José Dias

  • Reencontros

    Reencontrar alguém é como ganhar presente de Natal antecipado, de aniversário ou de amigo oculto. É como se, de certa forma, fosse possível voltar ao passado, reviver um tempo antigo de alegrias e ingenuidade.

    Outro dia reencontrei uma amiga que não via há três ou quatro anos. Ela é médica e, há vinte anos, ajudou a criar um grupo de teatro para adolescentes. Na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, naquele campus cheio de árvores e flores, vivi alguns dos momentos mais lindos da minha adolescência. Uma vez por semana, às terças, sentávamo-nos no chão com folhas de papel A4 e canetas, escrevendo juntos peças de teatro. Duas vezes por ano, apresentávamos as peças — podia ser no campus da Alfredo Balena, podia ser na Pampulha. Foi ali, no final do ano, na Escola de Enfermagem, depois de uma apresentação, que essa médica fez algo que nunca esqueci: leu poemas em voz alta e nos inspirou a fazer o mesmo.

    Anos depois, num sarau em Santa Tereza, aqui em Belo Horizonte, revi essa médica. Cheguei cedo, escolhi uma mesa e esperei. De repente, a vi entrar com a irmã, que também é poeta. Fui até elas. Nos abraçamos. Sentamos juntos. Foi como se tudo voltasse: escrever peças, apresentações de fim de ano, rodas de conversa — e eu ali, menino de novo.

    Aí pude dizer, como um personagem antigo de Machado de Assis, o José Dias, de Dom Casmurro: “A vida é lindíssima”.

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