Poema #30: A Voz do Silêncio

  • Poema #30: A Voz do Silêncio

    Estou acordado
    e não sonho,
    mas a realidade
    antecipada
    me envolve.

    A barba se me
    desprende do rosto
    fio a fio num frio
    maior onde estou
    me enregelando.

    Tudo se dissolve
    na aparência de ossos
    de que fui formado,
    e que é minha forma
    mais resistente no mundo.

    Mas a terra
    (com seus vermes)
    decompõe ao seu contato
    todo o meu aprendizado
    doloroso da vida.

    E uma cova me absorvendo
    transforma tudo o que fui
    num triste resumo de pó
    que um dia se chamou homem.

    E que lhe deram um nome
    (que tive), mas que a terra
    aterra no tempo o traço
    nominal dessa efemeridade.

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