Poema #31: CACTOS

  • Poema #31: CACTOS

    No meio da tarde
    No meio do mundo
    No meio da sala
    estamos plantados
    como uns cactos.

    No meio da vida
    No meio do sonho
    No meio do amor
    estamos atados
    como uns escravos.

    No meio do caminho
    No meio da raiva
    No meio do medo
    estamos presos
    como uns condenados.

    No meio de tudo
    No meio de nada
    No meio sem meios
    estamos perdidos
    como uns abortados.

    No meio da rua
    No meio da noite
    No meio da merda
    estamos sozinhos
    como uns deserdados.

    No meio de nós
    estamos morrendo
    como os antepassados
    No meio ele mesmo
    estamos vivendo
    como num trabalho forçado.

    Somos uns cactos
    num deserto de homens.

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