Vou te falar, adotar essa postura tem evitado que eu me aborrecesse com mais frequência. Você tira a emoção das palavras e responde praticamente ao pé da letra tudo que te perguntam. Em alguns casos repete a mesma resposta se a pergunta for igual ou bem parecida.
E como é que isso dá certo?
As pessoas ficam sem muita alternativa para conversar porque você tira o espaço para estabelecer qualquer conexão que gere um diálogo mais extenso. Sem agressividade você cria uma barreira de desconforto diante dos demais seres humanos.
Mas ninguém estranha, não acha você meio maluco por causa desse jeito assim…
Assim como? Antissocial.
Ah, bom, é isso pode acontecer. Um efeito colateral dessa postura é, as pessoas ao seu redor, criarem uma imagem pública a seu respeito que varia entre a maluquice e a grosseria. Pode resultar também em um certo isolamento social, sabe as pessoas param de te mandar memes, de te convidar para sair, entre outras atividades da vida em sociedade. Mas tem suas vantagens sim.
E onde isso pode ser vantajoso?
Você se livra do convívio de uma pensa de gente desagradável. Faça as contas, dos corpos humanos que orbitam ao seu redor, o número dos que merecem a sua atenção não cabem nos dedos das suas duas mãos juntas.
Bom, pensando dessa forma eu acho que você tem razoa em parte.
Viu? Essa seleção social é mais fácil se você se portar como uma IA, neutro, sem emoção e irritantemente funcional.
Mas isso não parece com IA.
Isso é o que menos importa porque na percepção das pessoas, por falta de repertório para conseguir definir o que você está fazendo, te classificam como IA. Admito que esse jeito de falar também me remete aquele personagem maravilhoso do cinema.
Qual deles, o robô de Perdidos no Espaço?
O robô não era do cinema, mas da televisão e a voz dele era carregada de emoção.
Então quem?
Hannibal Lecter.
Você não pode estar falando sério.
Estou sim.
O Lecter é o psicopata dos psicopatas.
Ah mas é um grande personagem, concorda?
Claro, totalmente, mas deixa te perguntar uma coisa.
Sim, claro, o que é?
Seu plano de saúde cobre tratamento mental também?