Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.
  • Poesias de 1 a 99

    Poema #10: OUÇO RUMORES

    Ouço os passos do ventoOuço e estremeço… Tempo EntretempoOuço rumores de ventoE penso que sou euo ventoe o rumor Momento…E o meu corpodescolado das palavrasé brisa marinhaAs ondas me invadem uma a umae a sensação da vida e do amor preenchem os espa

    Leia mais »
  • Crônicas

    CORDEL MAIS ENROLADO

    José e Marta. Mas qual Marta? Ainda um nome frágil. João e Maria. Simplista. Vida bruta e comedida. Olho no olho e um arranhão. Árvore de amendoeira. Prisão. José e Marta, ambos, enrolados no chão. Frio, Muito frio com José e Marta. João e Maria, não. O céu nu

    Leia mais »
  • Crônicas

    PROVOCAÇÕES: Crônica das nuvens

    Provocar algo. Provocar alguém. Provocar em alguém algo. Provocar algo em alguém. Simplesmente provocar. Para mim, provocar é o instante em que as coisas, as coisas que de fato interessam, acontecem. Provocar o riso. Provocar a conversa. Provocar o namoro. Pro

    Leia mais »
  • Crônicas

    Uma história de mistério

    Ouve o ruído dentro da noite espessa e se levanta, salta da cama e faz um pedido para si. Não quer encontrar o que quer que seja. Não é nada, um barulho qualquer. É noite e o chão está frio, os pés, o corredor, as mãos… tudo solto no escuro. O ruído é ba

    Leia mais »
  • Crônicas

    A vida da gente

    É tão estranha a vida na Terra… Acho que a palavra turbilhão define bem essa aventura que é viver! Emoções, sorrisos, lágrimas, risadas, encontros e desencontros. A gente erra e a gente acerta! A gente segue! A gente sobe e a gente desce! A gente segue!

    Leia mais »
  • Crônicas

    Crônica apressadinha

    Eu quero escrever uma crônica agora, mas você sabe como é que é… Tenho que fazer isso e fazer aquilo e passar em um monte de lugares e depois de fazer isso tudo, ainda tem mais coisa pra fazer! Espera ai! Uma mensagem chegou! E o olhar para a tela fica c

    Leia mais »
  • Poesias de 1 a 99

    INTERTEXTUALIDADES

    . Um escritor nunca escreve sozinho…Antes, escreve com todas as vozesQue sussurram a todo instantehistórias e versosAcertos e desacertosMelodias e ilhasDesconcertos… Sou Cecília…Oswald, Mário, Carlos… Andrades!Sou também Bandeira! Camõe

    Leia mais »
  • Poesias de 1 a 99

    Poema #9 : Tudo é poesia

    . Tudo é poesiaA agitação da ruaO sinalE a correria!A voz do vendedorO som do dia. Tudo é poesiaA propagandaO chafarizAté a melancoliaO engarrafamentoO papelão pra noite fria. Tudo é poesiaOs menores na esquina,Uma bola ou um limãoAcrobaciaNo alto dos edifício

    Leia mais »
  • Crônicas

    O BICHO LIXO

    As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco. Assim termina A revolução dos bichos, brilhante livro de George Orwell. An

    Leia mais »
  • Crônicas

    Crônicas, Filmes e Fotos

    Em Crônicas sobre uma foto falei sobre o tempo, falei um pouco do passado, falei de memória. Tomei emprestado um verso do grande Manuel Bandeira, “…tempos de eu-menino…” E, também, tomei por empréstimo Pasárgada. Mas o poeta há de entender. Retirei

    Leia mais »
  • Crônicas

    Admirável mundo novo

    Admirável mundo novo: prédios que desafiam a gravidade, veículos que se movimentam cada vez mais rápidos, produtos e aparelhos eletrônicos que prometem revolucionar a vida de todos nós… E compramos e acreditamos e nos iludimos. Admirável mundo novo! Prob

    Leia mais »
  • Poesias de 1 a 99

    #08 – Ofício

    E todo verso que façoUm pedaço de mim está e fica e se vêUm outro ninguém sabe, um laçoque não se sabe onde fica e nenhuma vista lê E toda estrofe que nasceMeus sonhos e verdades lá estãoNum outro canto, outras verdadesNo esquecimento ficarão Quando o poema, i

    Leia mais »
  • Crônicas

    Somos coisa

    De cabeça baixa andamos. Com as mãos nas teclas, dirigimos. Com um dispositivo móvel, atravessamos a rua. E não vemos, não sentimos, não percebemos a própria vida… tão imersos estamos no mundo digital! E consumimos imagens e vídeos e textos os mais varia

    Leia mais »
  • Crônicas

    UMA CRÔNICA PARA ANNE FRANK

    Olá Anne! Bem, eu imaginei diversas formas para começar esta crônica e, na verdade, creio que o melhor começo seja agradecer a sua resistência!   E eu começo com uma pergunta que você mesma faz: “…por que as pessoas não podem viver juntas em p

    Leia mais »
  • Crônicas

    O BALÃO E O MENINO

    Esta é a história de um menino. Não sei o seu nome. Entre tantos meninos que vivem nas ruas, embrulhados pela fumaça dos carros, continuam caminhando. Um menino, um sonho e algumas palavras. Esse menino sonhava com um balão, mas não um balão qualquer, um balão

