Nas redes sociais, dois vídeos chamaram a atenção por uma curiosa semelhança, embora, nos fatos, sejam opostos. Em um deles, é o policial quem se derrete diante da presença de um vira-lata; no outro, é o ladrão.
Começo com um aviso direto: não gosto de ladrão. Para mim, pertencem à escória da humanidade. Ainda assim, convém reconhecer que, por trás de qualquer bandido, há um ser humano e, às vezes, pode correr em suas veias algum vestígio de piedade.
Peço, então, apenas que contemplem as cenas. Há algo nelas que desarmam o olhar. Mesmo diante da lei, o ladrão não se apavora; move-se e deixa escapar um gesto simples de humanidade ao afagar o cãozinho que se aproxima.
Do lado do cão, há apenas inocência. Ele não julga, não investiga, não pergunta pelos motivos da prisão. Aproxima-se como os cães sempre fizeram desde o processo evolutivo: um movimento nobre para melhor compreender o ser humano. Talvez seja justamente isso que nos apazigua, porque, diante de um cão, até um ladrão ainda pode parecer um homem.
Talvez por isso esses dois vídeos, embora contrários em seus papéis, acabem revelando a mesma coisa. O policial e o ladrão estão em lados opostos da lei, mas o cão, alheio, ignora essa divisão.
Os filósofos antigos costumavam dizer que a natureza revela aquilo que as leis escondem. Diógenes, o velho cínico que preferia a companhia dos cães à dos homens, acreditava que a verdade se mostrava justamente nas coisas simples. Talvez haja algo disso nessa cena: o cão não absolve o crime nem condena o criminoso. Apenas se aproxima e, nesse gesto silencioso, faz aparecer aquilo que ainda resta de humano em nós, mesmo onde a vida já parece ter fracassado.
Os cães apontam a salvação; o que falta a muitos é entender esse alerta.
Assista ao vídeo: