Sabe aquele dia que a gente acorda meio piegas, sentimental demais, como se tivesse engolido um coach motivacional junto com o café? Se nunca acordou assim, por favor, me indique o remédio, porque eu sou refém dessas crises.
Pois foi numa segunda-feira dessas que eu acordei cafona demais, abri o Facebook e vi a clássica pergunta: “O que você está pensando?” Sem pensar muito, mandei logo:
“Eu ando me escolhendo todos os dias, mesmo quando pareço a pior opção.”
Postei.
Saí para trabalhar. No ônibus, entre aquela multidão hipnotizada pelo celular, peguei o meu para checar… zero curtidas.
Z-e-r-o.
Fui olhar meu perfil, contei uns 500 amigos. Pensei: “Uau! Quinhentos amigos e nenhum tem tempo pra mim?”
No WhatsApp, mandei a mesma frase para o grupo da família, para uns amigos… No almoço, conferi: muitas setinhas azuis, nenhum comentário. Silêncio sepulcral.
Tentei o Instagram: “Eu me escolho todos os dias. Mesmo não sendo a melhor opção.”
Daí um amigo velho conhecido, aquele tipo que adora bancar o engraçadinho, respondeu no privado:
“Quando você posta que já superou tudo, a gente sabe que você tá fingindo.”
Poxa, ele me respondeu com meme e tudo.
Eu, no Uber, voltando pra casa, quase seis da tarde, pensei:
“Que opções eu tenho, cara pálida? Viver de likes? Não, né?”
A verdade é que a gente não escolhe muito não. O careca não escolhe ter cabelo igual ao do galã da série. Eu, com a barriguinha de chope, não escolho ouvir todo almoço aquela piada: “Tá esperando bebê?”
Queria que a barriguinha sumisse por osmose, abdução, qualquer milagre. Mas não rola.
Então, a saída é fazer as pazes com a careca, a barriga, e os 500 amigos que não curtiram meu post.
Voltei lá e apaguei a mensagem motivacional. Ninguém viu, ninguém sentiu. Tudo certo.
Se alguém tivesse curtido, seria outra crônica. Mais bonitinha do que esta.