    Leia mais »
  • Contos

    O NEVOEIRO

    Metáfora. Figura de Linguagem que consiste em comparar dois ou mais elementos de forma indireta. Conforme o dicionário, a metáfora nos presta este favor. Aliás, um grande favor! Sem a metáfora, a imagem do que falamos ou escrevemos não teria a mesma expressivi

    Leia mais »
  • Crônicas

    CRÔNICA CAMONIANA

    Quando dois olhos se olham de uma maneira inesperada e se encontram e se sabem tão íntimos e tão inteiros, sente-se o fogo que arde sem se ver. Quando dois seres se veem próximos o bastante para dizer e celebrar o momento, vive-se o não contentar-se de content

    Leia mais »
  • Poesias de 1 a 99

    6 poemas de Campista Cabral

    #06 – FAZER POÉTICO O primeiro verso é um pouco como o arPalavras soltas, palavras para cá e para láMas mãos cuidadosas vão caçando no brincarE o céu poético se ordena e tudo lá está. O quinto verso, já encorpado, é como a terraPalavras fortes e consistentes q

    Leia mais »
  • Ensaios

    O NARRADOR

    Nós, humanas criaturas, contamos, desde sempre, histórias. Histórias para ninar, histórias para assustar, histórias de amor e outras sem fim, histórias de nós mesmos e histórias para divertir… O fato é que não importa a finalidade, contamos histórias. E

    Leia mais »
  • Crônicas

    A primeira crônica do ano

    Esta é a primeira crônica do ano. Um ano novinho cheio de sonhos e projetos para o futuro! Esta é uma crônica de início. Uma crônica que cheira o novo, como presente recém-aberto, esperando ser tocado, usado, experimentado pela primeira vez… O que imagin

    Leia mais »
  • Crônicas

    Então é natal! 

    ♫ Então é natal!E o vendedor na esquina oferece milhares de produtos aos que passam. E vende-se isso e aquilo! E vende-se com muito brilho! ♫ Então é natal!E as filas dobram, triplicam, numa algazarra somente vista nesta época. Ninguém tem paciência para nada!

    Leia mais »
  • Ensaios

    Um Exercício de Escrita – O Rio e o Pescador

    Como contar um conto? Uma pergunta instigante para mim, sempre viva e colorida no ato de escrever. Contar um conto é construir uma armadilha; pegar um pássaro raro e ouvi-lo cantar; por fim, alegrar-se pelo feito e comemorar. Um conto é um mundo, um mundo repl

    Leia mais »
  • Crônicas

    A minha pátria

    Quando escrevo sobre a minha pátria, eu fico confuso. Penso em tudo que amo e, ao mesmo tempo, penso em tudo que odeio. Quando escrevo sobre a minha pátria, sinto calor, arrepio, felicidade, dor, enjoo, sinto frio… Quando escrevo sobre a minha pátria, a

    Leia mais »
  • Crônicas

    Crônica Burocrática

    A crônica começaria agora, mas é preciso antes que o leitor e o cronista paguem a taxa necessária ao andamento das crônicas. A TADC. Parágrafos são caros. Quando saem do mundo real então! Cada palavra tem seu preço tabelado. Cada figura de linguagem uma alíquo

    Leia mais »
  • Crônicas

    A crônica de todos nós

    A crônica tem todos os rostos: brancos, pretos, asiáticos e mais! A crônica tem todas as cores, odores e sabores que podemos imaginar! A crônica é, como diria o poeta, uma janela para o mar! A crônica tem todas as linguagens e gestos e sinais! A crônica é simp

    Leia mais »
  • Crônicas

    A nossa vida dos outros

    Queremos mais que uma vida. Queremos viver várias vidas. Desejamos ser piratas, mouros, cantores famosos, astros do cinema, reis e cavaleiros. Desejamos ser o outro e nunca nós mesmos. Não reparamos no espelho o nosso rosto… Em que espelho ficou perdida

    Leia mais »
  • Crônicas

    Não existem mais heróis

    Não Existem mais heróis… Estes, ficaram em fotos, figuras coloridas ou desbotadas, ficaram nas páginas de um livro velho, ou então, são relembrados de maneira torpe e fragmentada por aqueles que contam histórias antigas, mas têm já uma memória vaga das coisas.

    Leia mais »
  • Crônicas

    Equilibristas!

    Somos equilibristas! E fazemos isso com muita eficiência e profissionalismo! Não sabemos o tamanho da nossa força até que somos forçados, por circunstâncias várias, a viver a vida nas suas complexas contradições! Como não falar da vida e dos seus altos e baixo

    Leia mais »
  • Crônicas

    A vida pela janela

    Ver a vida pela janela! A janela de casa, com a rua e as pessoas que pintam o cenário de cada dia. Com suas cores e sons! Com seus dramas e tons! A janela do carro ou do ônibus e a velocidade de tudo o que se vê na cidade: placas, cartazes, rostos, histórias…

    Leia mais »
  • Crônicas

    A razão da crônica

    Escrevo esta crônica pensando na razão de escrevê-la! Por que escrever uma crônica? De que me serve a crônica? Mas qual seria a razão de todas as crônicas? Dizem que a crônica é metida a besta porque ora é prosa, ora é poesia, ora é ensaio, ora não é nada… Diz

    Leia mais »
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar