Poema #29: Novas Lendas Urbanas Inventadas do Nada

  • Poema #29: Novas Lendas Urbanas Inventadas do Nada

    Eu estava de tocaia na praça em frente à sua casa
    aí ela chegou de bicicleta e quando foi abrir a porta
    eu ataquei, agarrando-a por trás e já sentindo o delírio
    daquelas carnes macias que me foram negadas em vida.

    Havia crianças por perto e então eu achei melhor
    interromper o procedimento e levá-la para um lugar
    escuro e deserto e então fomos a um velho cemitério
    com ela protestando que preferia estar com uma amiga.

    Mas eu havia morrido por causa dela e não era justo
    eu não levar nada daquele amor que atravessou décadas
    de sofrimento e dor causadas pela sua frieza e indiferença
    como quem prende um coração numa jaula suja e planejada.

    Nunca era tarde e agora eu a tinha entre os meus braços
    dilacerados pelos cortes de navalha que ela havia operado
    enquanto exercia as funções de enfermeira-chefe do posto
    médico mais próximo e que era uma espelunca dos diabos.

    Consegui fugir das trevas do inferno e antes de executar
    o intento planejado eu levei as suas filhas para a casa da avó
    que morava numa aldeia vizinha de onde tudo havia começado
    a cerca de 5 km de distância e já eram trinta e um anos passados.

    Depois retirei o seu vestido jeans de zíper nas costas e com cuidado
    fui explorando todos os espaços onde a vida fora afinal consumida
    entre equívocos e intervalos enquanto que ela não dizia nada como
    quem já esperava pelo pior e estava resignada com a morte próxima.

    Mas eu estava cansado de conviver com o sangue e só queria o desfrute
    daquele momento com ela viúva e única, como se eu fora um lobisomem
    apaixonado pela manhã seguinte e então ficamos a noite inteira naquela
    e acho que foram umas seis vezes até eu ficar satisfeito e engravidá-la.

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