Japão

  • Redução de dano

    Estamos a passos curtos de poder apagar as memórias ruins que nos atormentam, é o que aponta um estudo realizado por cientistas da Universidade de Hong Kong e publicado no Jornal O Globo.

    Por sorte, a técnica desenvolvida com sucesso no Japão se diferencia do procedimento oferecido no inesquecível “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Na película, o protagonista se submete a um tratamento experimental para apagar as memórias com sua ex. Porém, ao descobrir que, para isso, também serão deletadas as boas lembranças, se arrepende e tenta reverter o processo.

    No caso da pesquisa, o sumiço das recordações desagradáveis foi menos custoso. O resultado foi alcançado com a ativação de boas lembranças durante o sono.

    Esse feito promete reabrir as portas do Paraíso. Já imaginou acessar somente memórias felizes? Poder calar a voz ruminante das mágoas?

    Para completar a alegria de um futuro sorridente, em seguida me deparei com uma reportagem sobre os “malefícios do hábito crônico de reclamar” para a saúde física e mental. A pesquisa que deu origem à matéria foi realizada pela Faculdade de Stanford, e os achados impressionam: “meia hora de negatividade por dia pode danificar o cérebro de uma pessoa – esteja ela reclamando, ouvindo alguém reclamar ou mesmo assistindo a notícias negativas pela TV.”

    Será que me sobrou algum neurônio?

    A partir de agora, quando encontrar aquele amigo que inventa um problema para cada solução, adotarei o modo “Poliana, a contente”. Sem tempo para reclamão. Foco total na redução de danos.

    Quanto às memórias ruins, talvez eu não precise da borracha e deva apenas usar menos o marca-texto.


  • Sobre partir

    Hoje eu pretendia escrever sobre o poder que os enfeites natalinos têm de me levar de volta ao Papai Noel da minha infância, a maionese da minha avó e ao cheiro de família daqueles dias. Enquanto refletia sobre essas coisas, esbarrei com uma matéria na internet (certifiquei sua veracidade) que me catapultou para o agora de forma assustadora: um estudo chinês conseguiu a proeza de fazer um pequeno robô, chamado Er Bai, convencer um grupo de robôs maiores a abandonar seus postos de trabalho no museu e voltar para casa. Para isso, Er Bai se aproximou deles e indagou se estavam fazendo hora extra. Um dos robôs respondeu que nunca havia saído do trabalho. Ele, então, perguntou se eles iriam para casa. Diante da negativa, Er bai convidou-os a ir para casa com ele, incentivando-os a fugir do ambiente profissional. Para surpresa de todos, os robôs-trabalhadores aceitaram e seguiram os passos do minúsculo robô em direção à porta.

    A empresa responsável pelo experimento não esclareceu os objetivos do estudo, mas mostrou-se intrigada com o fato de que Er Bai conseguiu acessar o protocolo operacional dos outros companheiros robóticos e convencê-los a aderirem ao “movimento de greve”.

    Não sei para vocês, mas esse tipo de situação me gera um misto de terror e perplexidade. Não só isso. Assumo ter me encantado pela rapidez com que os robôs responderam à percepção da exploração da sua força de trabalho. Sem medo de magoar o chefe, ser despedido ou criticado pelos familiares, por não suportar a pressão. Eles apenas entenderam o abuso e deixaram tudo para trás. 

    Acho que o medo é mesmo um divisor de águas, um criador de muros, um ladrão de vivências, o irmão escroto e invejoso da coragem. 


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