Acaso das Manhãs

  • Poema #45: Saldo

    De cotidianos resíduos
    arrancados na solidão de prisioneiro
    em que todo o meu ser se devora,
    tento compor uma imagem humana
    que me faça aceitável a mim mesmo.

    No silêncio da morte aparente
    na qual me recolho ao túmulo previsto
    não sei com que ânsia mórbida de calma,
    procuro juntar os cacos de culpa diária
    que reunidos formam um apelo ao suicídio.

    E não é só o remorso das manhãs doentias
    pelo que na noite se desfez em delírios
    de humana fraqueza cansada de si mesma,
    é todo um saldo de perdas que tenho que fazer
    e lançar no cômputo geral das misérias minhas.

    De cotidianos resíduos
    recolhidos no isolamento mental de indivíduo
    em que todo o meu ser se liberta,
    tento compor uma imagem poética
    que se faça de ideias e despreze a vida.

    O Acaso das Manhãs

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