fast foods

  • Veganismo

    O costume de consumir cadáveres de animais grelhados, vulgarmente conhecidos como ‘churrasco’, está encravado em nossa civilização, associado a um congraçamento pagão, envolvendo farra, uma informalidade ligeiramente transgressora e, não raras vezes, embriaguez.

    Os propalados malefícios da carne, especialmente a vermelha, à saúde não parecem sensibilizar as pessoas, com hábitos de cultura alimentar arraigados e pouco propensas a abrir mão do primitivo prazer carnal. É inimaginável um encontro da patota no fim de semana para assistir futebol e tomar cerveja, tendo à mesa um prato de tofu grelhado com broto de feijão ao molho shoyu.

    Um método poderoso de tornar-se vegetariano é fazer uma instrutiva visita a um matadouro ou a uma avícola, a fim de presenciar in loco o espetáculo grotesco de como os pobres e pacíficos animais são assassinados para que lhes seja arrancada a carne. Carnificina! Se o estômago aguentar a experiência, pelo menos, nunca mais vai apreciar uma picanha da mesma maneira. Não pesando na digestão, pesará na consciência. A carne não mais descerá impune.

    Ao contrário do que acontece quando nossos dentes dilaceram um pedaço daquele tecido muscular, portador do terror da morte em suas entranhas, a conexão nutricional com os frutos da terra é um enlace com a vida. Ainda que uma planta possa conceder sua vida para nos fornecer alimentação, não há sofrimento e dor nessa entrega.

    Quando a cadeia alimentar realiza-se entre o animal homem e o vegetal, o ciclo da vida fecha-se de maneira conservativa. É sabido que a pecuária é uma das atividades mais impactantes sobre o meio­-ambiente em termos de devastação de florestas, utilização de insumos e efeitos sobre o aquecimento global. Esta razão já seria suficiente para repensar os hábi­tos alimentares: adotar uma prática ambientalmente correta.

    Ingerir vegetais é trazer o espírito da selva para dentro do corpo. Interagir com a natureza, extrair dela a essência da vida, integrando-se ao espírito de Gaia. É resgatar nossa dí­vida com o planeta, contraída nos descaminhos da civilização que descambou para práticas antropo­cêntricas. É conectar-se com o Universo e com Deus. E seja lá Ele quem for ou onde estiver, estará a léguas dos fast foods, das praças de alimentação e do alvoroço que cerca refeições feitas às pressas nos shoppings da vida.

    A prática básica que leva a essa ruptura é a inserção da salada nas refeições. Tenras folhas de alface, escarola, rúcula, agrião, colorizadas por fios de beterraba e de cenoura, brotos de alfafa e fatias de tomate caqui, regadas com azeite, sal e limão. Uma salada no almoço instala um oásis interno e capacita-nos a voltar com leveza à aridez da vida cotidiana.

    Substituir folhas verdes frescas por ali­mentos industrializados, cheios de aditivos e conservantes, é, com perdão da expressão, um ‘desplante’!

    Para reverter essa situação, uma boa técnica é um banho estomacal verde. Saturar o organismo de clorofi­la. O ideal é já começar o dia com um suco detox. É o sabor da vida descendo pelo gogó até se instalar refrescante no estômago. Ao sair do liquidificador ou do processador, é possível entrever uma aura verde fluir energeticamente do interior daquele líquido espumante, provinda da fusão de elementos vitais que concorrem para a mistura exta­siante. Parecemos estar sob o efeito do pó de pirilimpimpim. O perfuminho da clorofila remete ao mistério das florestas tro­picais virgens. Com algum esforço, é possível ver duendes e fadas bailando em torno do copo. Um exército de micronutrientes transporta­dos pelo caldo da trituração invade o intestino e instala a livre circulação no aparelho digestivo.

    Se você estiver anestesiado pelo sabor edulcorado do açúcar e do ciclamato dos refrigerantes, ener­géticos e outras drogas industrializadas, é preciso um estágio antes de receber o choque verde de Avatar. Procure ir introduzindo elementos naturebas no cardá­pio. É preciso ‘implantar’ em nosso organismo o sabor das florestas tropicais. Aos poucos. Não adianta botar o carro de alfaces na frente dos bois.

    Voltando à vaca fria, uma sugestão seria adotar dieta vegetariana nos presídios. Certamente essa medida aumentaria a taxa de regeneração, além da economia para o contribuinte, já que alface é bem mais barata que coxão mole. A carne insufla a violência. Rituais de brutalidade combinam com álcool e carne. Alguém já viu um estupradorvegetariano? Um criminoso que passe cinco anos comendo legume e arroz integral seguramente terá maior chance de retornar à sociedade em melhores condições de amar a vida e respeitar o próxi­mo.

    Talvez seja só uma utopia. Mas tenho a convicção de que um futuro melhor não depende apenas de mudanças político-sociais. É preciso uma revolução pessoal em que cada indivíduo conceba o mundo de maneira mais solidária aos demais seres vivos. A dieta vegetariana ou vegana faz parte dessa transformação.

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