Contemplou em silêncio o burburinho alegre à sua frente. Da mesa de canto no terraço onde estava sentado espiava as demais espalhadas.
A maioria com casais, fora uma grande com seis pessoas. Na sua, permanecia só.
O sol da tarde era ameno e com luz leve. Escondido atrás do telhado da cafeteria, fazia sombra em sua mesa. Enquanto todos tricotavam alegremente sob o sol gentil, ele permanecia silencioso na penumbra.
Uma variedade de sucos, doces, chás e cafés ocupavam os tampos espalhados pelos terraços e eram consumidos distraidamente pelas pessoas. Na sua mesa, seu café duplo demorou a chegar. Veio acompanhado de um biscoitinho de sabor neutro e sem entusiasmo. Melhor se estivesse só, como ele.
Não esperava ninguém, para ser honesto. Estava sozinho, bebendo devagar o café para não queimar a língua.
Estava ali porque se convencera a conhecer o lugarzinho charmoso que abrira há pouco numa rua transversal à sua, ou melhor, aonde ele mora porque não era dono de rua alguma.
Usou a desculpa de conhecer a cafeteria para sair de casa porque decidira que precisava ver a vida em movimento.
E estava vendo. Espectador da alegria alheia, ouvinte de pedaços de conversas que nada lhe diziam. Flashes da vida mundana. Nada além.
Por um momento imaginou que poderia ter alguma companhia para esse café à tarde.
Mas a mínima hipótese de pensar em chamar alguém o fazia mudar de ideia. Suas amizades eram poucas, a despeito de conhecer bastante gente. Conhecimentos que não iam além do mais profundo “alô”.
Suspirou, a tarde terminou de escoar, as mesas próximas ficaram vazias.
A sua, em breve, seria a próxima porque iria embora. Não estava frustrado porque ninguém lhe fizera companhia. Não tinha de se queixar porque ela se atrasou ou não apareceu. Simplesmente, porque não chamara ninguém.
Pensou, mas desistiu. Não queria ninguém para um alô. Nem para um último café.