Poesia de Milton Rezende

  • Poema #39: House Of Dying

    Febre
    Sudorese
    Incontinências
    Vômitos
    Sitofobia
    Excesso de saliva
    Falta de ar
    Palidez
    Convulsões
    Feridas
    Gritos
    Roncos
    Fedor
    Espumas na boca
    Excesso de gás
    catinguento
    Dor no calcanhar
    e cansaço no mesmo.

    Uma pequena lista
    do que somos e
    ainda tem gente
    que se jacta.

    O Jardim Simultâneo

  • Poema #31: CACTOS

    No meio da tarde
    No meio do mundo
    No meio da sala
    estamos plantados
    como uns cactos.

    No meio da vida
    No meio do sonho
    No meio do amor
    estamos atados
    como uns escravos.

    No meio do caminho
    No meio da raiva
    No meio do medo
    estamos presos
    como uns condenados.

    No meio de tudo
    No meio de nada
    No meio sem meios
    estamos perdidos
    como uns abortados.

    No meio da rua
    No meio da noite
    No meio da merda
    estamos sozinhos
    como uns deserdados.

    No meio de nós
    estamos morrendo
    como os antepassados
    No meio ele mesmo
    estamos vivendo
    como num trabalho forçado.

    Somos uns cactos
    num deserto de homens.

  • Poema #29: Novas Lendas Urbanas Inventadas do Nada

    Eu estava de tocaia na praça em frente à sua casa
    aí ela chegou de bicicleta e quando foi abrir a porta
    eu ataquei, agarrando-a por trás e já sentindo o delírio
    daquelas carnes macias que me foram negadas em vida.

    Havia crianças por perto e então eu achei melhor
    interromper o procedimento e levá-la para um lugar
    escuro e deserto e então fomos a um velho cemitério
    com ela protestando que preferia estar com uma amiga.

    Mas eu havia morrido por causa dela e não era justo
    eu não levar nada daquele amor que atravessou décadas
    de sofrimento e dor causadas pela sua frieza e indiferença
    como quem prende um coração numa jaula suja e planejada.

    Nunca era tarde e agora eu a tinha entre os meus braços
    dilacerados pelos cortes de navalha que ela havia operado
    enquanto exercia as funções de enfermeira-chefe do posto
    médico mais próximo e que era uma espelunca dos diabos.

    Consegui fugir das trevas do inferno e antes de executar
    o intento planejado eu levei as suas filhas para a casa da avó
    que morava numa aldeia vizinha de onde tudo havia começado
    a cerca de 5 km de distância e já eram trinta e um anos passados.

    Depois retirei o seu vestido jeans de zíper nas costas e com cuidado
    fui explorando todos os espaços onde a vida fora afinal consumida
    entre equívocos e intervalos enquanto que ela não dizia nada como
    quem já esperava pelo pior e estava resignada com a morte próxima.

    Mas eu estava cansado de conviver com o sangue e só queria o desfrute
    daquele momento com ela viúva e única, como se eu fora um lobisomem
    apaixonado pela manhã seguinte e então ficamos a noite inteira naquela
    e acho que foram umas seis vezes até eu ficar satisfeito e engravidá-la.

  • Poema #27: Uma Poesia a Marteladas

    eu faço versos
    como quem martela
    as sílabas do vocabulário:
    trôpego quase sempre.

    eu faço poemas
    como quem sofre
    as pancadas do destino:
    difíceis como sempre.

    eu sobrevivo
    como quem hiberna
    na escuridão da noite:
    dilacerado sempre e sempre.

    com a música do Led Zeppelin
    “since i’ve loving you”
    para acompanhar
    o meu enterro.

    Da Essencialidade da Água

  • Poema #25: Becos e galerias que se bifurcam em T & L

    A paixão
    é a antessala
    de uma paranoia
    na qual entramos
    com um sorriso largo
    de quem não sabe
    que penetrou num túmulo.

    A Sentinela em Fuga e Outras Ausências

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