Poema #44

  • Poema #44: Numa Janela do Mundo

    As nuvens tecem
    uma história diária
    e sem antecedentes.
    Não sei se pode
    chamar de trabalho
    (o trabalho das nuvens)
    o que parece ser mais
    um deslizar contínuo
    de um sonho que não
    se sabe a si mesmo
    e apenas escorre
    para um vazio profundo.

    Eu, que estou na janela,
    vejo as nuvens
    e não enxergo a razão
    de se estar a vê-las
    sem que se possa
    interferir ou sustar
    a sua indiferença.
    A vida humana é mesmo esse
    estar-sempre-dependurado
    a uma janela da inércia
    fechada para o infinito.

    Inventário de Sombras

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