Nem sempre é céu de brigadeiro

  • Nem sempre é céu de brigadeiro

    Passeando pelo Instagram e lendo as primeiras linhas daquelas matérias aleatórias, esbarrei em uma que capturou a minha atenção: um britânico de 52 anos, Malcolm Myatt, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) e perdeu a capacidade de sentir tristeza. Meu primeiro pensamento foi: que sorte poder viver no conforto da alegria, não se abalar com os sacolejos do destino, se decepcionar com os invejosos, acordar com os olhos inchados de mágoa. Estava quase acreditando que há males que vêm para o bem quando descobri que essa alegria eterna é acompanhada de uma diminuição da capacidade de interpretar as relações, seus códigos e demandas. Na contramão dos ganhos, Malcolm apresenta um comportamento socialmente inadequado (para quem?). Faz piadas em velório, comentários constrangedores em qualquer ambiente, fala o que vem à cabeça, sem se preocupar com as consequências (talvez isso contribua para sua persistente alegria, não?). 

    Por fim, me convenci de que um estado de alegria inabalável depende de um estado de alienação absoluta. Um desligamento dos motores, das turbinas. Um infinito vagar à deriva num mar exaustivamente azul. 

    Quero não. Preciso sentir o embalo das ondas, a revolta do vento e depois descansar no cais. 

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