Por que falar de amor? Por que falar do amor?
Tantos versos já eu sei… Versos que foram escritos e vistos e sentidos com bocas e ouvidos, com café ou sem café, mas com açúcar e afeto?
Por que falar de amor? Por que falar do amor?
Tantas linhas e parágrafos já eu sei… Linhas que foram exaustivamente escritas e revistas com precisão do olhar? E que amor é esse?
O amor falado, escrito, sentido, ralado, confessado, absolvido e absorvido em todos os níveis e instâncias possíveis!
Há uma necessidade urgente em se falar de amor num mundo confuso e acelerado. Há uma eletricidade na escrita que não cala e que não espera e impõe falar do amor no meio das balas cruzadas, entre os mendigos da esquina e o preço da gasolina.
Por que falar de amor? Por que falar do amor? Porque entre os beijos dos amantes há a mensagem que paralisa todos os instantes: ele, o amor, entre os farrapos da guerra e os corpos tombados é o melhor de nós no meio do pior de nós.
O amor é o risco, o rabisco, o mergulhar entre nuvens e imensidão. O amor é o silêncio entre a gritaria, é a desejada alegoria… Mesmo sendo fiapo de coração.
E essa poesia no meio da prosa é a constatação…
De que no meio do vendaval, do temporal, do trânsito caótico, da política canalha, dos bueiros e cracolândias, do veneno nas plantas, da sirene, da corrupção, do descaso com a vida, da cegueira que imobiliza, da superficialidade das redes sociais, dos influenciadores que se acham os tais…
No meio de tudo isso, o amor resiste e insiste e teima e lima e abre brechas e fendas dentro da gente só pra lembrar que é preciso sentir.
Esta crônica meio poema fala de amor porque esse sentir resiliente nos mostra que dentro do turbilhão é ele, o amor, que nos mantém humanos.