*— Quando a tecnologia resolve mostrar quem manda (e vira protagonista da reunião)
O relógio marcava 14h30 e ele estava numa reunião remota de marketing da Agência Pixel & Café*, com o chefe, as meninas do RH, as estagiárias… e até o Padre Marcelo, convidado para “abençoar” o projeto.
O computador, num surto de rebeldia, começou a travar: reiniciava sozinho no auge da reunião, desligava sem aviso e exibia um “fantasma” na tela, como aqueles velhos televisores sem controle remoto. A cada “pix!”, a câmera congelava, o áudio estalava. Ele apertava o notebook e xingava baixinho:
— Mas por que essa porcaria resolveu dar problema JUSTO agora?
— Que máquina maleducada — brincou a esposa, espiando pela porta.
— Para de tirar sarro! — retrucou ela, fingindo indignação.
A mulher folheava o manual, perguntando se ele queria chamar alguém para ajudar. Mas, quando a vontade de rir se tornava incontrolável, corria para o banheiro — deixando o marido ali, brigando com a tecnologia, e voltava com a tensão convertida em gargalhada abafada. Era impagável.
De repente, ele se transformou numa versão caseira de Leandro Hassum — soltando impropérios com todo o carisma que o estresse do momento permitia:
— Mas que máquina mais imbecil, não conhece o que é ética, não sabe o que é dar duro por uma empresa. Quando eu puder, o destino dessa porcaria vai ser a lata do lixo.
Do nada, a reunião voltou. Chefe, RH, estagiárias… e o padre Marcelo ajeitando a batina.
— Eu gostaria que todos ligassem a câmera — disse o chefe.
A câmera decidiu ter vontade própria: apareceu “Permitir câmera?”
— Mas eu permito, ora essa. Pelo amor de Deus. Que máquina mais desumana, sem coração — resmungou ele.
Quando a imagem voltou, inclusive do padre, ele clicou, levantou a mão e o chefe liberou a fala:
— Como eu disse, este projeto vai dar uma alma nova para a empresa, uma chance muito maior de investimentos.
Aí começou o coro dos microfones:
— Você precisa ligar o microfone!
— Tem que ligar o microfone!
— Tem que liberar o microfone!
O som virou um coral desafinado. O padre Marcelo, sereno, balançava a cabeça como se rezasse pela alma da tecnologia — e pelo descanso do homem que virou comediante por instinto.
De repente, ele tirou a camisa, começou a mordê-la, jogoua no chão, pisou nela, gritou, deitouse no chão e esperneou:
— Máquina mequetrefe, computador patife, sirigaita!
Então parou para pensar: “O computador era fêmea ou macho? Qual era o sexo do computador? Na boa, o computador é ele ou ela?” Pensou em perguntar isso ao ChatGPT, mas só depois da reunião.
Afinal, muita gente se refere ao computador como “meu PC”, “minha máquina”. Mas, e aí, o computador é macho ou fêmea? Ele é “ele” ou “ela”? Ou será que é “elu”?
De repente, ele começou a bradar:
— Vão todos, em fila organizada, para o inferno!
— Vai você, chefe. Com esse terno ridículo de pastor de igreja, esse terno de brechó.
— Vai você, sua maluca. Fala mal de todo mundo pelas costas, mas não vai embora porque está dormindo com o chefe.
E, mais do que a camisa, ele tirou a calça e pisou nela, só de cuecas. Parou. Riu de si mesmo. A câmera estava desligada e, com o microfone com defeito, ninguém o veria nem ouviria. Começou a dançar, a rebolar na frente da câmera, a jogar beijos imaginários para a estagiária da assessoria de imprensa. Um verdadeiro “Conga la conga”. Até que o computador decidiu dar o ar da graça: a câmera ligou de repente. Ele, de cuecas, com o dedo indicador na boca.
— Estávamos ouvindo. Disse o chefe.
Ali, mais do que voltar para a reunião, ele queria sumir, desligar o computador, enfiar a cara num buraco. A câmera ligada mostrou o homem congelado — todos boquiabertos, divididos entre a gargalhada e o choque. O chefe pausou a reunião: “Vamos tomar um café rápido.” Na prática, era uma pausa para as risadas, para o fuxico. Depois disso, ele seria o convidado mais esperado no happy hour da firma. Ver um surto tecnológico com final cômico rende boas risadas.
E ali, na hora do aperto, ele aprendeu: nunca se deve ofender um computador. Ter um laptop como inimigo é a pior coisa que existe. Ele pode se vingar e colocar a gente em situações embaraçosas. Mas, aos olhos alheios, a diversão é garantida.