Deixar de ser cúmplice da vida
de outros que em mim personificam
a parcela da culpa que subtraio
do erro coletivo e meu, individualizado.
Obscurecer o reflexo do sofrimento
de homens que não vejo em presença,
mas que em espécie me julgam digno
de vê-los (como testemunha da morte
sem remissão de si) em que se abrigam.
A desvisão do homem como forma de se
desviar do mundo, numa covardia anônima
de se cegar para o que há de recíproco
no duplo ato de existir e ser responsável
por esta morte latente, usada como escudo.
Mantendo a essência que não explico
mas sei que existe onde deixo
de existir para ser parceiro da vida,
criação simbólica do gesto de um deus
não conclusivo, que se deu por satisfeito
em seu cansaço.
Areia (À Fragmentação da Pedra)