Coluna Poesias de 1 a 99 por de Campista Cabral

  • Poema: #12: UM LAÇO E UM NÓ

    Um laço e um nó
    e o engasgo e o silêncio
    a palavra muda amordaçada e nada
    do que fizera antes apaga
    o fluxo do poema e da prosa
    e as mãos frágeis do poeta-cronista
    tentam a todo custo segurar o texto
    o desejo
    a insensatez e a loucura e o rio de letras
    sílabas palavras-peixe e amores brutos
    um laço e um nó e o engasgo e o silêncio
    a palavra mata
    e cala e se cala
    afrouxa e aperta
    afrouxa e aperta
    e joga e rola
    e deita e cola
    afrouxa e aperta e água
    e mais água inundam o ser e o papel
    e o espaço e o universo
    e a tela fala
    aquela fala aquele riso
    aquele pranto
    afrouxa e aperta
    e aperta e afrouxa
    um laço e um nó.

  • Poema: #12: Exercício Pessoano

    A chuva veio tomar
    os meus pensamentos
    e me puxou pelo braço… assim inteiro
    e já não me sou…deixei de ser…
    somos e não somos.
    Várias vozes… absorção.
    Um senão!

    E fica a impressão
    de que a vida se abandona
    na brevidade acelerada das coisas…
    e não somos! Fingimos ser…
    Inventamos, copiamos, fazemos um rascunho…
    E nos deparamos com o sentido inoportuno
    de não querer entender
    e somos!

    Vencido o humano,
    bandeiras ao vento, mastros,
    coração tremulando aos farrapos…

    Quando se escreve, há o momento da perda…
    e, no perder-se, encontramos
    o que no cotidiano…
    damos o nome de poesia.

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