orixás

  • 9ª Escola a Desfilar: Paraíso do Tuiuti – Lonã Ifá Lukumi

    “Ibarabô, agô lona/ Olukumí/ Iboru iboya ibosheshe/ Canta Tuiuti!”. Agô Ilé, início esse texto pedindo licença para comentar sobre o enredo da Paraiso da Tuiuti em 2026. Esses belos versos de um refrão em Iorubá que serão cantados pela escola na Sapucai, em 2026, revelam diversos aprendizados que fazem do carnaval uma festa necessária para o aprendizado.

    No Brasil. É muito comum a associação direta dos Orixás a todas as religiões de matriz africana. No entanto, o culto a essas divindades é uma característica partícular dos povos denominados Iorubás. Vamos conhecer um pouco dessa história?

    Quando Olodumaré. criador do mundo, soprou o Emi para que fosse criado, por Obatalá o primeiro ser humano, Orunmila tudo assistiu. Nesse momento, todos os seres foram conectados aos Orixás. Orunmila recebeu, de Olodumaré, a missão de ser porta-voz do oráculo de Ifá guiando a humanidade pelos bons caminhos.

    Após essa tarefa, Orunmila, na cidade de Ilé Ifé, transmitiu o conhecimento do oráculo de Ifá para os Babalaôs que aprenderam a decifrar suas mensagens.

    Então, foram eles os responsáveis por disseminar a mensagem do Ifá pelo mundo.

    Por meio da escravidão, essa tradição chegou ao continente americano, mais precisamente a ilha de Cuba, lugar onde os escravizados trabalharam em fazendas de cana e café e lutaram contra a injustiça da colonização.

    Foi nessa local onde o Ifá Cubano, também chamado de Santeria para fugir da perseguição, criou suas raízes e se transformou em um culto bastante popular na ilha até os dias de hoje. Essa popularidade chegou ao Brasil onde, conforme já mencionado, os Orixás são imediatamente ligados as religiões africanas, embora nem todas elas os cultuem.

    O enredo da Tuiuti é riquíssimo, fator que torna a missão de resumi-lo em um texto limitado do Instagram bastante ingrata. No entanto, só por esses detalhes fica claro que a escola vem com ricos ensinamentos. Ansioso para ver o desfile?

  • A beleza do mundo, hein, tá no Gantois!

    Amanheceu e Janaina, cantarolando Dorival Caymmi, se preparou para mais um dia de trabalho na entrada do Casa Espiritual do Gantois. Mais que depressa, arrumou a cesta com os alimentos responsáveis pela manutenção da energia dos orixás e que servem de caminho entre o céu e a terra: os frascos embrulhados de vermelho com azeite de dendê, as trouxinhas brancas onde colocou o vidrinho de álcool e alguns recipientes para o vinho, o mel e o fumo preto. Além disso, delicadas essências carregadas de energia, envoltas nos papelotes coloridos, faziam a ligação necessária com cada Orixá, proporcionando ajuda e proteção para o dia que haveria de ser intenso.

    Colocou sua vestimenta branca com barrado dourado e o turbante de crochê azul claro, tecido por uma das filhas de santo. No pescoço, a longa guia de contas azuis e brancas. Azuis para proteção, necessária quando contra os maus-olhados. Brancas, que além de terem caráter refletor do mal, induzem às coisas puras, e boas. Assim preparada, seguiu para a recepção dos que vão em busca das bençãos dos Orixás, sua maior missão no terreiro.

    Sentada em seu posto, ela aguardou a chegada dos iniciados, não sem antes espalhar algumas pipocas como oferenda para o orixá Obaluayê. Os alabês já estavam a postos em seus lugares e começaram, com seus atabaques, a chamar os iniciados para a seção da tarde.

    Uma pessoa se aproximou. Janaina levantou o olhar e foi invadida por uma grande comiseração ao ver seu estado. Teve a sensação de que a fisionomia era familiar, mas não foi capaz de reconhecer. Estatura alta, tórax muito grande para o tamanho do resto do corpo. Cabeleira vasta, mas com alguns tufos queimados. A pele engelhada. A boca seca, o olhar embaçado, a respiração ofegante. Pensativa, ela observou que era uma criatura ainda jovem, extremamente depauperada. Sua capacidade mediúnica a fez intuir que tinha sido castigada pelos maustratos por parte de quem a deveria ter cuidado, nutrido, protegido.

    Se concentrou, fechou os olhos e começou, então, suas rezas: Ó soberana mãe das águas, vinde a mim neste momento de aflição. Com minha fé e devoção, acendo esta vela azul para iluminar meus pedidos e caminhos. Ó minha Ialorixá, intercede por mim à Iemanjá para que ajude a manter vivas as águas que podem nutrir esse corpo desidratado. Que assim seja feita a vossa vontade. Odoyá!

    Ó soberano pai da caça, vinde a mim neste momento de aflição. Ó meu Oxóssi que protege os animais e as florestas, lança seu arco e flexa contra os que matam sem necessidade. Ajude a manter vivas nossas espécies em extinção, e a caça como o alimento que esse corpo precisa para sobreviver. Com seu manto verde orvalhado, cubra sua cabeça já tão devastada. Que assim seja feita a vossa vontade. Okê Arô!

    Ó soberano pai do vento, vinde a mim neste momento de aflição. Ó meu pai Oxalá, que protege o ar que inalamos ajude-nos, descarregando todas as impurezas jogadas na atmosfera pela ambição do homem. Com suas vestes brancas, lava esse rosto asfixiado, para que seu pulmão volte a respirar. Que assim seja feita a vossa vontade. Êpa Babá!

    Para poder anunciar, então, a entrada do visitante no Gantois, onde receberia a benção da Mãe Menininha, Janaina pediu que o visitante dissesse o nome. Ao que ele respondeu: Brasil.

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