Ando com muita pena das minhas orelhas porque as pobres estão ficando de abano. Daqui a pouco vou precisar de uma plástica.
Eu já havia detectado o problema por causa dos óculos que as coitadas são obrigadas a suportar e dos brincos que uso desde sempre. Mesmo tentando que ambas as coisas se tornassem cada vez mais leves, sentia que minhas orelhas se vergavam aos poucos, com uma contribuição nada desprezível da facilidade com que as cartilagens, e quase todo o resto do corpo, vêm abaixo com o passar do tempo. E a agravante de que na família há vários casos de surdez por velhice, o que torna grande a chance de no futuro acrescentar um aparelho auditivo a tudo isso.
Para completar o quadro, agora as orelhas ainda têm que aguentar os elásticos e o peso das máscaras que usaremos permanentemente até sabe-se lá quando. É penduricalho demais para as frágeis orelhas.
Médicos e outros profissionais de saúde vão dizer que isso não é nada comparado com a situação deles, forçados a usar máscaras durante horas. Compreendo que seja difícil, mas há uma grande diferença: tais pessoas escolheram a profissão e já sabiam das desvantagens. No nosso caso foi o tal do corona, com quem já estou perdendo a paciência, que nos trouxe esse sacrifício extra.
Aguentem firme, orelhinhas! Vai passar.