Todo mortal que se preze já experimentou, em algum momento da existência, o desejo profundo de sumir sem deixar rastros. Não me refiro aqui a nenhum tipo de ideação suicida. No caso em questão, a pessoa deseja apenas evaporar, ela não quer morrer. Pelo contrário, intenciona viver plenamente, começar do zero, porém, longe do cenário no qual se encontra inserida seja por não suportar as pressões familiares, as cobranças sociais, as relações abusivas, as dívidas, a decepção amorosa, seja simplesmente por sentir o esgotamento psicológico que algumas relações provocam ao exigir muito e retribuir quase nada.
Na maioria das vezes, o desejo de desaparecer nos invade e, depois, catequizados pelas circunstâncias, pelo afeto restante ou pela impossibilidade do feito, ele se esvai. Então, cientes da sazonalidade desse querer, seguimos em frente. Afinal, para que dar espaço ao que não vai acontecer?
Acontece que os japoneses decidiram levar isso a sério, e, pelo visto, já dispõem de empresas especializadas no desaparecimento voluntário chamado por eles de “johatsu”.
O processo é simples: você contrata o serviço e a empresa cuida de tudo para que o sumiço seja bem-sucedido: mudança de nome, de endereço, nova documentação, tudo que for preciso para nunca mais ser localizado pelos indesejáveis.
É fato que até para escafeder-se com estilo é preciso dinheiro. Caso contrário, o jeito é fazer umas gambiarras com o destino, simular umas saídas à francesa, quando possível, inventar umas desculpas para evitar encontros, mas sem muitas garantias de sucesso na empreitada.
Por mais que a proposta possa parecer tentadora, confesso que não tenho esse desprendimento. Continuo acreditando que a melhor forma de resolver é ter a coragem de cortar o que não nos faz bem, treinar a arte de dar limites aos sem-noção e construir as fronteiras necessárias à saúde mental.
Agora já sabemos: se alguém sumir do mapa, contou com a ajuda dos japoneses.