Coluna Cinema

  • Retratos Fantasmas

    “Retratos fantasmas” é um documentário brasileiro que foi lançado no ano de 2023, dirigido, escrito e narrado por Kleber Mendonça Filho.

    Essa obra é muito interessante para que o público amante do cinema brasileiro possa conhecer mais sobre esse genial diretor. Kleber demonstra todo o seu amor pela cidade onde viveu, o Recife, pelo cinema e por suas memórias de família. Por meio desse trabalho, é possível entender melhor quem é ele como pessoa e por qual motivo suas obras tem a riqueza de detalhes como característica.

    É possível ver vários cenários que compõem os filmes dirigidos por esses diretores. No filme, aparecem os cenários utilizados para gravar filmes como “O som ao redor”, “Aquarius”, “Recife Frio” e até mesmo muitas ideias que foram utilizadas em “O agente secreto”. Por meio das histórias que são contadas, é possível perceber que o diretor usa suas vivências para ajudar na construção dos filmes que escreve e dirige.

    O documentário é dividido em três partes. Na primeira, ele fala sobre o bairro de Setúbal, onde foi criado e viveu muito tempo. Aliás, nessa parte é curioso ver que o filme “O som ao redor” foi gravado no apartamento onde Kleber morou. Chama atenção também a influência que Dona Joselice, mãe de Kleber, teve em seu posicionamento de vida e ideológico.

    A segunda parte é um grande mergulho sobre os antigos cinemas do Recife e pelo seu centro da cidade. Ele comenta os processos de metamorfose que a cidade sofreu ao longo dos últimos anos. O trecho já inicia com imagens de antigos cinemas que viraram igrejas, farmácias, shopping centers, e outras coisas.

    A terceira parte foca na transformação dos cinemas em igrejas evangélicas.

    Tudo o que foi falado, demonstra o cuidado de Kleber em construir um documentário com muita pesquisa histórica, afeto e conhecimento técnico. Ele utiliza técnicas de cinema o tempo todo, com destaque para o cinema de terror.

    Dessa forma, “Retratos Fantasmas” é uma obra essencial para entender esse diretor e saber o porque ele é tão celebrado nacional e internacionalmente.

  • O Céu de Suely

    O “Céu de Suely” é um filme brasileiro do ano de 2006, dirigido por Karim Ainouz. Esse filme contou com as interpretações de Hermila Guedes, Marcélia Cartaxo e Zezita Matos.

    O filme inicia com a personagem principal, Ermila, em um campo de terra junto com o pai de seu filho. Nessa cena, a personagem dança com um ar de muita felicidade, enquanto recita as promessas que seu companheiro, Marcelo, fez dizendo que faria dela feliz por ser o grande amor da sua vida. Tudo começa prometendo ser um grande romance…

    No entanto, o céu que Ermila, depois Suely, materializa em torno dessa promessa de seu ex-companheiro logo cai. A personagem, então, aparece retornando a sua terra natal junto de seu filho, Marcelo Jr., com a promessa de Marcelo de em breve ir encontrá-la na cidade onde se conheceram. Daí em diante, a vida de Ermila vira um misto de decepções e… sonhos. Sim, mesmo passando pelas mais diversas crueldades da vida, Ermila jamais deixa de sonhar.

    Essa história espelha a de muitas mulheres no Brasil que, acreditando na paixão, são enganadas pelos seus parceiros e passam a viver a realidade cruel da maternidade solo. Essa tarefa que é cansativa, por gerar a necessidade de cuidar de um ser humano e gerar sustento para o lar, e cruel, mas que mostra a força dessas mulheres diante desses desafios injustos impostos pela vida.

    “O céu de Suely” nada mais faz do que narrar uma realidade. Aquela que se constrói por meio de sofrimentos, mas também muita esperança. Nesse sentido, merece destaque a trilha sonora do filme que é carregada de regionalismo e mostra a riqueza cultural que o Brasil tem.

    Tudo isso que foi comentado, faz dessa uma obra muito interessante para ser lembrada como uma das grandes produções brasileiras. Esse é apenas o segundo longa-metragem de um dos diretores que considero, na atualidade, um dos grandes do cinema brasileiro. Vale a pena conferir.

    O Céu de Suely
    2006 | 16⁩ | Drama
    Sinopse: Para conseguir dinheiro, uma mãe decide rifar o próprio corpo para uma noite de paixão, chocando a cidadezinha onde vive com seu empoderamento feminino. Elenco: Hermila Guedes, Georgina Castro, Maria Menezes, João Miguel, Zezita Matos, Mateus Alves, Gerkson Carlos. Direção: Karim Ainouz.

  • ‘Rio, Zona Norte’: de Nelson Pereira dos Santos

    Retornamos com os comentários sobre filmes brasileiros nesta página, falando sobre o filme “Rio, Zona Norte”, de 1957, dirigido por Nelson Pereira dos Santos. O filme se passa na cidade do Rio de Janeiro e conta com as atuações de Grande Otelo, Jece Valadão e Paulo Goulart.

    Ele conta a história do sambista Espírito da Luz que, após sofrer um acidente em uma linha de trem e ter um traumatismo craniano, tem sua história revelada para o público que assiste ao filme. A trama se desenvolve em dois momentos distintos. Em um deles, são contados os momentos após o acidente sofrido pelo protagonista. No outro, os acontecimentos anteriores a esse mesmo acidente.

    Nelson Pereira dos Santos é, sem dúvidas, um dos grandes expoentes do cinema brasileiro, se não for o maior. Nesse filme, ele faz uma junção da abordagem da arte, por meio do samba, com problemas sociais enfrentados por uma população que, apesar de ter muito potencial e evidente talento, fica à margem da sociedade.

    Espírito de Luz é a representação das injustiças dessa sociedade que não olha com olhos de interesse para quem vem da periferia. Um sambista que tem uma capacidade ímpar de compor sambas, de uma forma que comprova ter nascido para fazer aquilo. Apesar disso, com seu espírito esperançoso e alegre, é constantemente enganado por pessoas que se aproveitam de seu talento para faturar, deixando-o em uma situação de miséria. Quantos Espíritos existiram ou ainda existem nesse mundo?

    Dessa forma, o filme de Nelson se aproxima muito de uma realidade marcada pelas injustiças sociais. Nesse contexto, a fronteira entre ficção e realidade passa a ser uma mera questão de detalhe.

    Essa obra mostra como o cinema brasileiro é rico e pode abordar temas variados de diversas formas. Ainda mais do que isso, só comprova que o cinema brasileiro já tem uma qualidade enorme desde muito cedo. É necessário que valorizemos nossa cultura pretérita para que possamos construir um Brasil cada vez mais carregado de identidade. “Rio, Zona Norte” ajuda a fazê-lo.

    Ficha do filme:
    5 de maio de 1958 No cinema | 1h 30min | Drama.
    Direção: Nelson Pereira dos Santos | Roteiro Nelson Pereira dos Santos.
    Elenco: Grande Otelo, Jece Valadão, Paulo Goulart.

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