Todas as manhãs o menino verifica, desolado, que seu castelo foi destruído pelas ondas. Quando chega à praia, vê que nada existe além de um monte de areia sem forma. O trabalho que teve no dia anterior desapareceu. Sua arte foi tragada pelo mar e deve estar agora em algum fundo escuro e frio daquela imensidão azul. Com paciência e dedicação, recomeça a tarefa de reconstruir o edifício onde colocará sua fantasia de morar ao lado de reis e princesas. Antes, dirige um olhar de ódio à água que lambe seus pés. Engole as lágrimas e jura que vai se vingar.
À noite, pôs seu plano em prática. Ninguém percebeu quando ele, sem fazer barulho, saiu de casa e correu na direção da areia. Ninguém foi testemunha da batalha desigual que teve início naquele momento entre o mar imenso e um menino armado de espada de brinquedo. Ninguém o viu quando o dia amanheceu. Ninguém o verá nunca mais.