetossem expressão ou significados(utensílios para o desempenhode um trabalho sem utilidade).Tenho as mãos ocupadasna tarefa de preenchero vazio com papéisde números impressos.A cabeça gira à procurade lembranças que possamdesvi
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