Para Matheus, meu filho.
Para Francisco, seu avô.
Matheus fez trinta, a vida falou sem gritar,
o corpo avisa, a alma aprende a escutar.
A dor não pede licença: entra e ensina,
quem ama, simplifica, ampara e ilumina.
O tempo é lavrador: ara a gente por dentro.
Quem aceita o sulco, colhe entendimento.
Fala, meu filho, que hoje o verbo é ouvir,
ouvir é cuidar: verdade a seguir.
Se o fardo pesa, nós dois vamos dividir,
a coragem é quieta, mas sabe resistir.
O vô plantou raiz pra eu não me perder,
agora, contigo, aprendo a renascer.
Eu, que era resposta antes da pergunta,
descobri que o amor é a pausa que junta.
“Pai, respira. Vai no passo que dá.”
No teu conselho simples, mora o verbo amar.
O vô dizia: “Filho, firme o pé no chão,
tradição é mapa, futuro é direção.”
Tudo passa, menos o que a gente passa adiante,
mesa posta, fé breve, silêncio constante.
Três tempos, uma voz: o que foi, o que é, o que vem,
sertão por dentro, onde a gente se mantém.
Ouça, filho, o pai está aqui,
a escuta é a forma mais pura de dizer “estou”.
Se a vida insiste, a gente insiste em si,
com o vô na lembrança, o amor que nos guiou.
Raiz bem funda abraça qualquer vento:
pai, filho e avô: três nomes do mesmo tempo.