Andar pelas ruas de Paraty, nesses dias de FLIP, tem me feito pensar na realidade farta que o anonimato esconde ou sufoca.
Quantas histórias caminham na gangorra dessas pedras? Quantas dúvidas, decepções e sonhos se escondem nas frestas desse chão?
Da ponte, vejo o movimento de toda gente. Um ir e vir de esperanças, desistências e vaidades se misturam ao cheiro de pipoca, espetinhos e algodão-doce. Poetas, artistas e músicos oferecem sua arte, clamam por atenção, enquanto o povo passa pronto para reverenciar os que já estão abençoados com o sucesso, que uns saboreiam e outros já não suportam mais.
Quantas histórias, letras e poemas são sepultados antes de ver a luz do mundo? Quem tem o poder de decidir entre os que serão salvos, batizados e conduzidos ao trono do reconhecimento e os que serão sacrificados?
Sigo para o auditório central sem saber direito se trago comigo dois natimortos ou se meus bebês ainda estão na incubadora, esperando por quem possa salvá-los com o olhar.