Quando surgiu o papo de que 60+ era a melhor idade, eu não levei a sério. Julguei se tratar de ironia social ou brincadeira de mau gosto.
A maioria de nós, obviamente, não deseja morrer. Mas, daí a achar que a velhice é a esperada sobremesa ao final do jantar, já é demais.
Envelhecer, decerto, não é o fim do mundo, mas exige traquejo e criatividade para que o processo seja vivido como percurso e não como chegada.
O discurso social não facilita o trabalho nem suaviza o trauma: você ainda está se familiarizando com as rugas, com o ganho de peso, lapsos de memória, ressecamento generalizado e já se depara com a placa de sinalização da vaga para idoso. Pelo amor de Deus, aquele boneco envergado, de bengala, é um algum tipo de mau presságio? Me causa calafrios de horror. Não teria outra forma de nos representar?
Ouvi dizer que um supermercado aqui no Rio vai adotar outros símbolos como. por exemplo, um boneco surfando ou jogando tênis para sinalizar a vaga de idoso em seu estacionamento. É bem verdade que a figura do esportista está longe de me representar, mas prefiro. Pelo menos, me inspira. Além disso, a médio prazo, iniciativas como essa ajudarão a “descriminalizar” a velhice.
Sabemos que envelhecer não é um exercício de baixa intensidade, pelo contrário, é uma acrobacia de alta complexidade. Para executá-la é preciso treino e persistência.
Pensando bem, gosto da ideia de ter um(a) acrobata como símbolo da vaga de idoso. Como segunda opção, sugiro aquela trave de equilíbrio, o cavalo com alças ou as barras assimétricas da ginástica olímpica. Também simbolizam bem o desafio dessa fase da vida. Envelhecer é um exercício árduo. Nos exige foco, controle emocional e, acima de tudo, uma vontade enorme de bater recordes, vencer e escrever seu nome na história.