Eu estava de tocaia na praça em frente à sua casa
aí ela chegou de bicicleta e quando foi abrir a porta
eu ataquei, agarrando-a por trás e já sentindo o delírio
daquelas carnes macias que me foram negadas em vida.
Havia crianças por perto e então eu achei melhor
interromper o procedimento e levá-la para um lugar
escuro e deserto e então fomos a um velho cemitério
com ela protestando que preferia estar com uma amiga.
Mas eu havia morrido por causa dela e não era justo
eu não levar nada daquele amor que atravessou décadas
de sofrimento e dor causadas pela sua frieza e indiferença
como quem prende um coração numa jaula suja e planejada.
Nunca era tarde e agora eu a tinha entre os meus braços
dilacerados pelos cortes de navalha que ela havia operado
enquanto exercia as funções de enfermeira-chefe do posto
médico mais próximo e que era uma espelunca dos diabos.
Consegui fugir das trevas do inferno e antes de executar
o intento planejado eu levei as suas filhas para a casa da avó
que morava numa aldeia vizinha de onde tudo havia começado
a cerca de 5 km de distância e já eram trinta e um anos passados.
Depois retirei o seu vestido jeans de zíper nas costas e com cuidado
fui explorando todos os espaços onde a vida fora afinal consumida
entre equívocos e intervalos enquanto que ela não dizia nada como
quem já esperava pelo pior e estava resignada com a morte próxima.
Mas eu estava cansado de conviver com o sangue e só queria o desfrute
daquele momento com ela viúva e única, como se eu fora um lobisomem
apaixonado pela manhã seguinte e então ficamos a noite inteira naquela
e acho que foram umas seis vezes até eu ficar satisfeito e engravidá-la.