Viva o Manguebeat

  • 11ª Escola a Desfilar: Grande Rio – A Nação do Mangue

    ‘’Freire ensine um país analfabeto que não entendeu o manifesto da consciência social”. É com esse grande soco na cara que a Grande Rio inicia seu samba enredo fazendo alusão a um dos maiores intelectuais que esse país já teve. Paulo foi teórico que tentou, por meio da educação, ver a emergência das periferias. O Manguebeat, por meio da música, tentou o mesmo. Você conhece esse movimento?

    Manguebeat foi um movimento que surgiu no Recife, no início dos anos 1990, que fazia uma junção de vários ritmos regionais, como o maracatu, o coco e a ciranda, com ritmos já consagrados, como o rock, o hip hop e a música eletrônica. Seu maior expoente foi Chico Science, infelizmente já falecido. Esse movimento tinha como seu principal objetivo criticar a desigualdade social.

    Dessa forma, a Grande Rio vem com um enredo que já deixa claro sua intenção desde o início. Falar sobre um Brasil que, apesar de sempre tentar ser esquecido, emerge das margens e escancara suas mazelas sociais.

    Curiosamente, e felizmente, o faz por meio da arte, meio pelo qual é possível transformar o caos e a lama em riqueza. Essa que não se refere ao dinheiro, mas a cultura.

    Vale a pena recorrer ao próprio texto da sinopse para entender um pouco mais do que esse movimento era, segue o trecho: “A nação do Mangue – o Antromangue idealizado por Chico Science – é a nação dos que festejam como resistência, os que dançam em volta da roda, batem seus tambores, bebem cerveja antes do almoço, pensam melhor, pulsam com as caixas de som, rompem as fronteiras do mundo, creem na arte, na ciência e na natureza das coisas, vestem-se como reis e rainhas, beijam seus beijos, amam seus amores, fazem carnaval, brincam com quem têm que brincar, brigam quando têm que brigar, celebram a vida e, do todo entranhado nos corpos, erguem e honram seus impressionantes castelos de lama’’.

    Ou seja, do ordinário viver comum, emerge algo extraordinariamente rico, poderoso e revolucionário. O Brasil teve e sempre terá essa capacidade.

    Viva o Manguebeat e viva Chico Science!

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