Não tem nesse mundo quem nunca escutou falar que as palavras têm poder, seja para tornar realidade o que estava no campo dos sonhos, seja para elevar ou destruir alguém. Eu mesma lembro de algumas palavras que, atiradas contra mim, me fizeram sangrar por um tempo, assim como guardo na memória outras que funcionaram como unguento.
Além do poder que lhes é peculiar, acredito, que elas também possuem altura, largura e profundidade, mas nem sempre nos damos conta.
Exemplo disso acontece quando, ditas numa conversa, são capazes de inaugurar sentidos (largura), iluminar e fomentar ideias (altura) ou promover conexões, interpretações que abrem estradas para as emoções (profundidade).
Mesmo cientes do seu poder de cura, não devemos esquecer de que, no bolso, as palavras carregam uma lâmina de corte afiada.
Quantas vezes usamos a navalha sem intenção? Porém, para quem escuta, a ausência de motivação para a hostilidade não diminui a gravidade do ferimento. Daí a importância de se ter cuidado ao manipular a faca afiada.
É comum ouvirmos o álibi: “esse é o meu jeito de falar, foi sem querer, não me leve a mal.” Levamos sim! Ninguém merece arcar com o custo da falta de coragem de mudar, seja de quem for. Fala sério!
A palavra não é o pijama velho que vestimos para dormir. Não, ela é tecido delicado, fino, requer cuidado e manutenção. Senão, encarde e perde seu encanto e beleza.
Toda palavra é feita de pétalas e espinhos. Prestemos atenção na forma com que entregamos cada rosa no nosso dia a dia.