Claudia Valle

  • Divagando

    Reza a lenda que quando os conquistadores espanhóis chegaram à América apresentaram-se montados em cavalos. Os nativos, que nunca tinham visto um animal assim, e muito menos armaduras reluzentes, enxergaram naquilo uma coisa só, meio homem, meio bicho de quatro patas.

    Pode não ter sido bem assim no século dezesseis, mas se os alienígenas aportassem hoje em certos locais da Terra, talvez achassem que o telefone celular faz parte do nosso corpo, uma coisa assim meio homem, meio tela.

    Andar agarrado ao celular é a marca registrada destas primeiras décadas do século vinte e um. Como essa simbiose vai evoluir é difícil prever. Quase sempre a realidade surpreende e contraria as expectativas de quem arrisca um palpite porque a visão do que vem por aí em tecnologia é privilégio de uns poucos gênios. A icônica fala de Steve Jobs ao declarar que as pessoas não sabem do que precisam até que você lhes mostre. Só uma coisa é certa: não há volta atrás.

    O que deslumbra uma geração não causa o menor espanto na seguinte. O que achamos maravilhoso hoje será banal amanhã. No futuro quem se lembrará de que o celular foi inicialmente um telefone, visto que esse é o uso menos comum que fazemos dele? Se é que ainda existirão celulares. E quem se recordará de nós que ainda nos lembramos de onde vem o sentido de rodar um filme ou revelar uma foto?

    E por que isso deveria nos preocupar, já que sempre foi desse jeito?

  • Malta

    Malta é um arquipélago no Mediterrâneo habitado desde cerca de 5200 AC e que foi invadido pelos mais variados povos. Os últimos a passarem por lá foram os britânicos cuja influência vai desde a língua inglesa, que divide espaço com o maltês, até a mão de trânsito pela esquerda. Tornou-se um país independente em 1964 e agora faz parte da União Europeia.

    As principais ilhas são Malta e Gozo, a primeira muito mais turística do que a segunda, mas ambas com sítios arqueológicos importantes. Quem se interessar pelo tema não deve perder as ruínas do templo de Hagar Quim datadas entre 3200-2500 AC. As construções desde os templos pré-históricos até hoje usam predominantemente a pedra calcária, a única encontrada na região. O pequeno e bem estruturado museu, The Limestone Heritage, ilustra a extração e o uso dessa pedra.

    Os malteses afirmam que por sua posição estratégica Malta foi o local mais bombardeado da segunda guerra mundial: localizada perto da Sicília e do norte da África era uma base valiosa para os britânicos e seus aliados. A reconstrução respeitou a arquitetura original e agregou elementos modernos de forma elegante. Pequenos balcões fechados e coloridos enfeitam as fachadas das casas dando às ruas um ar bastante peculiar. Valeta, a capital, é vibrante e muito bonita. Próximas ficam Vittoriosa, Cospícua e Senglea, conhecidas como as três cidades, igualmente interessantes. A costa é toda recortada e compõe cenários marítimos deslumbrantes. Há muitas marinas e passeios de barco disponíveis, uns que mostram vistas da cidade e outros que levam a grutas de águas azuis. No interior também é imperdível visitar Mdina, linda cidade com muralhas e palácios do século XV, Rabat onde existem catacumbas e Mosta com sua Rotunda que tem o terceiro maior vão livre do mundo. A história de Malta é fascinante.

    Em Valeta fica a sede dos Cavaleiros da Ordem de Malta, ou Cavaleiros de São João Batista, uma ordem religiosa fundada no Século XI como ordem hospitalar para acolher os feridos das cruzadas e que mais tarde se transformou em ordem militar; atualmente é uma organização humanitária. Restou uma grande Enfermaria que hoje é usada para fins culturais e vale a pena conhecer. Visita obrigatória é a Co-Catedral de São João Batista, em homenagem ao patrono da ordem, onde há obras de Caravaggio, um pintor excepcional e um encrenqueiro idem que se refugiou em Malta para escapar dos inimigos. Associada à ordem está também a famosa Cruz de Malta de oito pontas.

    Como destino turístico Malta, com menos de quinhentos mil habitantes, foi uma grata surpresa. Ponham na lista.

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