Divagando

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    Reza a lenda que quando os conquistadores espanhóis chegaram à América apresentaram-se montados em cavalos. Os nativos, que nunca tinham visto um animal assim, e muito menos armaduras reluzentes, enxergaram naquilo uma coisa só, meio homem, meio bicho de quatro patas.

    Pode não ter sido bem assim no século dezesseis, mas se os alienígenas aportassem hoje em certos locais da Terra, talvez achassem que o telefone celular faz parte do nosso corpo, uma coisa assim meio homem, meio tela.

    Andar agarrado ao celular é a marca registrada destas primeiras décadas do século vinte e um. Como essa simbiose vai evoluir é difícil prever. Quase sempre a realidade surpreende e contraria as expectativas de quem arrisca um palpite porque a visão do que vem por aí em tecnologia é privilégio de uns poucos gênios. A icônica fala de Steve Jobs ao declarar que as pessoas não sabem do que precisam até que você lhes mostre. Só uma coisa é certa: não há volta atrás.

    O que deslumbra uma geração não causa o menor espanto na seguinte. O que achamos maravilhoso hoje será banal amanhã. No futuro quem se lembrará de que o celular foi inicialmente um telefone, visto que esse é o uso menos comum que fazemos dele? Se é que ainda existirão celulares. E quem se recordará de nós que ainda nos lembramos de onde vem o sentido de rodar um filme ou revelar uma foto?

    E por que isso deveria nos preocupar, já que sempre foi desse jeito?

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